Volta a Portugal’09: Análise

Mais importante de tudo: seis anos depois, um ciclista português voltou a vencer a Volta a Portugal. O último, em 2003, havia sido Nuno Ribeiro. E quem melhor do que ele, o último dos moicanos nacionais, para repetir o triunfo? Ninguém, certamente. Está fácil de ver que Ribeiro, ciclista da Liberty, foi o vencedor da septuagésima edição da maior corrida do pelotão português. Mesmo assim, apesar de ser um bis, não deixa de ser algo surpreendente pois havia outros candidatos bem mais assumidos. Foi um outsider com sucesso, um às de trunfo jogado por Américo Silva . Mas, acima disso, um vencedor justo com muito querer e sacrifício.

Foi à quarta etapa, na subida ao alto da Senhora da Graça, que Nuno Ribeiro, ciclista português de trinta e um anos, alcançou a liderança na prova. Fez uma escalada extraordinária juntamente com João Cabreira, o vencedor da etapa, e destroçou Cândido Barbosa da camisola amarela. O seu cunhado Cândido, companheiro de tantas batalhas e tão importante na vitória de há seis anos. Em 2009, na Liberty, uma Astana à portuguesa, havia Hector Guerra e Ruben Plaza como perseguidores assumidos pela vitória final na Volta. No entanto, ambos não se mostraram bem na subida ao mítico Monte Farinha e Nuno Ribeiro, uma espécie de Klöden ou Leipheimer, aproveitou para se assumir.

Chegado à liderança, a estratégia mudou. Nem havia outra forma. Mesmo sendo, e segundo palavras de Américo Silva, o terceiro líder, Nuno Ribeiro estava na liderança e era ele quem a equipa da Liberty Seguros necessitava de defender. Aqui, verdade seja dita, toda a formação se mostrou empenhada, em alto nível, para que o sonho de triunfar fosse novamente alcançado. Apenas Ruben Plaza, campeão espanhol e vice-líder, por vezes mostrou alguma confusão. Dois exemplos: em Santo Tirso, no alto da Senhora da Assunção, resguardou-se e nunca trabalhou na ajuda ao seu colega e, na Torre, atacou no grupo perseguidor logo após Nuno Ribeiro ter feito o mesmo para se isolar para a vitória. Foram dois momentos algo estranhos, sem dúvida.

Honras feitas aos vencedores, ao grande vencedor sobretudo, falemos dos vencidos. David Blanco, bicampeão de 2006 e 2008, terminou em segundo lugar mas nem por isso deixa de merecer destaque. Mostrou-se sempre disposto a lutar pela vitória, nunca atirou a toalha ao chão. Teve na Torre, numa altura proibida, um problema mecânico na sua bicicleta que lhe retirou algum tempo e o deixou a 2.16 minutos da liderança – mesmo sendo um especialista do contra-relógio é uma diferença bem considerável, convenhamos. Na mesma equipa, a Palmeiras Resort-Tavira, havia ainda Cândido Barbosa, o ciclista mais querido do povo português. Apesar das duas vitórias em etapas e de ter sido a grande figura da primeira semana, ficou arredado das contas finais demasiado cedo (à quarta etapa).

A Blanco seguiram-se, na geral final, David Bernabéu, o já falado Ruben Plaza e João Cabreira. O segundo David, também ele já vencedor da Volta, em 2004, apesar da sua veterania conseguiu uma excelente prestação e foi uma das boas surpresas. Em quinto, logo após Plaza, ficou João Cabreira. O campeão nacional regressou após um ano de suspensão na equipa do Loulé-Louletano e foi, talvez, o maior animador nas etapas mais duras: na Senhora da Graça, repetiu a vitória alcançada em 2005; na Serra da Estrela, foi o primeiro a tentar abrir as hostilidades embora tenha vindo a pagar por isso mais tarde. Num plano oposto, de desilusão, ficou Hector Guerra. A vitória no contra-relógio de Viseu soube a pouco para quem pretendia (muito) mais.

De entre as equipas estrangeiras, Damiano Cunego e Alessandro Pettachi apresentaram-se como figuras maiores. O primeiro, vencedor do Giro d’Itália de 2004, esteve em preparação para a próxima Vuelta mas mesmo assim ainda foi visto em destaque nas etapas de montanha; Pettachi, contador de imensas vitórias em etapas ao sprint, teve algumas oportunidades para se mostrar mas a verdade é que nunca conseguiu, sequer, estar na luta. Por outro lado, Danilo Hondo e Patrik Sinkewitz, corredores da PSK, foram bem interventivos – assim como o português Pedro Lopes (Loulé), presente em muitas fugas – e conseguiram vencer, cada um deles, uma etapa. Bom sinal de dois alemães numa Volta dominada por lusitanos.

O FUTEBOLÊS acompanhou o melhor da 71ª Volta a Portugal

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