Liga Sagres: Tirar a barriga de misérias!

ANÁLISE

Até ao início do jogo Benfica-Vitória de Setúbal, hoje, tinham havido sete empates a zero. Em vinte e três jogos, sem dúvida que é um número exagerado. Tanta falta de golos. Afinal, qualquer jogador dá tudo para os marcar e é por isso que o futebol existe. No entanto, não há fome que não dê em fartura. Normalmente, é assim. Foi o que aconteceu no encerramento da terceira jornada: 8-1 (oito-a-um, à antiga!) aplicado pelo Benfica aos sadinos serviu para os adeptos de futebol tirarem a barriga de misérias. Portanto, foi a ronda com mais golos – mesmo tendo havido três nulos – onde os três grandes saíram vencedores. Na frente, continua o Sp.Braga. Mais uma vez.


Diabólica. Foi precisamente assim que Jorge Jesus definiu a exibição do Benfica ante o Vitória de Setúbal. Marcar cinco golos em pouco mais de meia-hora é, de facto, impressionante e mostra bem o caudal ofensivo de que os encarnados dispuseram. Chegou aos oito e, acima de tudo, poderiam ter sido mais. No entanto, é também exemplificativo de como os sadinos são frágeis. E sentem-se frágeis, sobretudo, o que poderá ser um reflexo dos atrasos que sofreram na pré-época e que impediram uma maior engrenagem. Em resumo: o Benfica mostrou-se fortíssimo, o Vitória não foi capaz de contrariar sequer essa tendência. Destaque para o hat-trick de Cardozo. E finalmente um de penalty, Óscar!

Confortável, sem brilhantismo, foi a vitória do FC Porto. Na Figueira da Foz, o local onde havia, já lá vão mais de trezentos dias!, sofrido a última derrota para o campeonato nacional. Desta vez, foi bem diferente e a equipa de Jesualdo Ferreira ganhou bem. O excelente princípio, com o golo de Falcao (o terceiro noutros tantos jogos) ao oitavo minuto, não deu tempo para que os fantasmas da última época entrassem em cena. No entanto, à passagem dos primeiros vinte minutos, o dragão adormeceu: acomodou-se sobre o resultado, deu a iniciativa à Naval, ficou expectante. Os figueirenses perderam os receios e procuraram o golo da igualdade. Estiveram, até ao intervalo, mais perto da área de Helton do que o FC Porto da de Peiser. Outro bom início, novo golo. De Varela. A menos de vinte minutos do final, Rolando, num auto-golo, devolveu alguma emoção ao jogo. Por pouco. Na jogada seguinte, Farías fechou uma vitória justa para o FC Porto.

Crucial. Era assim o jogo do Sporting frente à Académica, em Coimbra. Ainda à procura da primeira vitória nos sete jogos oficiais realizados, Paulo Bento sabia bem da importância que esta partida tinha para a sua equipa. Não que a partir daí ficasse tudo bem, óbvio, mas uma derrota seria igual a um péssimo arranque na luta pelo título. O jogo não foi bom: muitos passes errados, poucas ocasiões e jogo muito centrado sem que fosse possível haver rasgos nas defesas contrárias. O Sporting, porém, foi sempre mais incisivo junto da baliza de Ricardo. Apenas Yannick Djaló conseguiu algumas jogadas de bom nível. Já na segunda parte, apareceu o primeiro golo. Liedson, agora já português e também ainda à espera de marcar nesta época, desviou, com classe, um excelente cruzamento de Vukcevic. Yannick, coroando uma boa exibição, fez o segundo golo da vitória. Justa e importante.

O Sp.Braga começou a época a meio-gás e sendo afastada da Liga Europa mas continua totalmente vitoriosa neste arranque da Liga Sagres. Depois de vencer a Académica e o Sporting, os bracarenses bateram o Belenenses num jogo em que Hugo Viana (autor de dois golos) esteve em destaque. Marítimo e Rio Ave, apesar de empatarem com União de Leiria e Leixões, respectivamente, somam cinco pontos e têm começado bem. A equipa de José Mota, sensação da época anterior, e o Nacional (empate com o Olhanense) ainda não conseguiram vencer e contam com dois empates, algo partilhado pelo Vitória de Guimarães que terminou com um nulo o seu jogo em Paços de Ferreira. Olhanense, Paços e Leiria contam com três empates. Na cauda, com apenas um ponto, Naval, Académica e Vitória de Setúbal.

