Tour de France: O (pouco) que se jogou até agora

Nove etapas depois, muitos quilómetros já percorridos, o Tour de France tem a primeira pausa. Sem que algo de muito extraordinário se tenha passado até ao momento. Rinaldo Nocentini, ciclista da AG2R e desconhecido para a maioria do público, tem a camisola amarela. De forma inesperada, totalmente. Essa liderança resulta do cautelismo, expectativa e defesa que se tem visto. De forma exagerada, todos eles. Há Armstrong, Contador, Evans, Sastre, Menchov e os Schleck mas nenhum deles se parece querer assumir de vez. Pena para o espectáculo. Assim, a emoção e a incerteza perdurará até final. Literalmente, pois só no penúltimo dia a prova chega ao mítico Mont Ventoux.

Na primeira semana de Tour apenas existiram dois líderes: Fabian Cancellara, vencedor do contra-relógio individual do primeiro dia, e o tal Rinaldo Nocentini. Foi na chegada a Andorra, na sexta etapa, que houve essa mudança. E onde houve espectáculo, o ingrediente que os amantes do ciclismo sempre esperam. Porém, apenas dentro dos dois últimos quilómetros alguém teve coragem para abanar o ritmo da Astana que, como tem acontecido (quase) sempre, controlava a corrida a seu bel-prazer: foi Cadel Evans, segundo classificado do ano anterior, e honra lhe seja feita por isso. Ora, até isto pode parecer um paradoxo pois Evans é, tradicionalmente, um corredor expectante – embora já tenha sido bastante mais interventivo no Dauphiné Libéré.

Essa explosão de Evans não teve resultados para o australiano da Silence Lotto mas foi a pedra de toque para mudar as coisas: Alberto Contador tentou a sua sorte, escapando a todos na procura da camisola amarela. Não conseguiu mas pelo menos tentou. Ficou a seis segundos de Nocentini., ultrapassando Armstrong. Esta foi a etapa que mais espectacularidade trouxe e, por isso, tinha de ser colocada em destaque. Mas houve mais motivos de interesse. As etapas três e quatro, sobretudo: na primeira, inesperadamente, houve um corte no pelotão em que os líderes e candidatos ficaram para trás, à excepção de Armstrong que conseguiu saltar para terceiro da geral; depois, o contra-relógio por equipas que serviu para provar que a Astana, independentemente dos problemas internos, não tem paralelo.

A Astana e os seus problemas internos, falemos deles. A formação cazaque é, sem dúvida, a melhor equipa do Tour. No entanto, a verdadeira novela em torno de quem é o verdadeiro líder, se Contador se Armstrong, tem feito correr imensa tinta. Actualmente, cumprida a primeira semana, são segundo e terceiro da geral: o espanhol a seis segundos da amarela, o norte-americano a oito. Já foi o contrário e precisamente isso levantou polémica. A situação, já referida, da terceira etapa em que Contador ficou para trás provocou uma ira tremenda nos espanhóis que acusaram o director-desportivo, Johan Bruyneel, de beneficiar Armstrong. Bruyneel, categórico, respondeu: “O líder da Astana sou eu”.

Antes de voltar à estrada e deixar os bastidores, só falar dos controlos anti-doping a que Lance Armstrong tem sido sujeito: o número já passou os limites do razoável e o próprio ciclista confessou que já lhes perdeu a conta. Olhando agora para o que falta do Tour – a procissão ainda vai no adro, é verdade – é nítido que a colocação do Mont Ventoux no penúltimo dia tem retirado as hipóteses de os corredores atacarem. Preferem a expectativa, a defensiva porque essa etapa será decisiva e paira como um autêntico papão. Referência para os franceses: já venceram três etapas (Thomas Voekler e Pierrick Fedrigo da Bouygues Telecom; Brice Feillu da Agritubel) e, mesmo sendo italiano, Nocentini corre por uma equipa gaulesa. Para um país que procura há tanto tempo um ciclista forte para vencer o Tour, pas mal.

Acompanhamento dos melhores momentos do Tour’09

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2 thoughts on “Tour de France: O (pouco) que se jogou até agora

  1. os espanhóis são uns exagerados… é fácil de perceber que se o contador não aguentar e o armstrong der sinal positivo, não há razões para a equipa abandonar o armstrong só para ir ajudar o contador. o mesmo se fosse ao contrário.sempre foi assim em grandes equipas de ciclismo quando há mais que um ciclista favorito à vitória… com o desenrolar da prova é que se vê quem está melhor e quem será o líder quando o momento da verdade chegar.

  2. afectado,Concordo com isso mas não é fácil para um ciclista como Contador, o líder, ser ultrapassado por um tipo que esteve três anos sem competir. Mesmo que seja Lance Armstrong, heptavencedor do Tour.Em relação à imprensa espanhola, sabemos que são verdadeiramente fanáticos e parciais.

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