Os clubes e os jornalistas

Liberdade de expressão é um direito há muito consagrado para uma boa vivência em sociedade. Cada um, à sua maneira, pode ter a sua opinião sobre um determinado assunto. Em Portugal, é assim desde a queda da ditadura e o desaparecimento do célebre lápis azul. A comunicação social, seja televisões, rádios ou jornais, tem total direito de escrever sem receios. Seguindo um cógio próprio, cumprindo certas normas, mas fazendo-o de forma livre. No entanto, nem sempre é assim. Infelizmente.

O impedimento que uma equipa de reportagem da TVI foi alvo, hoje, no Estádio da Luz é simplesmente ridículo e um exemplo bem vivo de como a censura ainda exite. Não que seja algo sem precedentes, bem longe disso, até porque o Record, o Correio da Manhã e o 24 Horas também foram barrados. Ou convidados a sair, como é normal dizer-se. Um jornalista faz o seu trabalho, gostem os dirigentes ou não. Não se trata de um fait-diver ou um simples passatempo. Mas, atenção, acontece noutros clubes. Claro que não é exclusivo do Benfica.

Uma manchete que critique o treinador, uma análise séria que mostre um fracasso de um jogador que foi anunciado como craque ou uma notícia que o presidente não goste de ler são bons motivos para que se vejam esse tipo de situações. Apenas aqueles que não fazem uma única crítica são bem vistos e têm total acesso. Os adeptos aplaudem: afinal, os abutres, palavra que tão utilizada é, têm de ser eliminados. O profissionalismo do jornalista de nada conta porque ele é adepto do clube rival. É triste que assim se pense, de facto. E, feitas as contas, os clubes é que ficam minimizados.

Longe, bem longe, vai o tempo em que qualquer jogador falava com um jornalista ou estava próximo de qualquer câmara. Até no intervalo dos jogos isso acontecia. Agora não: a maioria dos jogadores não quer nada com jornalistas e aqueles que querem são impedidos pelos clubes com um blackout. Acontece mesmo nos clubes de menor dimensão, algo que pode parecer um paradoxo pois existem inúmeras queixas de falta de atenção. Não se percebe, por isso, o porquê de contar com directores de comunicação. Alguns deles ex-jornalistas que deviam ser os primeiros a saber comunicar com o exterior. Mesmo não parecendo, é essa a sua função.

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