Um teste às ideias

Evidentemente que nos outros países também há as equipas grandes e aquelas que lutam pela sobrevivência. Claro, mas a maioria desses clubes com menos argumentos discute taco-a-taco com os potenciais favoritos. Em Portugal, sabemos, não é assim. Ok, eu entendo, cada um faz o que acha necessário para garantir os seus objectivos. No entanto, aparecem os tais estádios vazios e um desinteresse cada vez maior pelo futebol, tal como nenhum apreciador de teatro, por mais que goste de uma companhia, assiste a um espectáculo que lhe provoque enormes bocejos.

Para começar, leitor, deixo-lhe este excerto que aqui escrevi ontem. Faço-o porque o jogo entre Benfica e Vitória de Setúbal está a ser um verdadeiro teste à coerência as ideias tidas pelos adeptos que defendem o futebol espectáculo em vez da colocação de onze jogadores na área tentando jogar para o pontinho. Claro que me incluo nesse grupo, percebe-se pelo texto acima. Os factos: hoje, na Luz, ao intervalo, o Benfica vence o Vitória de Setúbal por cinco-a-zero! São números impressionantes que mostram um verdadeiro massacre aplicado peos encarnados a uma equipa do Vitória muito frágil e sem qualquer argumento para fazer frente.

Carlos Azenha, o treinador dos sadinos, tinha dito na véspera que não iria fazer antijogo nem colocar toda a equipa a defender. Pelo contrário, procuraria sempre a vitória. É um pensamento positivo para um jogo pois ficamos com a certeza de que haverão duas equipas na procura dos três pontos e sem um acampamento de jogadores na área. O resultado, porém, poderá ser uma goleada das antigas como a que o Benfica aplica neste momento. Os adeptos sadinos estarão, por esta hora, desejosos que o jogo termine e pensando por que razão não terá Azenha colocado o autocarro em frente à baliza.

Há sempre duas formas de ver as coisas. Aqui, colocando-me na pele do apaixonado de futebol, fico satisfeito porque assim o futebol tem mais encanto e há gosto para ir ver um jogo sem que seja uma autêntica pasmaceira. No entanto, para um apoiante de qualquer clube menor como o Vitória, fica uma derrota pesadíssima e, caso conseguissem pontos, seria preferível defender os noventa minutos e fazer antijogo para impedir a outra equipa de ganhar. Tenho sido crítico desta forma de jogar. Contudo, depois deste jogo, admito que entendo perfeitamente quem o faz. Dá que pensar, leitor.

A visão dos adeptos – Benfica

A pré-época deixou água na boca. O Benfica jogou, ganhou troféus e, acima de tudo, mostrou alma e querer dentro do relvado. O trabalho de Jorge Jesus, até ao momento, tem deixado os adeptos encarnados esperançados na conquista do título que lhes foge desde 2005. Depois dos fracassos nas épocas anteriores, será agora que a águia voltará a impor-se? No último Visão dos Adeptos, José Fonseca, administrador do blogue Eterno Benfica, dá a sua opinião.

“O BENFICA TEM QUE GANHAR”

FUTEBOLÊS: O que espera do Benfica nesta temporada?
JOSÉ FONSECA: O Benfica reforçou-se bastante bem para a nova temporada. Não só a nível de jogadores mas também de corpo técnico, sem esquecer a nova Direcção que tomou posse. No entanto, penso que a minha opinião é relativamente parecida com a da maioria dos benfiquistas: este ano, o Benfica tem obrigatoriamente de ganhar. Nos últimos quinze anos, o clube ganhou apenas um campeonato, duas Taças de Portugal, uma Supertaça e uma Taça da Liga. É manifestamente pouco. Muito insuficiente para as ambições dos adeptos e para a dimensão do clube. No entanto é preciso entender o porquê deste jejum de títulos. O clube mergulhou numa crise profunda por culpa de más gestões sucessivas, nomeadamente as de Manuel Damásio e João Vale e Azevedo, sendo que começou a tentar recuperar com a eleição de Manuel Vilarinho, no ano 2000. A verdade é que o trabalho feito nos últimos dez anos, a nível de recuperação do clube em termos económico-financeiros e também de infraestruturas (estádio, pavilhões, centro de estágios, piscinas…) foi notável. No entanto, essa recuperação está a chegar ao fim. As bases foram lançadas, agora é altura de ganhar. E é precisamente isso que espero para esta temporada. Sem desculpas, quero que o Benfica vença. Concluíram-se dez anos de trabalho intenso para reabilitar o clube. Mas há que passar para o nível seguinte: ganhar. Com os sucessivos investimentos (a um ritmo de 30 milhões de euros gastos por época), é preciso ganhar. Temos equipa, adeptos e estruturas que são inigualáveis em Portugal, por isso, a minha exigência é a vitória.

