As Crónicas do BB


O VERDADEIRO ESTADO DA NAÇÃO?


Respondo à pergunta dizendo que vai muito mal. Discursos agressivos, gestos insultuosos e sobretudo muita conversa mas pouca democracia, e o pior é que ainda não se foi a votos.

Não pense que estou a falar do debate de ontem no Parlamento, nem do gesto de Manuel Pinho, ou do pingue-pongue entre Sócrates e a oposição. Falo tão só das eleições do clube encarnado, o dos seis milhões, o clube mais democrático, segundo os próprios afirmam, e que está mergulhado no mais completo imbróglio jurídico de que há memória. Tudo começou com Luís Filipe Vieira e o seu conselheiro jurídico a vislumbrarem no horizonte um modo de afastar José Veiga da corrida ao poleiro da águia, demissão dos órgãos sociais do clube e antecipação das eleições em salvaguarda da tranquilidade da nação benfiquista. Se melhor o pensaram, melhor o fizeram, mas esqueceram-se de avisar Manuel Vilarinho para não explicar a estratégia subjacente à demissão em bloco: antecipar as eleições de Outubro para Julho e afastar José Veiga da corrida a um lugar nos órgãos sociais por não possuir cinco anos de filiação.


Ficava só na corrida um “garoto” (como lhe chama LFV), Bruno Carvalho, nortista, director de um canal televisivo chamado “Porto” Canal, e que na óptica dos comuns benfiquistas seria esmagado nas urnas (hoje isso vai acontecer). Não havendo cão há que caçar com gato e se os votos não são suficientes, há que avançar pela via jurídica e embaraçar o presidente da assembleia-geral, os dirigentes demissionários e que não se podem candidatar nos próximos anos e sobretudo lançar a indefinição no reino encarnado. No meio disto tudo ainda apareceu uma outra lista que queria José Eduardo Moniz na presidência, “Benfica, vencer, vencer”, mas que cedo chegou à conclusão que o sistema estava inquinado. Atenção para quem lê, que este sistema aqui falado não tem nada a ver com o outro, esse é que os benfiquistas querem ver erradicado há anos por ser corrupto e não seguir as mais sãs linhas da lisura de processos. Perceberam? É tudo na mesma linha do “olha para o que eu digo, não olhes para o que eu faço”.


Mas adiante que me perdi no raciocínio, saiu o Moniz da corrida eleitoral por considerar não estarem reunidas as condições e foi atacado por Luís Filipe Vieira com contundência, sem apelo nem agravo. Mas a primeira seta ao coração do director da TVI chegou pela mão da caneta de aluguer de LFV, que engendrou uma manobra de Filipes (espanhóis, pois claro) para derrubar o Filipe (lusitano e nosso) através de uma maquiavélica manobra de direitos televisivos e manobras palacianas. Confesso que depois de ler o articulista várias vezes, ainda não cheguei a apanhar o fio à meada, mas deve ser erro meu, pois o argumento parece-me finamente elaborado, mas com argumento muito delgado de conteúdo.

O busílis da questão é que, juridicamente, Luís Filipe Vieira não pode concorrer. A lista de Bruno Carvalho seria a única a ir a sufrágio, mas o presidente Manuel Vilarinho fez tábua rasa da decisão do tribunal e mantém a corrida eleitoral a dois.

Hoje sai fumo branco da chaminé encarnada, com a reeleição de Luís Filipe Vieira, e como sempre afirmei com esmagadora vantagem sobre a lista B, mas ficará para a história uma vitória de uma lista que se quer perpetuar no poder a todo o custo, que manchou a bandeira da democracia que sempre apregoou e diziam ser apanágio da nação encarnada, cavando um imbróglio jurídico que vai durar muito tempo e muita discussão, mas que acabará como se prevê: depois de estar no poder quem me vai tirar de lá?. Não era preciso tanto, mas o lugar é apetecível, como o afirma Rui Gomes da Silva ao dizer que o “presidente do Benfica é o quarto cargo da Nação”.

Espero que no acto eleitoral de hoje tudo corra bem, que não haja agressões ou insultos, mas por via das dúvidas o melhor é fazer como fez António Silva no famoso filme “canção de Lisboa” que depois da sua filha, Beatriz Costa, ter perdido a eleição para a costureira do bairro, lhe pegou na mão e arrastou-a da sala dizendo: “Vamos embora filha que isto é tudo uma grande aldrabice”.

BERNARDINO BARROS

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