FC Porto-Sporting, 0-0: Que pobreza franciscana!


Imaginem aqueles jogos pachorrentos entre equipas que desesperam por um pontinho, onde há pouco futebol e oportunidades de golo nem vê-las. São jogos que não interessam a ninguém. O clássico do Dragão, entre FC Porto e Sporting, pareceu-se muito com isso e só podia ter acabado como acabou: empatado a zero. É verdade que teve intensidade e adrenalina nos píncaros mas foi mal jogado e nenhuma das equipas mostrou vontade de ganhar. Conformaram-se, aliás. Foi mesmo um clássico a sério?

FC Porto e Sporting chegavam ao Dragão com estados de espírito opostos: os portistas vinham com a moral em alta, depois de uma excelente exibição frente ao Atlético de Madrid; a equipa de Paulo Bento de uma goleada das antigas, em casa, com o Bayern de Munique mas também havia deixado boas indicações no jogo anterior do campeonato, no derby com o Benfica. Por isso mesmo, por jogar em casa e por ter mais 24 horas de descanso (já que tanto se falou disso na véspera do jogo) o FC Porto partia com um algum favoritismo. Os treinadores tinham avisado que o clássico não decidia nada mas era importante; principalmente para o Sporting que em caso de derrota ficava já a sete pontos do primeiro lugar. Quanto às equipas que começaram o jogo, houve algumas alterações: Jesualdo Ferreira teve de recorrer a Pedro Emanuel para a lateral direita devido às lesões de Fucile e Sapunaru; e Paulo Bento, em relação ao jogo da Liga dos Campeões, com o Bayern, colocou a defesa habitual com Pedro SIilva, Daniel Carriço, Polga e Grimi e ainda Pereirinha no meio-campo em detrimento de Romagnoli. Lançados os dados, estava tudo pronto para o clássico.

Porém, cedo se percebeu que este jogo pouco teria de clássico. Entrou melhor o Sporting e respondeu o FC Porto com a primeira grande situação de perigo, aos 10 minutos, num cabeceamento de Rodríguez que Pereirinha cortou em cima da linha de golo. Foi a grande oportunidade dos dragões. Depois disso, praticamente não houve jogo: as faltas sucediam-se umas atrás das outras, as interrupções eram uma constante e as equipas médicas ora de uma ora de outra equipa não tinham sossego. O jogo estava intenso e a entrega dos jogadores era total. Contudo, havia pouco futebol: muitas dificuldades na construção de jogadas ofensivas, com inúmeros passes errados e nem as transições resultavam. Apenas em jogadas individuais, havia algum perigo: primeiro, aos 22 minutos, Izmailov dentro da área tentou fazer um chapéu a Helton mas a bola saiu muito por cima; dois minutos depois, Cristian Rodríguez – foi sempre o mais esclarescido do FC Porto – arrancou uma boa jogada pela esquerda mas o lance foi anulado por um corte de Carriço.

INTENSIDADE E ENTREGA TOTAL MAS FUTEBOL NICLES

Enfim, a grande oportunidade de golo do jogo: aos 38 minutos, altura em que Liedson apareceu bem nas costas de Rolando e cabeceou ao poste. Foi o melhor lance do clássico. Chegou o intervalo e a primeira parte tinha sido fraca e pouco produtiva em lances de perigo junto de cada uma das balizas. No reatamento, a partida melhorou um pouco, estava mais aberta e já não havia tantas paragens. Quanto a lances de golo é que continuava tudo na mesma, nicles. Ao FC Porto faltava Lucho ao passo que nem Lisandro nem Hulk conseguiam assustar Tiago; do outro lado, o Sporting juntou mais as linhas e deixou que fossem os portistas, a jogar em casa, a terem mais iniciativa e mais bola no pé. Começou o jogo de banco e Paulo Bento foi o primeiro a tentar dar um safanão no jogo, colocando Yannick Djaló no lugar de Izmailov e fazendo com que Moutinho descaísse mais para o lado esquerdo do losango. Também a substituição não produziu grandes efeitos, diga-se.