F: Que análise faz do plantel?
JF: O Benfica, como vem sendo apanágio das últimas épocas voltou a reforçar-se. Bem em alguns sectores, mal noutros. Vejamos: na posição de guarda-redes, não temos nenhum elemento de classe mundial desde a saída de Michel Preud’homme. Temos sim dois guarda-redes internacionais que dão garantias e que têm créditos firmados no futebol português. Para consumo interno basta perfeitamente, até porque não existe em Portugal nenhum guarda-redes verdadeiramente de classe mundial. Existem muitos guarda-redes bons (Eduardo, Rui Patrício, Nilson, Helton, Beto), mas nenhum deles é sinónimo de vitória. Os nossos guarda-redes (incluíndo Júlio César, que acho que não vai ser muito utilizado), são suficientemente bons. Não acho que seja necessário contratar mais um guarda-redes.
Na posição de defesa-central, nada a apontar. Quatro valores seguros (Luisão, Sidnei, David Luiz e Miguel Vítor) e ainda a esperança Roderick Miranda. Acho que mesmo que se o Benfica vendesse Luisão não necessitava de contratar ninguém. Temos cobertura. Para defesa-direito há Maxi Pereira. Só. Luís Filipe é um jogador relativamente fraco, mas que nós, adeptos, nunca apoiámos verdadeiramente. Não creio que sirva como alternativa para suplente. Patric é ainda muito jovem para jogar naquela posição, sendo que o seu empréstimo ao Cruzeiro talvez tenha sido uma boa aposta, dada a dificuldade em impor-se como titular na Liga. Depois há Miguel Vítor e Rúben Amorim que podem, eventualmente, ser situações de recurso para aquele lugar. Prefiro que jogue Miguel Vítor em vez de Amorim. Para defesa-esquerdo temos Shaffer e César Peixoto. Shaffer é um típico lateral sul-americano: rápido, gosta de subir e cruzar a bola, mas tem de aprender a defender, especialmente porque o Benfica vai defrontar equipas que jogam em contra-ataque. Não pode deixar “buracos na defesa”. Peixoto é diferente, o oposto de Shaffer, talvez mais parecido com Jorge Ribeiro.
No meio-campo há dois jogadores para cada lugar, o que é bastante positivo. O treinador pode alternar entre um ou outro jogador para cada lugar do meio-campo sem nunca perder grande qualidade. Outro dos factores importantes é que cada jogador no meio-campo do Benfica possui características muito próprias. Por exemplo, Javi Garcia e Yebda são da mesma posição, mas completamente diferentes um do outro, assim como Carlos Martins e Ramires. Na polivalência de alguns médios e também nas diferentes características que se adaptam a diferentes jogos, o Benfica encontra sempre soluções para este sector-chave do jogo.
O ataque é o sector mais forte do Benfica: Cardozo, Saviola, Nuno Gomes, Keirrison, Weldon, Mantorras e Urreta são sinónimos de golo. Destes sete jogadores que mencionei, penso que os cinco primeiros têm condições para serem apostas regulares do treinador. É a primeira vez em muitos anos que vejo o Benfica com tantas soluções diferentes para o ataque. Houve épocas em que tínhamos apenas Nuno Gomes, Miccoli, Mantorras e Kikin, por exemplo. Hoje há mais e melhor. Concluindo, é um plantel extenso, mas que vai lutar pelo campeonato, tendo obrigação de fazer boa figura tanto nas Taças de Portugal e da Liga como nas provas europeias. Tenho pena que o plantel do Benfica tenha poucos portugueses. São os únicos (salvo raras excepções, como Luisão) que realmente entendem o que é a mística. Sabe quantos portugueses tinha o Benfica no seu onze-base quando foi campeão pela última vez? Oito! Dá que pensar…

F: O que lhe tem parecido este início de época?
JF: Tem sido um início de época normal. Muita euforia em torno do novo plantel, do novo treinador e ambições altas por parte de todos os adeptos. É sempre assim todos os anos. Mas que há progressos e melhorias em relação a épocas transactas, efectivamente há. O Benfica está mais forte, mas só lá para Novembro é que se começa a definir quem tem pernas e quem não tem para aguentar os dez meses de competição.

