E se fosse em Portugal?

Vi ontem o último jogo do ano da Premier League, o Hull City – Aston Villa. Foi um jogo esquisito, nem parecia inglês, tirando que tinha a lotação esgotada: poucas oportunidades e muito futebol directo. O Aston Villa, que tem feito um campeonato sensacional, marcou aos 87 minutos num auto-golo de Zayate. Mil vezes injusto, pois o Hull estava por cima e foi sempre mais perigoso.

Mas o que importa nisto tudo é o que aconteceu no terceiro minuto de compensação, quando o árbitro Steve Bennett assinalou penalty a favor do Hull, que poderia ter ditado o empate. Contudo, depois de consultar o seu assistente, Steve Bennett recuou na sua decisão e mandou marcar pontapé-de-baliza. Ainda bem que assim foi, pois a bola bateu na barra e não na mão de um jogador do Villa. O assistente foi mesmo assistente.

Depois deste lance lembrei-me da entrevista de Vítor Pereira, presidente do Conselho de Arbitragem da Liga, que disse que alguns árbitros assistentes chegam à primeira categoria sem terem vinte jogos de séniores. Assim é difícil serem assistentes no verdadeiro sentido.

Há férias… mas a polémica continua!

O campeonato está de férias mas nem parece. Já não dão meia-dúzia de jogos na televisão, ok, mas continua a falar-se dos árbitros. Sempre eles. Um em particular: Pedro Henriques. O do Benfica-Nacional, do golo anulado a Cardozo aos 92 minutos que daria a vitória aos encarnados. Um erro enorme, diz-se quase em coro.

Apesar de todas as críticas, Pedro Henriques continua a defender aquilo que viu: que a mão de Miguel Vítor alterou a trajectória da bola e colocou-a nos pés de Cardozo. Verdade? Completamente. Então o que tanto se discute? A intencionalidade ou não de Miguel Vítor. O jogador do Benfica estava caído no relvado e a bola embateu no seu braço. Não há intencionalidade, é certo, mas tal como diz Pedro Henriques a bola alterou a sua trajectória. É esta a versão do árbitro. E de poucos mais, pois todos o acusam de ter errado.

Eu confesso que não sei se Pedro Henriques decidiu bem ou não. Só não acho bem que se crucifique o árbitro. Ou é fácil decidir bem numa fracção de segundos? Pois.

(Imagem: Futebolartte)

Três guarda-redes como actores principais

ANÁLISE JORNADA 12 – LIGA SAGRES


O que têm em comum Boris Peskovic, Marcos e Rafael Bracalli para além de serem guarda-redes de futebol? Uma ajuda: o primeiro é o titular da baliza da Académica, o segundo defende no Marítimo e o terceiro é o guarda-redes do Nacional da Madeira. Isso mesmo, as equipas que empataram os grandes nesta jornada. Tudo a zeros em Alvalade, no Dragão e na Luz. O que faz com que o Benfica seja campeão de Inverno, 15 anos depois.

Vamos pela ordem das coisas, primeiro Peskovic. O guarda-redes eslovaco da Académica que nesta época encostou Pedro Roma foi o principal responsável pelo empate da Briosa frente ao Sporting, em Alvalade. A equipa de Paulo Bento bem tentou chegar ao golo, mas com este guarda-redes era missão impossível. Aquela defesa em que Peskovic consegue vencer a inércia do seu movimento e mudar a trajectória do seu movimento define a sua exibição: assombrosa.

Agora Marcos. O guarda-redes do Marítimo já é um habitué nestas andanças. É verdade que não fez defesas como as de Peskovic e que o jogo do FC Porto foi mais transpirado do que inspirado mas o “goleiro” de Lori Sandri foi fundamental para o nulo que impediu os portistas de assumirem a liderança (pelo menos enquanto o Benfica não jogava). E na única fez em que Marcos não conseguiu defender, Van der Linden teve um corte in extremis em cima da linha. Semelhanças com o jogo de Alvalade? Algumas, sem dúvida.

Por fim Rafael Bracalli que, ainda sem a projecção de Peskovic e Marcos, foi importante para o empate conseguido pelo Nacional na Luz. Não teve grande trabalho, é verdade, mas correspondeu bem quando chamado e com segurança máxima. Para exemplo ficam as defesas fantásticas a cabeceamentos de Luisão e Yebda. Não é isso que se pede a um guarda-redes? Bracalli não fraquejou. E do outro lado Moreira, o D.Sebastião da Luz, também foi importante para que o Benfica não fosse derrotado, numa altura em que estava completamente em cima do Nacional. Contudo, para além dos guarda-redes houve ainda outro protagonista: Pedro Henriques, o árbitro. O lance aconteceu aos 91 minutos e teria dado a vitória à equipa encarnada. Pedro Henriques anulou-o por mão de Miguel Vítor. Bem ou mal? Não sei, sinceramente. Os factos: não há dúvida nenhuma de que a bola bate na mão de Miguel Vítor e muda a sua trajectória (tal como disse Pedro Henriques) mas o jogador do Benfica está deitado no chão e não é um gesto voluntário. De uma coisa ninguém duvida: a polémica vai ser acesa.