A menos de vinte minutos do final, Jesualdo Ferreira foi obrigado a mexer, face à lesão de Cissokho – a segunda na partida depois de Grimi ter feito uma rotura no joelho esquerdo, ainda na primeira parte. Uma lesão que deixa o FC Porto sem laterais de origem. Por isso mesmo, entrou Tomás Costa para o lado direito da defesa, passando assim Pedro Emanuel para a esquerda; duas adaptações, portanto. É justo dizer também que o capitão se saiu bem nessas funções. Ah, o jogo: continuava igual, com as equipas cada vez mais conformadas com o resultado mas sem nunca virar a cara à luta. E assim chegou ao final, com o nulo. Nem poderia ser de outra forma.

DESTAQUES

JOÃO FERREIRA: O jogo foi intenso e disputado nos limites, já foi dito, mas o árbitro também complicou, perdendo-se no meio de tantas faltas (45 no total!) e de tantas paragens. Não assinalou uma grande penalidade favorável ao FC Porto por falta sobre Cristian Rodríguez, ainda na primeira parte e não expulsou o mesmo Rodríguez, já em tempo de descontos, numa agressão a Caneira. Também os pisões de Lucho e Derlei passaram em claro. Mas este jogo de fácil não teve nada…

JESUALDO FERREIRA: O FC Porto não conseguiu dar seguimento à exibição de Madrid, com o Atlético e nunca teve soluções para chegar com perigo à baliza do Sporting. Não houve ideias e o treinador também se conformou com o empate, não aproveitando possíveis debilidades físicas e psicológicas dos leões.

PAULO BENTO: Tal como Jesualdo, preferiu ficar com um ponto do que arriscar a ficar com três. As equipas estiveram sempre presas de movimentos. De qualquer forma, para o Sporting acaba por ser um bom resultado que lhe permite manter-se na luta pelo título.

MELHOR EM CAMPO: Daniel Carriço, um senhor central.

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Os famosos túneis onde se dão amendoins…

87 minutos do Benfica-Leixões, 2-1 no resultado: após Katsouranis ter ficado estendido no relvado e ninguém ter parado o jogo para que o médio grego fosse assistido, José Mota e Quique Flores discutiram de forma enégica, ali mesmo à beira do quarto árbitro. Foi um bom exemplo de como o futebol é efervescente, frenético, apaixonante. A pressão nos bancos é terrível, a adrenalina está nos limites. O jogo acabou mesmo com a vitória do Benfica e com mais uns protestos de José Mota. Porque o futebol também é isto.

Porém, existe um problema mais sério: os túneis de acesso aos balneários, ou melhor, os conflitos que lá existem. Os túneis são um local onde tudo parece acontecer sem que haja consequências, onde os nervos estão bem expostos. Hoje, na Luz, voltou a haver escaramuças no túnel: como já havia acontecido no Benfica-Nacional e, ainda, no Dragão no jogo do FC Porto frente ao Marítimo. Desta vez, chegou mesmo a ser chamado o corpo de intervenção da polícia para serenar os ânimos. Contudo, no flash-interview da RTP, atrasado largos minutos, tanto jogadores como treinadores disseram ora que nada se tinha passado ora que eram situações normais em jogos de futebol. Resumindo: ninguém viu nada, ninguém ouviu nada, não aconteceu nada.

Com tudo o que foi dito, a polícia acabou por ir ao túnel por “nada”. Ou se calhar porque estavam a dar amendoins aos pombos, como disse Pedro Sousa, jornalista da Rádio Renascença, no final da transmissão do jogo.

Standard Liège-Sp.Braga, 1-1: Agora sim, o xeque -mate!

Xeque-mate! O Sp.Braga está nos oitavos de final da Taça UEFA. O xeque já tinha sido dado na primeira eliminatória, em Portugal, com uma vitória por 3-0. De qualquer forma, existem eliminatórias viradas de um momento para o outro. Não aconteceu isso. Em Liège, a equipa de Jorge Jesus teve de fazer um jogo de sacrifício para segurar os ímpetos do Standard. Conseguiu-o, com sucesso.