F: Será este o ano para o Benfica se voltar a impor em Portugal?
JF: O Benfica é o maior clube português. No presente, o que falta são os títulos e penso ser esse o foco da pergunta que faz. No entanto, o que é que significa “voltar a impor-se em Portugal”? Ganhar o campeonato? Espero que assim seja. Mas a verdadeira grandeza do Benfica, especialmente nestes anos de jejum de títulos, tem-se manifestado vezes sem conta. Mesmo não ganhando, continua a ser o maior, o mais popular, e o alvo a abater. Haverá maior grandeza que esta? Para mim, o Benfica tem de ganhar para cimentar a sua grandeza. Mas creio que a expressão “voltar a impor-se em Portugal” é um pouco desnecessária. O Benfica é o maior. Os nossos títulos não têm o cunho da corrupção ou da dúvida. O que conquistámos foi por mérito próprio. É essa a grandeza.

F: De que forma serve o blogue Eterno Benfica para apoiar o clube?
JF: Apesar de não ser um dos fundadores do blogue, penso que o Eterno Benfica deve ser um ponto de debate e crítica positiva do clube e do futebol português em geral. Não nos interessa a maledicência. Importamo-nos sim com a crítica construtiva, com o que achamos que podemos dar, pelas nossas ideias, ao clube. Somos tão só adeptos como quaisquer outros, com ideias como quaisquer outros. Nos bons e nos maus momentos do clube, lá estaremos. Porque vivemos o Benfica.

A normalidade nacional

Aproveito o intervalo do Académica-Sporting para mais uma constatação. Óbvia, sim, mas cada vez mais actual e importante: o campeonato português tem, a cada ano passado, perdido qualidade e interesse. Nesta primeira fase da nova época, é nítido que as equipas apenas se preocupam pelo pontinho. Podem dar um espectáculo quase deprimente para o público, mostrar um péssimo futebol mas, se conseguirem um empate, todos ficam contentes da vida. É esta a mentalidade que está instalada. Ou melhor: enraízada. Como é possível, depois, pedir que os adeptos encham os estádios?

Não é, leitor. Apenas alguém muito egoísta, que apenas se preocupe consigo e com os seus e não dê importância aos adeptos, o poderá fazer. Hoje em dia, em cada fim-de-semana, temos as grelhas dos canais de desporto com jogos de futebol internacional. De Inglaterra, Espanha e Itália. Dos melhores campeonatos do Mundo, por outros termos. Ainda ontem, em simultâneo, houve o Paços de Ferreira-Vitória de Guimarães e, noutro canal, a estreia de Cristiano Ronaldo em Madrid. Um consumidor de futebol que goste de bons espectáculos e não seja adepto de nenhum desses clubes nacionais, que jogo escolheria à partida? O do campeonato espanhol. Parece-me óbvio.

Evidentemente que nos outros países também há as equipas grandes e aquelas que lutam pela sobrevivência. Claro, mas a maioria desses clubes com menos argumentos discute taco-a-taco com os potenciais favoritos. Em Portugal, sabemos, não é assim. Ok, eu entendo, cada um faz o que acha necessário para garantir os seus objectivos. No entanto, aparecem os tais estádios vazios e um desinteresse cada vez maior pelo futebol, tal como nenhum apreciador de teatro, por mais que goste de uma companhia, assiste a um espectáculo que lhe provoque enormes bocejos. Seria bem diferente caso seguissem os exemplos estrangeiros. Ah, o jogo de Coimbra: 0-0 ao intervalo, mau futebol. Tudo na normalidade, portanto…

Unidos pela bola

José Bento Pessoa, Figueira da Foz. O FC Porto regressou ao local onde havia sofrido a última derrota para o campeonato. Aconteceu, na época passada, no dia 1 de Novembro. Nessa altura, foi a terceira seguida depois de desaires caseiros com o Leixões e o Dínamo de Kiev. De lá para cá, passaram qualquer coisa como trezentos dias. Ganhando – na maioria das vezes – ou empatando, a equipa de Jesualdo Ferreira não mais averbou uma derrota. No regresso, venceu. Por 3-1. Com justiça, sem espaço a fantasmas tão pouco.

