Apito Dourado: a fruta para Paixão

Apito Dourado. O processo que marca para sempre o futebol português. Decidi, então, remexer no caso, com base no livro do jornalista Eugénio Queirós, “Apito Dourado – Toda a história”. Para, também eu perceber melhor isto tudo. Começo pelo “caso da fruta”.

JOGO: FC Porto – Estrela da Amadora (2-0)

ÁRBITROS: Jacinto Paixão, Manuel Quadrado e José Chilrito

CASO: Pinto da Costa terá alegadamente oferecido prostitutas ao trio de arbitragem a fim de um resultado favorável ao FC Porto, usando o empresário António Araújo como intermediário.

ARGUIDOS: Pinto da Costa, Jacinto Paixão, Manuel Quadrado, José Chilrito, António Araújo e Reinaldo Teles.

INCIDÊNCIAS:

ANTES DO JOGO

  • A meio da viagem desde Évora (onde reside) Jacinto Paixão telefona a António Araújo. Segundo o Ministério Público com o intuito de pedir prostitutas.
  • No seguimento desta chamada, António Araújo telefona a Pinto da Costa – cerca das 13h – e informa o presidente do FC Porto que lhe pediram “fruta para dormir”. Pergunta se tem autorização para levar a tal “fruta” ao que Pinto da Costa responde que esta já foi enviada. Araújo explica que fala “do homem que vai estar consigo logo à noite”. Pinto da Costa manda seguir. Usam-se ainda as expressões “café” e “café com leite” que ao que o MP apurou se referem à cor da pele das prostitutas.
  • António Araújo liga a Cláudia, uma prostituta brasileira.
  • Até às 19.15h, hora do jogo, sucedem-se os telefonemas. Araújo fala com Paixão. Araújo telefona para Cláudia. Depois é Pinto da Costa quem telefona a António Araújo. Araújo volta a falar com Jacinto Paixão e por fim fala novamente com Cláudia.
  • Durante o jogo não existem mais telefonemas

DEPOIS DO JOGO

  • António Araújo encontra-se com Cláudia no bar “Gold”. Depois disso, Araújo acompanhado de um individuo não identificado, Cláudia e as três prostitutas (Celina, negra; Daniele, branca e Emanuele, mulata) vão para o Hotel Tivoli, no Porto.
  • A equipa de arbitragem janta na Marisqueira de Matosinhos. Pinto da Costa também lá está, mas noutra mesa. A PJ descobre um pagamento efectuado por PC na ordem dos 70€. O presidente do FC Porto utiliza este montante para referir ser impossível pagar o jantar dos árbitros.
  • António Araújo desloca-se com as suas acompanhantes para o Hotel Meridien onde estava instalada a equipa de arbitragem (cerca das 00.30h);
  • Araújo paga 150€ a cada prostituta e, impaciente, telefona três vezes a Jacinto Paixão;

REACÇÕES:

  • Na primeira vez que foi ouvido, Paixão confessou que foi guiado até ao hotel por Reinaldo Teles, que acusa de ter mentido. Além disso, disse nunca ter suspeitado que o jantar e as prostitutas fossem uma oferta do FC Porto, pensando sempre tratar-se de uma gentileza de Luís Lameira (também árbitro e amigo de Paixão). Mais tarde numa entrevista à TVI negou qualquer envolvimento com prostitutas e disse ter sido vítima de uma cilada e que Pinto da Costa e António Araújo deviam ser punidos. Contradições e mais contradições; Duas das prostitutas reconheceram dois dos três árbitros, no caso Jacinto Paixão e Manuel Quadrado.
  • Já Pinto da Costa disse haver uma dívida de 130 mil dólares do FC Porto a António Araújo e era sobre esse pagamento que tinham falado. Quanto à sigla “JP” (usada na conversa com Araújo) disse tratar-se de Joaquim Pinheiro, irmão de Reinaldo Teles e não do árbitro Jacinto Paixão. Segundo PC as prostitutas eram para o tal Joaquim Pinheiro e foi usado um discurso codificado pois receava que estivesse a ser escutado.
  • Carolina Salgado decidiu acusar Pinto da Costa dizendo ter presenciado um telefonema entre o presidente do FC Porto e o empresário António Araújo onde falaram de “fruta para dormir” (por volta das 13.00h). Sabe-se agora que o testemunho de Carolina Salgado é falso. Tudo porque a ex-companheira de Pinto da Costa telefonou às 11.30h a dizer que ia ter com a mãe e voltou a telefonar às 15.02h dizendo que ainda estava no cabeleireiro. Pelo meio, Pinto da Costa recebeu uma chamada às 12h05 para ir almoçar com dois amigos a um conhecido restaurante do Porto. Sendo assim, Pinto da Costa e Carolina só se encontraram ao final da tarde, já no Estádio das Antas, onde o FC Porto jogou com o Estrela.