Sabia-se de antemão que mesmo com a vantagem de três golos, o Sp.Braga não teria facilidade alguma. O apoio fanático, frenético dos adeptos belgas transformava o ambiente e deixava um jogo ainda mais complicado. A equipa de Jorge Jesus teve de sofrer quase até ao fim. O golo de Mbokani, aos 79 minutos, serviu para alimentar as esperanças do Standard. Mas já era tarde e a vantagem no jogo também durou pouco. Depois veio um golo fantástico de Luis Aguiar. Aí sim, a quatro minutos do final, acabaram as dúvidas que pudessem haver sobre a passagem do Sp.Braga. Aguiar ainda teve mais uma oportunidade para desempatar o jogo mas Espinoza foi enorme na defesa. Acabou empatado.

Antes disso, o Sp.Braga teve de passar por inúmeros obstáculos. O Standard entrou forte, cheio de ganas para chegar ao golo. De qualquer forma não durou muito pois a equipa arsenalista preencheu bem os espaços, juntou as linhas e uniu-se na defesa da baliza de Eduardo. Foi uma equipa personalizada, unida e, sobretudo, com grandes doses de sofrimento. Em termos atacantes não criou muitos lances de perigo, é verdade, mas o que interessava mesmo era não sofrer golos e segurar a vantagem trazida da primeira mão. Os belgas, por seu lado, usavam e abusavam do jogo directo; aí também foi importante o papel do guarda-redes Eduardo e o seu jogo fora da baliza assim como dos centrais Leone e Stélvio (esteve bem nessa nova posição). A primeira parte resumiu-se a isso, com imensas bolas bombeadas para a área sem que em nenhum caso tenha surgido um lance de golo iminente.

STANDARD CARREGA, BRAGA AGUENTA

Para a segunda parte, Laszlo Böloni decidiu mudar um pouco a estratégia e trocar o futebol directo por jogadas de velocidade, sobretudo, pelos flancos. E resultou, pelo menos aconteceram reais oportunidades de golo. Primeiro, aos 51, Mbokani servido por De Camargo não conseguiu acertar na baliza; oito minutos volvidos, foi a vez de Goreux acertar no poste; por fim, o mesmo Mbokani, novamente isolado por Camargo, voltou a perder uma grande oportunidade de golo depois de uma gaffe de Stélvio. Esta era a melhor fase do Standard que estava por cima. Respondeu o Sp.Braga por João Pereira, com um remate que embateu na barra da baliza dos belgas, num lance que serviu para a equipa portuguesa respirar um pouco e soltar-se da pressão. Estavam decorridos 69 minutos e um golo do Liège poderia ainda agitar a eliminatória.

Houve, então, mais uma oportunidade para o Standard. A quinze minutos do final, De Camargo surgiu isolado mas Eduardo foi melhor e manteve o nulo. Contudo, foi quatro minutos depois disso que surgiu o tal golo de Mbokani, o golo do Standard Liège. Insuficiente por tudo aquilo que já foi escrito. E também pelo golaço de Luis Aguiar. Ficou-se a rir o Sp.Braga. Agora segue-se o PSG.

Sporting-Bayern, 0-5: O sonho ficou desfeito


Pois, faltam as palavras. Este era à partida um jogo equilibrado, se bem que com um ligeiro favoritismo do Bayern. Os próprios treinadores assumiram-no, tal e qual. Mesmo assim, as expectativas eram elevadas, o público compareceu em Alvalade. Mas acabou por não ser nada disso. O Sporting foi melhor na primeira parte mas chegou ao intervalo a perder, devido à eficácia total dos alemães; no reatamento quando esteve perto de empatar, a equipa de Paulo Bento voltou a sofrer. Após o terceiro golo foi penoso ver o jogo do Sporting. A eliminatória, essa, está decidida!

