Tour de France: O rescaldo com a contagem de Alberto

Vinte e uma etapas cumpridas, milhares de quilómetros percorridos, imenso esforço e, por fim, glória. A nonagésima edição do Tour de France chegou ontem ao fim. Com uma notícia esperada: a vitória de Alberto Contador. O ciclista espanhol mostrou ser o mais forte não dando, sequer, espaço para serem levantadas dúvidas. Aliás, apenas Andy Schleck mostrou verdadeiramente ter capacidade para lhe fazer frente. E Lance Armstrong, claro, que apesar da sua veterania fez uma prova extraordinária. Porém, estavam na mesma equipa e apenas um deles poderia ganhar: seria o mais forte. Seria Contador, então.

O real Tour de France 2009, o espectáculo que todos querem ver, só começou com a chegada aos Alpes. Até aí houve expectativa a mais. O ciclismo é uma demonstração de força, por excelência. No entanto, nos dias que correm, já não existem aqueles ataques espectaculares que deixavam tudo para trás e davam um avanço abissal para os concorrentes. Agora existe táctica, estratégia, jogo de bastidores. Por isso mesmo, as comunicações entre ciclistas e director-desportivo são totalmente indispensáveis. Esse foi um tema que também deu pano para mangas e até originou uma etapa de protesto devido à proibição da utilização dessa ferramenta.

A camisola amarela apenas teve três donos que podem muito bem representar três fases da corrida: Fabian Cancellara foi o primeiro, logo após ter sido um autêntico rocketman no contra-relógio inicial; Rinaldo Nocentini alcançou a liderança, de forma surpreendente, nos Pirinéus após a primeira etapa de montanha; e, finalmente, Alberto Contador que chegou à camisola mais cobiçada por todos no último dia da segunda semana. Logo aí, nessa etapa que terminou no Verbier, ficou bem claro que, muito dificilmente, o ciclista espanhol deixaria fugir a vitória final no Tour’09. Aliás, ficou a sensação de que seria capaz de fazer ainda melhor porque estava forte, melhor do que todos os outros.

Além disso, é preciso reconhecer o trabalho desenvolvido pela sua equipa, a Astana, embora tenham existido diversos problemas internos. Com o regresso de Lance Armstrong – já falaremos dele -, o estatuto de Contador ficou algo fragilizado. Colocaram-se questões sobre quem seria o líder: se o norte-americano, heptavencedor do Tour mas com três anos de ausência, se o espanhol, reconhecido por unanimidade como o melhor ciclista mundial. Depois havia ainda Levi Leipheimer e Andreas Klöden, corredores de grande qualidade que liderariam, de caras, qualquer equipa do pelotão. Não eram líderes mas também não eram homens para fazer o trabalho duro. Outsiders.

Foi precisamente por essa razão, por falta de operários e excesso de líderes, que Sérgio Paulinho foi sujeito a um desgaste muito grande. Contudo, também ele provou ser um ciclista de qualidade mundial, servindo de autêntico escudeiro de Alberto Contador. Acabou no trigésimo quinto lugar mas isso é o menos importante pois cumpriu, e bem!, o seu trabalho. A Astana foi, desde o primeiro dia, quem impôs o ritmo e controlou o pelotão. Pode parecer algo estranho porque, nessa altura, a liderança não lhes pertencia mas foi o que realmente aconteceu. Falamos de portugueses e, para além de Sérgio Paulinho, também Rui Costa (Caisse d’Epargne) participou neste Tour. Fez a sua estreia não conseguindo, porém, chegar a Paris devido a uma queda que lhe cortou o sonho. Demasiadamente cedo.

Voltemos aos candidatos na luta pela camisola amarela. Ou melhor, aos teóricos candidatos porque somente os manos Schleck, Andy e Frank, colocaram Contador em sobressalto. Carlos Sastre, vencedor da competição no ano anterior, mostrou não estar nas mesmas condições que o levaram à glória e não possuir uma equipa suficientemente forte – Cervélo – para competir com a Astana. O mesmo se pode aplicar a Cadel Evans, australiano da Silence-Lotto, ciclista que tem somado segundos lugares mas habituado a estar desapoiado. Deles pouco se viu – Sastre tentou no Ventoux, tarde. Denis Menchov poderia ser incluído no grupo, mas mostrou-se demasiado fatigado pela vitória no Giro de Itália.

Alberto Contador, Franco Pellizotti, Thor Hushovd, Andy Schleck e Astana. Foram estes os vencedores do Tour de France’09: geral individual, montanha, pontos, juventude e equipas. Ora, a camisola verde (a amarela dos sprinters) foi uma das grandes atracções da prova. Mark Cavendish, o Expresso da Ilha de Man, dominou todas as chegadas em pelotão compacto conseguindo seis vitórias. Deixou bem claro que não tem, nesse tipo de decisão, qualquer paralelo. Apenas por uma vez saiu derrotado: por Thor Hushovd. Ora, Cavendish seria o mais lógico vencedor do prémio por que correm todos os sprinters. No entanto, a camisola foi ganha pelo tal Hushovd, norueguês da Cervélo, que se fez valer da sua melhor condição na montanha.

Lance Armstrong, para terminar. Mesmo com trinta e sete anos de idade e três de ausência, o heptavencedor do Tour deu um sentido perfeito à máxima de que quem sabe nunca esquece. Acabou no terceiro lugar da geral. Confirmou-o na subida ao Mont Ventoux onde sofreu ataques de Frank Schleck, o único que poderia ambicionar retirá-lo do pódio, com enorme classe. Chegou em sexto na etapa e até aumentou a vantagem para o luxemburguês. No próximo ano voltará a marcar presença em França. Estará na Team RadioShack, uma equipa construída à sua volta e talvez dirigida por Bruyneel, como candidato assumido. Terá trinta e oito anos mas tentará a oitava vitória na prova. Contador terá lá o maior perigo, o ex-colega.

O FUTEBOLÊS acompanhou os melhores momentos do Tour’09

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