Supertaça: Dragão carrega na tecla e tem o brinde

É incontornável que, para escrever esta crónica, não se refira o lance do primeiro golo do FC Porto. Aconteceu aos cinquenta e oito minutos. Até aí, o Paços de Ferreira bateu-se bem. Esteve mesmo por cima em alguns momentos. Num lance perfeitamente controlado, Cássio, o guarda-redes pacense, perdeu tempo e deixou que Farías o pressionasse. Depois, tentou-o fintar. Erro, duplo erro. O argentino tirou-lhe a bola e enviou-a para o fundo da baliza deserta. Para o FC Porto, foi a tecla certa. Para o Paços, um hara-kiri que custou caro.

Jesualdo Ferreira teve direito a estar na Supertaça Cândido de Oliveira após ter levado o FC Porto à conquista do segundo tetracampeonato do seu historial. Pela terceira vez, embora nas outras anteriores tenha saído sempre derrotado pelo Sporting. Paulo Sérgio, um treinador jovem que já mostrou ter valor, teve o ponto alto ao conseguiu levar o Paços de Ferreira à final da Taça de Portugal. Ambos não deixaram surpresas de última hora. O FC Porto incluiu três reforços no onze titular – Belluschi, Varela e Álvaro Pereira -, jogando com Hulk no centro do ataque, auxiliado por Mariano e Varela. O Paços, por sua vez, entrou com os mesmos que defrontaram o Bnei Yehuda, na quinta-feira, apenas trocando Leandrinho por Ricardo.

Foi precisamente a equipa de Paços de Ferreira que começou melhor. Mostrou-se destemida e, tal como Paulo Sérgio havia anunciado, tentada a discutir a partida sem estar demasiado agarrada à sua zona defensiva. É justo dizer que, até serem dobrados os primeiros vinte minutos de jogo, foram os pacenses a estar mais incisivos no ataque. Jogando, sobretudo, pelo lado esquerdo e servindo-se de Cristiano, sem dúvida a estrela da companhia, bem apoiado por Baiano e Romeu Torres. Precisamente dos pés do brasileiro surgiram as primeiras ocasiões de golo: aos três minutos, um remate de longe obrigou Helton a uma defesa apertada e, cinco minutos volvidos, foi novamente o guarda-redes portista a atirar para canto as pretensões de Cristiano.

A AZELHICE DE CÁSSIO

Foi, então, aos vinte e um minutos que, pela primeira vez, o FC Porto esteve perto de marcar. A jogada, claro, nasceu do supeito do costume: Hulk. Jogando pela ala esquerda, onde é bem mais produtivo, imprimiu velocidade e ofereceu o golo a Belluschi que, porém, viria a perder tempo precioso permitindo uma boa defesa a Cássio. Este lance foi, muito possivelmente, a pedra de toque para mudar o rumo dos acontecimentos. A equipa portista conseguiu assentar o seu jogo e ficou por cima do Paços, mesmo sem criar perigo constante para a baliza contrária. Chegou o intervalo com um empate justo.

Na vinda dos balneários, Jesualdo Ferreira promoveu uma alteração: trocou Fernando Belluschi por Ernesto Farías – veremos já a importância desta troca. No entanto, voltou a começar melhor o Paços de Ferreira que se aproximou da baliza portista num cruzamento de Romeu Torres desviado
in extremis por Fucile que assim impediu que a bola pudesse chegar a Cristiano, já pronto para desviar para a baliza portista. Minuto 58, golo do FC Porto, o falado presente de Cássio: tentou fintar Farías, ainda na pequena área, deu-se mal e permitiu que o argentino colocasse os dragões em vantagem. Um verdadeiro brinde do guarda-redes brasileiro que desbloqueou o resultado.

O golo foi um duro golpe nas aspirações do Paços de Ferreira. A estratégia que até aí tinha resultado quase na perfeição foi ao tapete. Literalmente pois, até final, o Paços não mais foi capaz de colocar em sobressalto a defesa portista. Paulo Sérgio, diga-se, fez o que lhe competia: arriscou, tentou colocar sangue novo no ataque, nunca se deu por vencido. No lado contrário, em vantagem, o FC Porto melhorou. E justificou a vitória. A dois minutos do final, Bruno Alves aumentou a expressão do resultado ao marcar um golaço de cabeça através de uma elevação incrível. Antes, já Farías havia estado perto quer marcado num lance bem anulado quer obrigando Cássio a uma boa defesa. Mesmo esperada, não deixa de ser notícia: o FC Porto ganhou a Supertaça.

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