Paulo Bento fez algumas alterações na equipa habitual: a defesa foi revolucionada e dos habituais titulares apenas Polga se manteve, entrando Caneira, Abel e Tonel para conferir mais experiência e mais centímetros; no meio-campo jogou Romagnoli na vez de Vukcevic. O Bayern, já se sabe, tem jogadores fulcrais como Ribéry, Luca Toni ou Klose, por exemplo. Mas não se pense que o jogo esteve sempre decidido, desde início. Pelo contrário, foi o Sporting quem mais perto esteve de marcar primeiro, aos 12 minutos, quando Polga apanhou a bola a jeito dentro da área e rematou para a baliza de Rensing. Tudo parecia indicar que seria golo. Não foi. Porque Philipp Lahm, qual milagreiro, cortou a bola sobre a linha. Respondeu dois minutos depois o Bayern de Munique, num lance em que Ribéry não conseguiu acertar na baliza de Tiago depois de Luca Toni ter ganho a bola nas alturas, no local onde é mais perigoso. Nesta fase estava melhor o Sporting que conseguia parar os movimentos de ataque do Bayern e impossibilitar que Luca Toni e Klose, os avançados, tivessem a bola no pé. Porém e, apesar de estarem melhor no jogo, não conseguiam criar grande perigo para a baliza de Rensing pois Oddo e Demichelis iam resolvendo os problemas que a equipa do Sporting colocava.

Marcou o Bayern, aos 42 minutos. Por Ribéry, depois de um erro enorme de Derlei e, também, de uma hesitação entre Caneira e Tonel. Uma remate e um golo; eficácia total. Num jogo onde a equipa portuguesa estava a ser melhor. Mas já se sabe o quão frios são estes alemães que assim foram para o intervalo em vantagem. Contudo, essa frieza foi ainda mais visível aos 57 minutos, altura em que Miroslav Klose fez o segundo para o Bayern. Em posição de fora-de-jogo e sem merecer, diga-se. Até porque três minutos antes disso o Sporting dispôs de uma oportunidade soberana para empatar, não fosse Abel ter sido egoísta ao preferir o remate quando tinha Moutinho, isolado, na marca de penalty.

UM AUTÊNTICO PASSEIO ALEMÃO

Paulo Bento tinha então de fazer alguma coisa e decidiu trocar Izmailov e Abel por Vukcevic e Pereirinha. A ideia era dar mais profundidade ao jogo ofensivo e tentar chegar-se à baliza de Rensing mas saiu precisamente o contrário. Foi por essa altura, aos 63 minutos, que Rochemback varreu Lahm dentro da área; penalty que Ribéry converteu com categoria, 3-0. E o Sporting acabou aqui. Não mais incomodou Rensing e teve imensas dificuldades para ultrapassar o meio-campo até. O Bayern galvanizou-se e deu um autêntico amasso. Como mudou o jogo da primeira para a segunda parte. O terceiro golo foi a pedra de toque.

Chegou a ser penoso ver o Sporting da segunda parte, sem chama, sem querer, sem nada, era uma autêntica anarquia. Os erros sucediam-se em catadupa, as oportunidades do Bayern de Munique também; já dava para tudo. Aos 84 minutos marcou Luca Toni, o quarto. O outro, o último, aconteceu já para lá dos 90 minutos. Foram cinco, no final. Uma goleada das antigas que há muito não se via na Liga dos Campeões, principalmente nesta fase. Bem feitas as contas durou até ao primeiro golo o sonho do Sporting. A segunda mão em Munique será apenas uma mera formalidade do calendário.

Atlético Madrid-FC Porto, 2-2: Soube a pouco!

Teoricamente pode dizer-se que foi um bom resultado. Porém, na prática soube a pouco. O FC Porto foi sempre a melhor equipa e demonstrou que tem todas as condições para chegar aos quartos de final; o Atlético conseguiu dois golos sem que tenha feito grande coisa para isso e acumulou erros atrás de erros, principalmente no sector defensivo. A eliminatória podia ter ficado já arrumada mas os portistas desperdiçaram muitas oportunidades. Assim, fica o suspense até ao jogo do Dragão.

