Campeones!!


Já está!! Quarenta e quatro anos depois, a Espanha volta a ser campeã da Europa! Sucede, pois, à Grécia.
Quanto ao jogo, começou bem melhor a Alemanha. Forte e determinada, a equipa de Low focou-se desde logo na baliza de Casillas. Jogadas rápidas e posse de bola. Enfim, aquilo que nunca tinha mostrado neste Euro. Sem ter criado grande perigo, é certo, mas mesmo assim era a “Mannschaft” que estava mais próxima do golo. Um pouco contra a maré, foi a Espanha a ter a primeira ocasião de perigo: Iniesta cruzou e, contando com um corte atabalhoado de Mertesacker, obrigou Lehmann a uma defesa de recurso. A partir daqui, a equipa de Luís Aragonés equilibrou as contas. Primeiro, e após um cruzamento de régua e esquadro de Xavi, Fernando Torres cabeceou ao poste. Este lance foi o toque para que a Espanha pusesse o seu jogo em prática. Alguns minutos depois surgiu o golo. O golo da vitória! Depois de um passe soberbo de Xavi – mais um – Torres ganhou o duelo a Lahm – que mal ficou – e antecipando-se a Jens Lehmann colocou a bola no fundo da baliza. Golo amplamente merecido, aos 33 minutos. O futebol ao primeiro toque, com movimentos rápidos da Alemanha tinha desaparecido há muito!

O primeiro quarto de hora da segunda parte foi mais do mesmo: a Espanha a fazer circular a bola, sempre sob a batuta de Xavi, que fazia o que queria da bola. Joachim Low tinha de mudar alguma coisa. Para isso fez entrar Kevin Kuranyi e mudou do 4x2x3x1 para o 4x4x2, jogando com o próprio Kuranyi e com Klose na frente. Os cruzamentos para a área tornaram-se mais frequentes e a Alemanha reaproximou-se da baliza espanhola. Sem perigo concreto. Aragonés respondeu – e bem – a Low: tirou Fabregas, talvez o mais apagado do meio-campo e colocou Xabi Alonso no auxílio a Marcos Senna (encarregue de marcar Ballack). A seguir, trocando David Silva por Santi Cazorla e Fernando Torres por Daniel Guiza. A Espanha ganhava, assim, frescura no ataque. Recuperou a bola e mandou-se novamente para cima dos alemães. O golo só não surgiu porque não calhou. Sergio Ramos e Marcos Senna ainda estiveram perto de conseguir um segundo golo que, a bem da verdade, não teria ficado mal ao novo campeão da Europa.

A Espanha foi a melhor equipa do Euro, mesmo sem ser deslumbrante. Como disse Aragonés – despede-se da Selecção com um título – ganhou porque foi melhor. E ponto final!

Anúncios

E viva la España

Eu tinha dito que desta vez ia ser diferente, mas não. Enganei-me totalmente. A Espanha voltou a vencer a Rússia. E outra vez por números bem expressivos: 3-0 depois dos 4-1 da fase de grupos.

O jogo de Viena mostrou uma Espanha fortissíma, coesa e tremendamente bem organizada. O segredo esteve, essencialmente, em neutralizar os pontos fortes da Rússia. Ao contrário da outra meia-final, entre Alemanha e Turquia, este foi um jogo chato. Sem grandes oportunidades, muito dividido, muito físico. Durante a primeira parte, a equipa de Aragonés foi soberba tacticamente. A vigilância competente de Marcos Senna a Arshavin e de Sérgio Ramos a Zhirkov estrangulava as saídas russas, privando a equipa de Hiddink da sua arma mais forte: a velocidade. Mesmo assim, Pavlyunchenko, por dois momentos chegou a criar algum perigo para Casillas. Foi o único período em que se viu a Rússia no ataque. Entretanto acontecia um incidente fundamental para o jogo: aos 34 minutos, o super-jogador David Villa lesionou-se na marcação de um livre e Luís Aragonés fez entrar Fabregas para o seu lugar. O médio do Arsenal colocou-se como falso ponta-de-lança, com liberdade suficiente para jogar e fazer jogar, deixando as tácticas de lado.