Giuseppe Meazza, Milão. O tetracampeão Inter começou a Serie A com um empate, em casa, frente ao recém-promovido Bari. Na segunda jornada, derby que escalda: Milan-Inter, em San Siro, no estádio que serve de a ambos. Galliani e Berlusconi, altas figuras dos rossoneri, aproveitaram a vitória com o Siena para alimentarem o ego e picarem José Mourinho. A resposta, essa, foi dada no relvado, com uma vitória esmagadora – por quatro golos – do Internazionale. Exibição de gala, deixando à mostra muitas fragilidades do Milan. Querem mesmo fazer mind-games com ele?

Santiago Bernabéu, Madrid. Estádio repleto para a estreia oficial da segunda equipa de estrelas construída por Florentino Pérez. O segundo Florenteam. Ronaldo (marcou hoje, de penalty), Kaká e Benzema são motivos de sobra para levar qualquer espectador a assistir um jogo de futebol. No entanto, neste Real Madrid-Deportivo Corunha, não houve o show de primeira classe pretendida pelos merengues. Seria impossível, neste momento. A equipa ganhou, sim, mas demonstrou ainda falta de um fio condutor do jogo e, acima de tudo, imensas debilidades defensivas. Manuel Pellegrini tem muito trabalho pela frente até encontrar uma verdadeira equipa. Até lá, seja como for, tem individualidades de sobra para resolver. Que luxo!

Angulo e Filipe Menezes. Pouco devem ter em comum. Liga-os o facto de jogarem futebol e, agora, entrarem para clubes portugueses. O primeiro, estava há longos anos no Valencia, é um experimentadíssimo futebolista e foi confirmado como reforço do Sporting após a saída de Rochemback. Um jogador de qualidade, é certo, mas já veterano (trinta e dois anos cumpridos). Menezes é, pelo contrário, um jovem de vinte e um anos de idade. Foi uma das grandes revelações do último campeonato brasileiro e, agora, o Benfica apresentou-o como o décimo reforço para esta época. A ver vamos o que dão. Ambos.

Um olhar pela Europa

Olhando para maiores campeonatos europeus, ressaltam inúmeros pontos de interrogação. Em forma de nuvem, grandíssimos todos eles. A primeira, decerto a maior de todas, em Espanha: como correrá a época ao Real Madrid, transformado por Florentino Pérez numa galáxia de imensas estrelas? Seria, há algum tempo atrás, inimaginável juntar jogadores como Cristiano Ronaldo, Kaká, Benzema ou Raúl – apenas para citar alguns. Uma autêntica equipa de sonho que Manuel Pellegrini, treinador chileno, tem à disposição. No entanto, e Perez sabe-o melhor do que ninguém, não chega ter bons jogadores: é necessário colocá-los no mesmo barco, remando para o mesmo lado.

Além disso, há o super-Barcelona. Ora este é, de longe, o maior obstáculo para o sucesso do Real. A equipa de Pep Guardiola, depois de ter conquistado o triplete (Liga espanhola, Taça do Rei e Liga dos Campeões) na época passada, tentará revalidar todos esses títulos. Para isso, conta com Messi, Xavi e Ibrahimovic. Exactamente, Ibracadabra chegou a Camp Nou por troca com Samuel Eto’o. Temos aqui uma nova questão: quem ficará a ganhar? O Inter agora com o camaronês que Guardiola dispensou ou o Barcelona contando com um dos mais letais avançados do Mundo? Bem, só o tempo permitirá descobrir a resposta para cada um dos enigmas.

Saída de Espanha, entrada em Itália. O Inter, equipa de José Mourinho e agora já sem Figo mas de novo com Quaresma, procurará alcançar nesta temporada o pentacampeonato italiano. A acontecer, será algo inédito. Sem terem sido brilhantes no ano transacto, os nerazzuri conquistararam o título sem grandes complicações. No entanto, perderam agora o sueco Ibrahimovich que muitas vezes foi um verdadeiro salvador e, acima de tudo, os rivais estão melhores. Ambos trocaram de treinador: Leonardo, ex-internacional brasileiro, substituiu Ancelotti no Milan, ao passo que Ciro Ferrara, outro excelente jogador em tempos, entrou para o comando da Juventus. O Inter parte como favorito, ainda assim. Mourinho, encontrando inimigos a cada semana que passa, tentará também atacar forte na Europa.