RESULTADO: Com base no relatório dos peritos em arbitragem que não detectaram qualquer erro grave a assinalar ao árbitro, no falso depoimento de Carolina Salgado e no facto de nem ter sequer ficado provado que “JP” significava mesmo Jacinto Paixão, o juiz do Tribunal de Instrução Criminal do Porto, Artur Ribeiro, decidiu não levar o caso a julgamento.

SENTENÇA: Todos os arguidos foram ilibados e o caso arquivado.

(Baseado no livro “Apito Dourado – Toda a história”, do jornalista Eugénio Queirós)

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Petit no Colónia

Petit rescindiu com o Benfica e vai jogar no Colónia, clube recém-promovido à Bundesliga. A custo zero. E os encarnados poupam dois milhões de euros, um por época.

Bem, agora parece que está na moda os jogadores sairem para clubes – que embora joguem noutras ligas – com menores aspirações. Petit sai do Benfica, um clube que luta para ser campeão, para o Colónia, um modesto clube alemão que luta para não descer. É certo que vai ganhar o dobro do dinheiro que ganhava na Luz, mas mesmo assim parece-me um passo atrás na carreira. Mas não é o único a fazê-lo.

Quanto a mim ainda vai fazer falta ao Benfica. Mas isso só o tempo o dirá.

Tour: o rescaldo


“Agora sim, o sonho de uma vida torna-se real.” Foi esta a frase de Carlos Sastre após ter vencido o Tour de France 2008. Com 33 anos, o ciclista espanhol conseguiu finalmente vencer uma grande competição.
O sucesso de Carlos Sastre deve-se em muito à fantástica subida para o Alpe d’Huez, mas também ao apoio da sua equipa, a CSC. Uma equipa foi aquilo que faltou a Cadel Evans. O australiano da Silence-Lotto repetiu o segundo lugar de 2007. Foram, para mim, os melhores ciclistas em prova. A vitória ficava bem a qualquer um deles. Esteve melhor o espanhol.
KOHL, FREIRE, SCHLECK E CSC EM GRANDE

Mas o Tour não foi só Carlos Sastre e Cadel Evans. Houve mais destaques, muitos mais. Um desses destaques – pela positiva, claro – foi Bernhard Kohl. O ciclista da Gerolsteiner fez um Tour fantástico, conseguindo ser o 3º na classificação geral, tornado-se ainda no primeiro austríaco a ser o melhor trepador.
Depois Oscar Freire. O sprinter espanhol da Rabobank nunca tinha terminado o Tour. Mas este ano terminou. E conseguiu também arrecadar a camisola verde, dos pontos. O que nunca nenhum espanhol tinha conseguido. Ah, é bom lembrar que Freire tem uma lesão crónica na zona lombar.
Schleck. Não é Frank, mas Andy Schleck, o mais novo. Foi o grande protector de Carlos Sastre. Conseguiu a camisola da juventude. E ou muito me engano ou ainda vamos ouvir falar muito nele. Também Frank esteve em grande, tanto nos Pirinéus como nos Alpes e chegou a andar de amarelo.
Ainda Jens Voight. Com 38 anos, o ciclista alemão carregou a CSC e o pelotão na montanha. Foi graças a si e a Cancellara que Valverde ficou logo arrumado nos Pirinéus.

VALVERDE E MENCHOV: DÈJA VÙ!

Alejandro Valverde. Vou começar por aqui. O campeão espanhol foi, mais uma vez, uma desilusão. Apontado como super-favorito voltou a estar mal. Depois de ter prometido muito, ganhando logo a primeira etapa, Valverde perdeu cerca de 5 minutos nos Pirinéus o que o deixou desde logo arrumado. Dèja vù.
Outra desilusão foi Denis Menchov, também apontado como grande candidato à vitória final. Tentou atacar nos Alpes, mas caiu pouco tempo depois de sair do grupo. Mesmo assim não mostrou grandes argumentos para vencer. Nem o “crono” o safou.
Damiano Cunego foi outro que tal. Quebrou nos Pirinéus, quebrou nos Alpes. Acabou por desistir devido a uma queda. Embora fosse mais um outsider, foi outro dos derrotados.