Surgiu ainda antes do início do jogo, no aquecimento, a primeira adversidade do FC Porto, com a lesão de Fucile, substituído por Sapunaru no onze titular. Foi então com o romeno no lado direito da defesa que os portistas entrararm num Vicente Calderón efervescente. E podiam ter entrado a ganhar, literalmente. Apenas dois minutos estavam jogados quando Hulk ensaiou o primeiro rasgão pela direita, passou por Antonio Lopez e cruzou para Rodríguez que, só com o guarda-redes Leo Franco pela frente, não conseguiu marcar. Respondeu o Atlético. Com um golo. Agüero entrou no meio-campo do FC Porto, levantou a cabeça e inventou uma linha de passe para Maxi Rodríguez, mesmo ali nas costas da defensiva azul. O capitão dos colchoneros fez o resto e o Calderón transformou-se num autêntico vulcão em erupção.

A missão dos portistas parecia, agora, bem mais complicada. Puro engano, porque a partir da altura em que Lucho e Raul Meireles começaram a ajudar os laterais, o Atlético não mais criou perigo – tirando um bom remate de Diego Forlán, ao quarto de hora de jogo – pois tanto Maxi Rodríguez como Simão não tinham grande margem de progressão e os caminhos estavam bem tapados. Do outro lado, o FC Porto partiu para aquela que foi, talvez, a melhor exibição da época. Só com um problema, um problema grave: a finalização. Aos 18 minutos, Lisandro conseguiu marcar mas o lance foi anulado por fora-de-jogo (muito duvidoso!). Não contou à primeira, haveria de contar à segunda. Pablo Ibañez falhou o tempo de salto e deixou a bola à mercê de Lisandro, que com toda a calma do Mundo, empatou a partida. E repôs justiça no resultado.

UM GOLO CAÍDO DO CÉU AOS TRAMBOLHÕES

O FC Porto estava bem melhor. Dois minutos depois do golo do empate, aos 24′, Leo Franco com uma grande defesa impediu que os portistas passassem para a frente do marcador. Quatro minutos volvidos, Hulk apareceu nas costas da defesa do Atlético mas falhou no momento do remate permitindo mais uma defesa a Leo Franco, que juntamente com o desacerto dos dragões ia mantendo o empate. O jogo continuava na mesma toada, sempre com o FC Porto mais perigoso. Oportunidades havia de sobra mas falhava sempre o remate final, o momento de mandar a bola para dentro da baliza. Com tanto falhanço, reapareceu o Atlético. Já em período de descontos da primeira parte, Forlán rematou de fora da área e Helton deu um autêntico frango. A equipa de Abel Resino foi para o intervalo em vantagem. A diferença esteve na eficácia, pois.

A segunda parte começou, novamente, com o FC Porto quase a marcar. Por duas vezes, Lisandro foi o protagonista: logo nos primeiros minutos obrigou Leo Franco a uma defesa enorme; mais tarde, falhou, de forma incrível, o golo só com o guarda-redes pela frente. O Atlético, por sua vez, recorria a remates de longa distância (quem sabe devido ao golo) para assustar Helton. O jogo estava, agora, mais dividido a meio campo, menos intenso junto das balizas. E foi nessa altura que surgiu o golo do empate, o golo tão desejado. Cristian Rodríguez ganhou a bola, endossou-a a Cissokho que, com um cruzamento perfeito, permitiu a Lisandro encostar, finalmente, para o fundo da baliza de Leo Franco. Outra vez empatado.