O primeiro golo, aos cinco minutos da segunda parte, mostrou como o futebol pode ser simples e eficaz: Xavi iniciou a jogada, abriu para Iniesta na esquerda e correu para a área. Iniesta fez a tabelinha e Xavi só teve de encostar. Começava a ruir a equipa de Guus Hiddink. Daí que não tenha sido preciso esperar muito para se perceber que este jogo n ia ser muito diferente daquele do grupo D. Com Arshavin completamente apagado por Senna e sem ter o poder de ataque do jogo com a Holanda, a Rússia limitou-se a defender. O fantástico jogo de Fabregas acabou com as poucas esperanças russas: primeiro libertando para o recém-entrado Guiza, que à saída de Ankifeev, fez um chapéu perfeito ao guarda-redes russo; e a seguir dando um golo feito a David Silva que encerrou o marcador. A Rússia caiu sem glória, depois de um jogo em que nada fez!

Sem contestação alguma, a Espanha repetiu o recital da primeira fase. Não é certamente a equipa mais espectacular, mas é um equipa no verdadeiro sentido: coesa na defesa; forte no meio e letal no ataque. Eles estão aí!

Quem com ferros mata, com ferros morre!

Está encontrado o primeiro finalista do Euro’08. A Alemanha (quem diria) venceu a Turquia por 3-2 e garantiu um lugar em Viena. Quase por milagre, é certo! Mas já lá vamos.

Começou muito melhor a improvisada equipa de Fatih Therim, com um ror de lesionados e castigados. Os turcos mostraram um futebol que até aqui nunca tinham mostrado, um futebol apoiado e empolgante que criou enormes dificuldades à “Mannschaft”. Kazim e Sarioglu eram os espalha brasas de serviço. O atabalhoado golo de Boral, aos 21 minutos, colocou a Turquia em vantagem e traduzia muito bem aquilo que as duas equipas mostravam. A defesa alemã – com guarda-redes incluído – limitou-se ver a banda passar, pasmada!

Mas, assim como os alemães davam abébias do tamanho do Mundo, também os turcos as davam… O lado direito da defesa da Turquia parecia um autêntico deserto, que Podolski aproveitou melhor do que ninguém. À primeira oportunidade e quase copiado pelo jogo contra Portugal, o extremo do Bayern cruzou e Schweinsteiger desviou a bola de Rustu, empatando o jogo. Tremenda injustiça!

Poucos minutos depois, e aproveitando a ausência de Sarioglu, Podolski rematou um pouco por cima da barra. Foram estas as oportunidades da equipa de Low. Já a Turquia rematava, rematava.. Mas não marcava!

Chegou o intervalo com uma estatítica impressionante: 15 remates para a Turquia; 3 remates para a Alemanha. Mas como o que conta são os golos, o jogo estava empatado.

A segunda parte foi diferente. Mas pouco. Com Frings no lugar de Rolfes, os alemães conseguiram equilibrar o jogo e impedir os turcos de chegar tantas vezes à baliza de Lehmann – como treme este homem. Os erros eram cada vez mais e nem mesmo Massimo Busacca, o árbitro, resistia à onda. Os alemães passaram a recorrer muito às faltas e o jogo deixou de ser tão bonito.

E como o melhor vem sempre no fim, vamos para os últimos quinze minutos da partida: a Turquia mandava no jogo mas continuava a errar muito na defesa. Daí que depois de um cruzamento, aparentemente inofensivo de Lahm , Klose antecipando-se a Topal e a Rustu (que é que o homem foi fazer quase à marca de penalty?) fez o golo da reviravolta alemã. Tamanha injustiça.

