Em futebolês – Bernardino Barros


A FEIJÕES É MAIS FÁCIL

Se dúvidas havia elas ficaram dissipadas, a pré-época acabou, e com ela os resultados que alimentam o ego, mas que mascaram muita coisa. Os três grandes entraram no campeonato do mesmo modo, a empatar e depois de estarem a perder os seus jogos. Desastre maior para o Benfica, que empatou em casa, enquanto leões e dragões empataram fora de casa e em campos onde não vai ser fácil vencer. Jornada inaugural paupérrima, com uma só vitória (Braga) em oito jogos, e sete empates (três a zero e quatro a um golo), o que perfaz a ridícula conta de 9 golos marcados (cinco em casa e quatro fora), já agora com seis marcados por estrangeiros e três por jogadores portugueses, com João Aurélio a levar a parte de leão, pois teve a honra de marcar o primeiro golo do campeonato e também o primeiro auto-golo.

No meio de tanta pobreza goleadora, e de vitórias, destaque para o Braga que lidera a classificação, beneficiando do facto de ter sido a única equipa a vencer nesta jornada. Ironia das ironias, o Braga era a única equipa que já tinha a espada apontada à cabeça do seu treinador, falava-se em André Villas Boas para lhe suceder no comando. Também uma chicotada logo ao fim da primeira jornada não seria caso para abrir a boca de espanto, que o diga Fernando Santos, ao comando do Benfica na época de 2007/08.


Para encontrarmos uma tão má entrada colectiva dos três grandes, teremos que recuar até à longínqua época de 99/00 onde Benfica, Sporting e FC Porto empataram os seus jogos, curiosamente todos jogaram nessa época fora de casa na jornada inaugural.

SPORTING – FUTEBOL SEM JUBA

Pré-época difícil, sem resultados, sobretudo exibições, que façam prefigurar uma época melhor que a anterior. Poucas mexidas no plantel, continuidade que poderia e deveria permitir maior entrosamento entre o plantel, mas alguns equívocos iniciais. A teimosa aposta em Yannick Djaló e em Rochemback, deixando de fora jogadores talentosos como Vukcevic e Matías Fernández, poderá caso continue retirar algum capital de confiança de que ainda goza Paulo Bento. A equipa que terminou a partida com o Nacional parece a mais talhada para outros êxitos, e a futura inclusão de Caicedo no ataque ao lado de Liedson, pode dar-lhe a agressividade atacante que não tem com o esforçado mas inconsequente Yannick e com o voluntarioso mas inconstante Postiga. Veloso não gosta de jogar na lateral defensiva, mas a equipa pode ganhar com isso e o que vale é o colectivo.

FC PORTO – DRAGÃO SEM CHAMA

Muito a fazer no jogo do dragão, que precisa de outra dinâmica atacante e de um organizador de jogo, maior agressividade defensiva, principalmente na abordagem aos lances de bola parada, e aqui deve-se incluir o guarda-redes Helton. Futebol sem velocidade, sem mudanças de ritmo, se excluirmos as iniciativas individuais de Hulk, a necessitar de reflexão sobre se os jogadores que possui no plantel lhe permitem actuar no 4x3x3, com avançados móveis que Jesualdo gosta, ou se o 4x4x2 será mais adequado ao quadro de jogadores que Jesualdo possui. Boas referências do FC Porto a jogar com dois avançados, Falcao e Farias, com Hulk e Mariano abertos nas alas. Belushi tem talento e futebol para jogar mais perto da área onde o seu virtuosismo técnico e facilidade de remate podem ser mais úteis para a equipa. Hulk sofre muitas faltas, é verdade. Hulk é muito massacrado pelos adversários, é bem visível em todos os jogos. Mas o incrível Hulk tem que ser educado para não ficar verde de raiva com as faltas sofridas e ganhar o controlo emocional que vai precisar ao longo do campeonato, para evitar mais expulsões. O que custa é a primeira, depois é dogma e se for com relatórios à posteriori

BENFICA – GARRAS APARADAS

Jogos de preparação e torneios de início de época, não são o mesmo que os jogos a doer. Depois da euforia de início de época, o empate com o Marítimo aparou as garras afiadas das águias. A doer… dói mais. O aviso já tinha ficado no jogo com o Olhanense, onde a dificuldade para vencer foi bem evidente para a equipa de Jorge Jesus. Os jogos do campeonato português são de outra dimensão, com outro conhecimento das tácticas empregues e com os pontos a valerem um lugar na Europa ou a tão almejada manutenção. Queixam-se os encarnados do jogo defensivo do Marítimo, que acontece depois de estar a vencer e fruto da grande pressão ofensiva da equipa benfiquista. Retirar mérito ao Marítimo ou ignorar a grande exibição de Peçanha, é demasiado redutor e é olhar só para o seu umbigo. Porque não olhar para o fraco rendimento do “endeusado” (pelo menos na pré-época) Saviola, que foi inoperante e apático? Jorge Jesus esquece-se com facilidade, quando chega ao topo, do que passou e penou quando dirigia equipas de menor dimensão e a táctica de conquistar pontos era a mesma que agora critica, jogar fechado no seu meio campo e apostar no contra-ataque. Não foi assim no Felgueiras, Estrela e Moreirense, Jorge Jesus? A memória dos homens não é curta, mas sem dúvida que é muito selectiva.

Que a segunda jornada seja melhor, até nas arbitragens, pois continuamos a cair no mesmo erro de sempre. Lances iguais protagonizados por jogadores dos grandes e dos pequenos têm sempre desfechos diferentes, com evidente prejuízo para os mais pequenos. Já nem quero falar nas cotoveladas de David Luiz ou Hulk, ou no perdão a entrada violenta de Luisão. Espero que haja bom senso na arbitragem, até porque só estamos agora a começar.

EM FUTEBOLÊS é um novo espaço semanal da autoria de Bernardino Barros

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