O golo foi ouro sobre azul para os portistas. Com 2-2 no resultado, era o FC Porto quem mais tinha a ganhar. O Atlético não teve arte, engenho nem imaginação para responder e tentar voltar à vantagem; faltou-lhe garra, sobretudo. E concentração na defesa, onde acumulou erros atrás de erros. Os adeptos assobiavam, com razão. Entretanto surgiu mais um problema para Jesualdo Ferreira: Sapunaru lesionou-se, levando assim à entrada de Pedro Emanuel para o lado direito da defesa. Já se sabe que Emanuel não é propriamente um velocista e isso viu-se quando, a cinco minutos do fim, Forlán passou por si e só não fez estragos maiores porque Fernando, primeiro, e Rolando, depois, foram fundamentais. Aos 94 minutos, apitou Howard Webb para o fim do jogo. Com o 2-2 no resultado, que deixa o FC Porto com a chave da eliminatória na mão.

Incrível Hulk leva o Dragão

ANÁLISE JORNADA 19 – LIGA SAGRES


(Crónica Sporting-Benfica)

O FC Porto é mais líder. Tem agora quatro pontos de vantagem sobre os segundos classificados, Benfica e Sporting. Por duas razões: primeiro porque venceu o seu jogo, em Paços de Ferreira, e depois porque o Benfica não ganhou qualquer ponto no derby de Alvalade. Assim, o clássico do Dragão ganha ainda mais importância e servirá para perceber quem tem mesmo capacidade para ser campeão. E também no fundo da tabela houve mudanças…

Os portistas jogaram em Paços de Ferreira com a certeza de que só tinham a ganhar nesta jornada, pois os outros dois rivais, Benfica e Sporting, defrontavam-se entre si. O que significava, logp à partida, que em caso de vitória, o FC Porto aumentaria a sua vantagem para pelo menos um dos outros dois candidatos. Mas, primeiro que tudo, a equipa de Jesualdo Ferreira sabia que tinha a obrigação de triunfar na Mata Real, no encontro imediatamente anterior ao da Liga dos Campeões com o Atlético de Madrid. Por isso mesmo e também devido ao número de cartões amarelos, o treinador portista deixou Lucho e Rodríguez no banco; entraram Tomás Costa e Farías para os seus lugares e Lisandro recuou no terreno disfarçando-se de El Comandante. O FC Porto entrou forte e determinado em resolver o jogo cedo enquanto que o Paços falhava muitos passes e não conseguia sair em ataque organizado. O primeiro golo dos portistas surgiu cedo, aos 15 minutos: marcou Hulk depois de uma boa combinação entre Lisandro e Cissokho pela esquerda e contando ainda com um desvio no pé de Ricardo. Melhor era impossível. Até ao intervalo, o FC Porto mandou sempre no jogo e teve mais oportunidades para aumentar a vantagem. Porém, um remate de Rui Miguel à barra da baliza de Helton a que se seguiram mais duas boas jogadas da equipa do Paços deixaram os dragões em alerta. Mais alarmados ficaram na segunda parte, pois, logo a abrir, Ferreira esteve perto de empatar a partida. A equipa de Paulo Sérgio estava agora mais atrevida e o resultado parecia mesmo em perigo. Só que o FC Porto tem a vantagem de ter Hulk, que é um jogador decisivo. E foi-o mais uma vez. Aos 65 minutos, pegou na bola e caminhou em direcção à baliza de Coelho sendo derrubado por Ricardo e penalty. Na conversão, Bruno Alves fez o segundo, acabando, de vez, com as dúvidas existentes. Já em cima do final, aos 84 minutos, o Paços de Ferreira conseguiu marcar mas o lance foi anulado por Jorge Sousa. Um lance polémico pois não se percebeu muito bem se foi assinalado fora-de-jogo (não havia) ou mão de Carlos Carneiro no momento do golo. A ser mão, o lance foi bem anulado…