Esta foi uma jornada atípica. 0-0 nos jogos dos três grandes (a jogar em casa). A que se junta também o empate do Leixões com o Estrela, no Estádio do Mar. É a confirmação de que a equipa de José Mota se dá melhor fora do que em casa. Em ascensão está o Sp.Braga que derrotou o Rio Ave e parece querer cada vez mais chegar-se à frente da classificação. Passando agora para o fundo da tabela, o Belenenses deixou o último lugar para o Trofense após derrotar a equipa de Tulipa por 3-2. De onde há muito saiu o Paços de Ferreira que afinou a máquina.

O futebol vai de férias. Também merece, digo eu.

Palpites a mais…

Não acho bem que alguém próximo de um jogador de futebol dê palpites sobre as opções dos treinadores. Seja ele pai, irmão ou empresário. Os jogadores de futebol não são nenhumas prima-donas e por isso devem assumir que por vezes não estão bem, que falham. E todos falham, isso é normal no futebol. Mas também concordo que por vezes a imprensa desportiva é muito sensacionalista, procura logo casos. É preciso perceber que os jornalistas estão a fazer o seu trabalho e não apenas a passar o tempo.

Além do mais, o fraco rendimento dos jogadores não é culpa dos jornalistas e a falta de ideias também não. Muito menos dos árbitros que, em Portugal, parecem ter culpa de tudo. Os erros são normais, acontecem a todos. E há que perceber isso. Porque ao criticar treinadores, administradores e até jornalistas só estão a fazer mal àqueles que pretendem defender. Não traz benefícios nenhuns antes pelo contrário.

Imagino que todos saibam a quem me refiro. Ou se calhar também me refiro a “ninguém”.

(Também postado no FUTEBOLARTTE)

Manchester é campeão do Mundo com a mãozinha de Van der Sar

O Manchester United é campeão do Mundo de Clubes. Um golo de Rooney, servido por Ronaldo bastou para vencer os equatorianos da Liga de Quito. Isto apesar de a equipa de Alex Ferguson (mais um título!) ter jogado quase toda a segunda parte com menos um elemento devido à exulsão de Vidic. Van der Sar foi enorme.
Na final do Mundial de Clubes estavam o Manchester United – vencedor da Liga dos Campeões – e a Liga de Quito, equipa vencedora da Taça Libertadores. Por isso mesmo era esperado um bom jogo e dividido, embora o Manchester tivesse o favoritismo. Os primeiros minutos confirmaram isso mesmo. A equipa inglesa tinha mais bola e criava mais perigo, enquanto que a Liga de Quito jogava mais compacta, com cautelas defensivas.

À passagem dos 20 minutos, Park dispôs de uma boa oportunidade mas não conseguiu finalizar. A quatro minutos do intervalo foi Rooney quem esteve perto do golo, mas sem sucesso. Ambas as situações a passe de Cristiano Ronaldo. Mas onde andava Ronaldo andavam logo os polícias da Liga de Quito. Muitas preocupações com o jogador português. No início da segunda parte, aos 49 minutos, a missão do United ainda se complicou mais devido à expulsão de Vidic. Ferguson prescindiu então de um avançado (Tevez) para colocar o jovem Evans no centro da defesa.

ENORME VAN DER SAR

Foi pouco depois da expulsão de Vidic, que Ronaldo apareceu mesmo: servido por Wayne Rooney, o jogador português libertou-se dos defesas equatorianos mas não conseguiu bater o guarda-redes Cevallos. A Liga de Quito, com mais um elemento, perdeu o medo e começou a ser mais perigosa para Van der Sar. Alejandro Manso, o melhor da LDU, esteve mesmo perto de marcar aos 63 minutos, mas o guarda-redes holandês opôs-se com uma defesa fantástica.

A defesa de Van der Sar a garantir o empate foi talvez o mote para que o Manchester fosse novamente para cima da Liga de Quito. E conseguiu mesmo marcar, por Rooney. Passe de Ronaldo, remate do inglês e bola dentro da baliza de Jose Cevallos. Faltava um quarto de hora e os ingleses tinham tudo para serem campeões do Mundo. Tremeram apenas a dois minutos do fim, num grande remate de Manso a que Van der Sar correspondeu com uma defesa assombrosa. A vitória ficou nas mãos do guarda-redes.

(Imagem: Eurosport)