Cinco minutos depois, foi a vez de Sarioglu, que esteve tão bem a atacar, como mal a defender ganhar a linha e cruzar para Semih Senturk, o herói do jogo com a Cróacia, fazer o golo do empate. Mil vezes merecido. Mas desta vez, o golo de Senturk, chegou a tempo de permitir a resposta alemã. Que não se deixou esperar. Philipp Lahm, que também não foi grande espingarda a defender, arrancou pelo meio da defesa turca – beneficiando da escorregadela de Kazim, o seu marcador – e marcou o terceiro golo. O golo da vitória. Tão injusto…

Este Europeu tem sido mesmo empolgante e imprevisível… Mesmo quando as melhores equipas (em campo, não na teoria) ficam pelo caminho.

O bom, o mau e o vilão!

Scolari embirrou com Baía. É a única justificação que encontro para que o melhor guarda-redes da Europa não seja convocado para a Selecção. É incrível! É algo que ninguém consegue perceber. Por muito que tente.

A não-convocação de Vítor Baía, tornou-se numa guerra entre o seleccionador e o próprio FC Porto, com Baía – o único prejudicado – metido no meio da confusão. O ex-guarda-redes do FC Porto teve sempre uma postura digna, nunca criticando as opções de Scolari. Mas, o seleccionador ultrapassou os limites, quando em 2003, decidiu convocar Bruno Vale (terceiro guarda-redes do FC Porto, na altura) para um jogo particular frente ao Cazaquistão. Foi uma clara provocação a Vítor Baía que podia muito bem ter sido evitada. Ricardo teve sorte, pois fixou-se como o guarda-redes da confiança de Scolari no meio de tanta polémica e viveu sempre “protegido” pela crítica, devido à injusta escolha de António Oliveira em 2002, quando entregou a titularidade a Vítor Baía.

Daí que agora ache um pouco engraçado que Ricardo seja o “Cristo”. Ele que foi defendido por tudo e todos em 2002; ele que foi elevado a herói nacional depois dos jogos com a Inglaterra em 2004 e 2006. Sim, esse mesmo, agora é considerado como o maior responsável pela eliminação de Portugal, tanto pela imprensa – nacional e internacional – como pelos próprios adeptos. É lógico que Ricardo é culpado, mas não é o único. Por isso acho que as críticas são um pouco injustas. Assim como foram injustas para Vítor Baía em 2002, aquando do Mundial da Coreia. A vida é assim…

Sem Scolari, o lugar de Ricardo está em risco. E eu aposto que vamos ter mudanças!

Fabregas e os penaltis…

Fabregas, o médio que fez uma grande temporada no Arsenal, não tem sido muito feliz no Euro’08. O médio espanhol não se tem conseguido impor na equipa de Luís Aragonés. Mas ontem, frente à Itália foi ele que apontou o penalty decisivo – já depois de Casillas ter defendido dois. O que não acontecia… há 6 anos!

“Não marcava um penalty desde os quinze anos. O seleccionador escolheu os cinco jogadores e foi tudo. Foi uma verdadeira prova de confiança ter escolhido o meu nome para a quinta cobrança. Isso ajudou-me. Só pensei em marcar”, disse Cesc Fabregas.

Parece que o trauma já passou… Tanto o da “Roja” como o de Fabregas.

Acabou-se o enguiço

Acabou-se a maldição do dia 22 de Junho. Depois de três eliminações nesta data – sempre após penaltis – a Espanha consegiu vencer a Itália e apurar-se para as meias-finais do Euro’08.
A primeira parte mostrou aquilo que já se esperava: a Espanha a tentar manter a posse de bola e a recorrer a remates de longe; a Itália a fazer o seu jogo típico, muito táctico. Por isso, quase não houve oportunidades de golo. Das vezes em que a selecção espanhola conseguiu criar algum perigo, Buffon e Chiellini (grande exibição) lá foram resolvendo os problemas. Daí que o nulo ao intervalo não surpreendeu ninguém.