Quem também poderia ter aproveitado o derby para se juntar a Sporting e Benfica no segundo lugar era o Leixões. Porém, a equipa de José Mota não conseguiu vencer, em casa, o Belenenses; esteve mesmo em desvantagem mas um golo de José Manuel colocou alguma justiça no resultado pois, na segunda parte, apenas o Leixões teve intenção de ganhar a partida. Na luta pela UEFA, o Sp.Braga venceu a Naval, por 2-1, e quebrou a malapata de não conseguir ganhar depois de uma jornada europeia. Contudo, o golo da vitória surgiu já em período de descontos, marcado por João Pereira; bem antes disso, com o resultado em 0-0, Eduardo voltou a ser decisivo ao defender uma grande penalidade – já lá vão três!, o que só demonstra bem as dificuldades que a equipa de Jorge Jesus encontrou na Figueira da Foz. No lado oposto está o Vitória de Guimarães que foi derrotado, no D.Afonso Henriques, pelo Trofense (que assim saiu da zona de descida). O castelo está a saque e a Europa cada vez mais longe. Destaque para a vitória do Estrela da Amadora sobre o Nacional o que só prova que nem sempre o dinheiro é o mais importante no futebol, quando existem bons profissionais (como é o caso); para a segunda vitória consecutiva do Rio Ave, novamente com um golo de Yazalde, desta vez frente ao Vitória de Setúbal e, por fim, para o regresso da Académica às vitórias com um 3-1 frente ao Marítimo. Derrota que custou o cargo a Lori Sandri.

Depois do derby, o clássico do Dragão no próximo sábado, ganhou ainda mais motivos de interesse. As contas finais do campeonato poderão passar por aí.

Sporting-Benfica, 3-2: A vantagem de ter Liedson

Acabou o derby, o Sporting ganhou ao Benfica. Por 3-2 e sem espinhas. Para se perceberem bem as diferenças entre as duas equipas falemos de duas peças-chave do jogo: Liedson e David Luiz. O primeiro vestiu a capa de herói e destroçou o Benfica, demonstrando toda a sua categoria; o outro foi o vilão, o rosto do desnorte da defesa dos encarnados. Foi um jogo de opostos, por isso. E foi também um verdadeiro derby, intenso, vibrante e emotivo.


O Benfica apresentou exactamente a mesma equipa do clássico do Dragão com o FC Porto. Em relação ao passado jogo, ante o Paços de Ferreira, Quique fez regressar três dos habituais titulares: Suazo jogou na frente do ataque, Yebda voltou ao meio-campo e David Luiz na esquerda da defesa com Maxi Pereira – cumprira castigo na ronda anterior – na direita. Por outro lado, Paulo Bento teve também de mexer na equipa pois não pôde contar nem com Rui Patrício nem com Miguel Veloso, por lesão. Jogaram, por isso, Tiago e Grimi nos seus lugares. Contou com o regresso de Moutinho e optou por manter Pedro Silva na lateral direita em detrimento de Abel. Com tudo dito sobre as equipas, apitou Olegário Benquerença para o começo do derby.

Que começou praticamente com primeiro golo do Sporting. Canto de Vukcevic e Liedson, na quina da área, rematou para o ângulo da baliza de Moreira; para onde dorme a coruja. Um golão capaz de levantar qualquer estádio. O de Alvalade não foi excepção e foi à loucura com o golo do levezinho. Quique Flores vingou-se na cobertura do banco de suplentes. Mas estavam apenas jogados dez minutos. Depois disso, a jogada de maior perigo pertenceu ao Benfica quando um cabeceamento de Yebda levou a bola a bater no poste da baliza de Tiago. Dois minutos após esse lance, aos 24′, Paulo Bento trocou Hélder Postiga, lesionado, por Derlei – veremos já a importância da entrada do brasileiro. O jogo estava por esta altura mais dividido a meio-campo e sem grandes oportunidades. Chegou o minuto 35 e com ele o golo do Benfica. Polga derrubou Suazo dentro da área e penalty, pois. Reyes, frente a frente com Tiago, não tremeu e empatou a partida. Tudo de volta ao início. Daí até ao intervalo pouco mais houve, somente um lance em que os jogadores do Sporting pediram penalty por mão de Maxi. Esteve mal o árbitro ao mandar jogar porque existiu mesmo falta. Terminou a primeira etapa e foram as equipas para o descanso.