DOPING DE RICCÒ; QUEDA DE PEREIRO

Tenho que destacar ainda Riccardo Riccò. Depois de uma subida sensacional e de duas vitórias nos Pirinéus, acusou doping. Sempre o doping a estragar tudo. Apontado como novo Pantani acabou despedido pela Saunier Duval, sem honra nem glória.
Oscar Pereiro, para terminar. O ciclista espanhol da Caisse d’Epargne sofreu uma queda brutal. Felizmente só fracturou o úmero do braço esquerdo. Perante a gravidade da queda, o vencedor do Tour de 2006 teve “mucha suerte”.

Está feito o rescaldo do 95º Tour de France. Para o ano há mais!

FPF confirma parecer de Freitas do Amaral

A FPF invocou o interesse público (a fim de os campeonatos começarem nas datas marcadas) e adoptou o parecer de Diogo Freitas do Amaral. Sendo assim, é o Paços de Ferreira quem fica na Liga Sagres – o Boavista desce para a Liga Vitalis – e Pinto da Costa fica suspenso das funções de presidente do FC Porto durante 2 anos. Vão ser ainda contestadas as providências cautelares interpostas pelo presidente do CJ, Gonçalves Pereira e pelo Boavista.

Parece que finalmente está resolvida esta trapalhada. Parece…

Tour: Carlos Sastre, o vencedor improvável

Carlos Sastre venceu o 95º Tour de France.
Grande surpresa! Pelo menos para mim. O ciclista da CSC fez um contra-relógio fantástico, perdendo apenas 29 segundos para o super-favorito Cadel Evans e conseguiu assim chegar a Paris de amarelo. Sim, mais uma vitória de um espanhol.

Aos 33 anos, Sastre conseguiu finalmente vencer uma grande prova por etapas. Olhando para trás, a chegada ao Alpe d’Huez, na 17ª etapa, foi o momento-chave deste Tour. Foi aí que Carlos Sastre alcançou a liderança que defendeu com unhas e dentes no “crono”, onde Evans não teve pernas para recuperar da desvantagem de 1,34 minutos. Além de tudo, Sastre foi o único dos favoritos que atacou nos Alpes. Também por isso, é uma vitória justa.

Carlos Sastre concretizou “o sonho de uma vida” e tornou-se no sétimo espanhol a vencer o Tour, depois de Frederico Bahamontes, Luis Ocaña, Pedro Delgado, Miguel Indurain, Oscar Pereiro e Alberto Contador. Por isso bem pode agradecer à CSC. Principalmente a Andy Schleck e Jens Voigt.

CARLOS SASTRE CANDIL

Nascimento: 22/04/1975
Naturalidade:
El Barraco, perto de Leganes, Madrid
Altura:
1,73 m
Peso:
60 kg
Profissional desde:
1997
Equipas:
Once (de 1997 a 2001) e CSC (desde 2002)
Principais resultados:
Vencedor do Tour (2008)
Vencedor da clássica Primavera (2006)
Vencedor do prémio de montanha da Vuelta (2000)
2º na Vuelta (2005 e 2007)
4º na Vuelta (2006)
6º na Vuelta (2004)

João Moutinho: "Quero sair!"

Final do jogo Sporting – Blackburn, um amigável do Torneio do Guadiana. João Moutinho, capitão do Sporting chama os jornalistas. Para quê? Para dizer que quer abandonar Alvalade. Uma autêntica bomba…

“O Everton é o clube de que se fala, mas o Sporting não aceitou a proposta. O Sporting sabe a minha vontade e já a transmiti. A minha vontade, pelas razões que tenho é sair”. Restam dúvidas? Acho que não.

Mas de uma coisa tenho a certeza: a revelação de Moutinho não caiu nada bem no Sporting. Paulo Bento nem o convocou para o amigável com o Benfica…

Sp. Braga passa na Intertoto

O Sp.Braga está na segunda pré-eliminatória da Taça UEFA, depois de eliminar o Sivasspor na Taça Intertoto. É caso para dizer que os turcos se viram gregos…

A equipa de Jorge Jesus deu um autêntico baile nesta equipa turca. Cinco secos. Primeiro ganhou fora por 2-0; depois ganhou 3-0, no Estádio AXA. Uma vitória – na eliminatória, bem-entendido – que não deixa dúvidas a ninguém.
As vitórias, mas principalmente as exibições, mostram que este Braga vai ser bem mais forte do que aquele do ano passado. Uma equipa com bons jogadores, com um colectivo forte e tacticamente perfeita. Mesmo à imagem de Jorge Jesus. Deixou boas indicações.