Para a segunda parte, Aragonés trocou Xavi e Iniesta por Fabregas e Cazorla, enquanto que Donadoni lançou Camaronesi para o lugar de Perrota. A Itália estava mais ofensiva e à procura da baliza espanhola, mas a nove minutos do fim, Marcos Senna rematou de fora da área, Buffon deixou a bola fugir e depois só teve tempo de a ver embater no poste da sua baliza. Sorte para os campeões do Mundo.
Não houve alterações até ao fim e era tempo de prolongamento. Logo nos minutos iniciais, David Silva levou a bola a passar perto do poste. Três minutos volvidos, foi a vez da Itália. Di Natale cabeceou e obrigou Casillas a uma defesa fantástica. O prolongamento foi quase igual ao jogo propriamente dito e parecia não haver maneira de desatar aquele nó…
Grandes penalidades pela frente. Oportunidade para ver o duelo entre aqueles que serão os dois melhores guarda-redes do Mundo. Levou a melhor Iker Casillas, autor de duas excelentes paradas, enquanto que Buffon “só” conseguiu defender uma grande penalidade.
A Espanha vai reencontrar a Rússia, que venceu por 4-1 no Grupo D. Mas agora vai ser diferente… Ai se vai!

A traição do século

Guus Hiddink tinha avisado: queria vencer a sua Holanda a fim de se tornar num traidor do seu país. Dito e feito… A Rússia deixou pelo caminho a “laranja mecânica” e apurou-se para as meias-finais, naquele que foi, sem dúvida nenhuma o melhor jogo do Euro’08.

Foi electrizante do princípio ao fim. Van der Sar e Ankifeev não tiveram descanso. A Rússia, carrilava o seu jogo pela esquerda, muito graças às investidas de Zhirkov, o homem supersónico. Só devido à insuficiência atacante – se não fosse isso – é que a Rússia não chegou ao intervalo a vencer.
Hiddink ganhava em todos os sentidos a Van Basten – um dos seus seguidores. Sendo assim, o técnico da “laranja” decidiu apostar em Van Persie para a segunda parte, a fim de travar os avanços frenéticos de Zhirkov. Em nada resultou! A Rússia fazia o que queria e bem lhe apetecia. Qual foi a surpresa, quando aos 56 minutos, Semak arrancou pela esquerda e cruzou milimetricamente para a área, onde Pavlyuchenko só teve de desviar de Van der Sar e abrir o marcador. Tudo simples, bem trabalho e rápido. Perfeito!
A Holanda tentava reagir, mas sempre sem grande sucesso, pois nem Sneijder nem Van der Vaart se conseguiam libertar das marcações e entar na área russa. A equipa de Van Basten quase se partiu a meio e colocou-se mesmo a jeito… A Rússia é que não aproveitou e a 4 minutos do fim, Wesley Sneijder descobriu Nistelrooy na área, que de cabeça empatou o jogo. Estava tudo empatado e o prolongamento à porta.

Começou o prolongamento e foi então, que Arshavin resolveu elevar o seu futebol a algo que há muito não se via. A Rússia “mandou-se” literalmente para cima dos holandeses e, aos 98 minutos, Pavlyuchenko avisou, fazendo estremecer a barra de Van der Sar com um remate fantástico. E como os russos estavam com o gás todo, o golo havia de aparecer. Aos 112 minutos, depois de jogada de Arshavin – quem mais poderia ser? – Torbinskiy colocou a Rússia em extâse e praticamente “matou” o jogo. A emotividade, essa é que se manteve até final. Até que aos 116′, Arshavin resolveu acabar com o seu recital de futebol, fazendo o terceiro golo e enterrando de vez com a esperança da Holanda em empatar o jogo. ´

Acabava, definitivamente, aqui um jogo para mais tarde recordar em que a Rússia foi uma autêntica máquina de futebol.

Memorável, inesquecível!