O SENHOR LEÃO QUE NÃO DEU HIPÓTESES

O intervalo fez bem ao Sporting que voltou a entrar bem. Primeiro, ameaçou num livre de Rochemback; depois marcou mesmo: passe sensacional de Polga a isolar Derlei nas costas da defesa do Benfica, que dormiu na parada, e o Ninja pleno de instinto voltou a desempatar o clássico. Dois minutos após o reatamento, apenas. O golo moralizou a equipa de Paulo Bento que partiu, então, para uma segunda parte avassaladora. Em relação ao Benfica estava desinspirado, sem ideias e sustentava-se, principalmente, em Yebda até porque Reyes e Aimar não conseguiam ter muitas vezes a bola no pé. O Sporting estava muito bem no jogo que podia ter ficado decidido aos 55 minutos quando Liedson e Derlei voltaram a destroçar a defesa do Benfica. Não ficou porque apareceu Sidnei, em cima da linha como salvador, a cortar a bola para fora.

Era tempo de Quique fazer alguma coisa perante a impotência da equipa em criar jogadas de perigo para a baliza de Tiago. O treinador do Benfica trocou, então, Yebda por Di María. A saída do francês acabou por se revelar fatal e ter efeitos contrários àqueles que Quique esperava: os encarnados perderam a referência do meio campo e o jogador mais capaz de criar desequilíbrios. As jogadas de ataque do Sporting sucediam-se e o terceiro golo adivinhava-se. Numa transição rápida, Vukcevic esteve perto de o conseguir mas o remate saiu um pouco ao lado. A primeira jogada de perigo do Benfica aconteceu aos 72 minutos, altura em que Di María tentou isolar Aimar; Tiago saiu rápido da baliza e anulou o lance. Bem mais perigoso, o Sporting procurava sempre mais, continuavam as barracadas da defesa do Benfica – David Luiz teve uma noite terrível – e Pereirinha, recém-entrado para o lugar de Vukcevic, atirou a bola à barra. O Sporting falhou muito no último toque, no momento de chutar para dentro da baliza.

Até que surgiu novo golo de Liedson, aos 81 minutos. Grande jogada de Pereirinha pela esquerda (uma autêntica via verde mas há que dizer que Reyes também não deu grande ajuda a David Luiz) e uma tolada para dentro da baliza. Mais um golaço. E agora, o derby estava decidido de vez. Em cima dos noventa, Cardozo ainda reduziu – bom golo também. Mas não havia volta a dar.

DESTAQUES

OLEGÁRIO BENQUERENÇA: Esteve bem ao assinalar penalty favorável ao Benfica quando Suazo foi derrubado por Polga. Contudo deixou outros dois por assinalar: logo aos 9 minutos quando Rochemback se empoleirou em Aimar e, já perto do intervalo, num lance em que Maxi Pereira interceptou um cruzamento com o braço. No final, Luisão deu uma chapada em Liedson que passou, também, em claro. Erros graves mas Olegário tem a atenuante de não ter sido um jogo nada fácil de dirigir.

PAULO BENTO: Montou bem a equipa e soube aproveitar as falhas da equipa do Benfica. O Sporting da segunda parte deu um autêntico recital de futebol. Mérito de Paulo Bento, claro.

QUIQUE FLORES: Não correu bem o derby ao Benfica. Começou a perder e não mais se encontrou. O golo de Reyes ainda deu alguma esperança mas esta não era a noite do Benfica. Nem de Quique que esteve mal na susbtituição de Yebda. Além disso não se percebe muito bem o porquê de preferir Suazo a Cardozo e também a opção por David Luiz que não é, nem de perto nem de longe, um lateral esquerdo.

MELHOR EM CAMPO: É de La Palice. Marcou dois grandes golos – o primeiro então, é uma obra de arte – e foi um problema constante para a defesa do Benfica. Tanta categoria. Liedson, pois.