Há, em Inglaterra, uma outra dúvida. Gigantesca. O Manchester United, após três anos de absoluto domínio, perdeu Ronaldo para o Real Madrid. Longe de ser a única, sim, mas era a estrela maior da equipa de sir Alex Ferguson. Como será agora? O técnico escocês não viu motivos para preocupações acentuadas. Percebe-se porque continua a contar com jogadores da classe de Rooney, Berbatov e Giggs. Chegou também, surpreendentemente, Michael Owen. E renasceu Nani, o português que poucas oportunidades tivera, que parece querer assumir-se como um bom substituto para Cristiano Ronaldo.

O Chelsea, treinado agora por Ancelotti, tem feito um início de época implacável com Drogba, Anelka e Ballack como figuras de proa. Red devils e blues serão, quase de certeza, os dois grandes rivais na luta pelo trono inglês. Também o Arsenal, mesmo com toda a sua juventude, tem começado de forma auspiciosa e dado óptimas indicações a Arsène Wenger – no entanto, será difícil ser campeão. Diferente é o caso do Liverpool. Mesmo com Torres e Kuyt mortíferos no ataque, perdeu Xabi Alonso para o Madrid e não tem começado da melhor forma. Outra questão, por fim: não terá acabado a margem de erro de Rafa Benítez em Anfield? Teremos respostas. Não para já.

Benfica e Sporting favoritos; Nacional complicado

Ao primeiro olhar, o sorteio da Liga Europa até foi bom para Benfica e Sporting. No entanto, se analisarmos de forma mais aprofundada, e mesmo sendo os principais favoritos, nenhum deles pode encarar esta fase de grupos como sendo fácil de ultrapassar. Os encarnados defrontarão o Everton, o AEK Atenas e o BATE Borisov. A equipa inglesa, comandada por David Moyes, é o opositor mais forte e nem o mau arranque na Premier League – duas derrotas noutros tantos jogos – simplifica a tarefa do Benfica. Seguem-se o AEK, onde joga o português Geraldo Alves, e o BATE Borisov, que na temporada passada esteve na Champions, equipas que procurarão baralhar as contas do apuramento, servindo-se sobretudo, do ambiente efusivo que têm nos jogos em casa.

Heerenveen, Hertha de Berlim e Ventspils são os opositores que o Sporting terá pela frente. Tal como aconteceu com o Benfica – ambos estavam inseridos no primeiro pote, aquele que teoricamente teria as melhores equipas -, os leões são favoritos à passagem mas não poderão dar já a vitória como um dado adquirido. Os alemães do Hertha, adversários do Benfica de Quique Flores na época anterior, causarão, à partida, os maiores problemas que a equipa de Paulo Bento enfrentará. O Heerenveen (bem conhecido dos portugueses pois foi, em 2006-07 e 2008-09, adversário do Vitória de Setúbal e, em 2008-09, defrontou o Sp.Braga na então Taça UEFA) será o outsider do grupo. Do último pote saiu o Ventspils, equipa campeã da Letónia e onde alinha o português João Martins, que será, em teoria, a formação com menos probabilidades de seguir em frente.

O Nacional, por fim. Sem as regalias das outras equipas nacionais (cabeças-de-série), os insulares sabiam que dificilmente ficariam num grupo acessível. Aliás, seria mesmo impossível. Werder Bremen, Athletic Bilbao e Áustria de Viena calharam, em sorte, à equipa de Manuel Machado. Os alemães do Bremen (equipa de Hugo Almeida) e os espanhóis Bilbao são, sem grande contestação, as equipas que reúnem maiores capacidades para avançar para os dessazeis-avos de final da Liga Europa. O Áustria e o Nacional terão pouca ou nenhuma pressão para passar à próxima fase. Sobretudo a equipa portuguesa pois já conseguiu o objectivo de estar nos grupos. No entanto, após ter derrotado o todo-poderoso Zenit, deixará os adversários com algumas cautelas. E além disso jogar na Choupana será, para todos eles, bem complicado…

Veja os grupos completos (clique para aumentar):