Liga Sagres: Abram-lhes alas!

ANÁLISE

Abram alas para o líder. A frase foi erguida, numa enorme tarja, pelos adeptos do Sp.Braga e serviu como incentivo para os noventa minutos que se aproximavam. Tratou-se, ao mesmo tempo, o relembrar desse estatuto de líder, totalmente vitorioso, perante o tetracampeão FC Porto, imbatível para o campeonato há mais de dez meses. O objectivo foi alcançado e os arsenalistas completaram um pleno de cinco partidas a ganhar. Daí aproveitaram, da melhor maneira, Benfica e Sporting: os encarnados isolaram-se no segundo lugar, ao passo que os leões se colaram ao FC Porto. O clássico da próxima jornada, no Dragão, com as equipas em igualdade pontual, terá ainda maior importância.

Já depois de ter saído vitorioso em Alvalade e no Funchal, o líder Sp.Braga tinha pela frente aquilo a que se convencionou chamar um verdadeiro teste de fogo. A visita do FC Porto, tetracampeão nacional, colocava os dois extremos lado-a-lado: uma vitória possibilitaria o continuar de uma série histórica, coroada com a liderança do campeonato, enquanto uma derrota, longe de ser motivo para corar pelo poderio do adversário, terminava com um período ganhador. Guerreiros, tal como gostam de ser apelidados, os jogadores do Sp.Braga elevaram-se perante uns portistas nervosos e erráticos que nunca se encontraram. Venceram, por isso, com toda a justiça através de um golo, é certo que algo estranho, de Alan. Chapeau para a equipa de Domingos Paciência. Lembra-se, leitor, de como começaram mal a época?

No jogo de Braga viu o Benfica uma chance soberana para se distanciar do FC Porto – até aí eram verdadeiras almas gémeas. Em Leiria, não houve o mesmo jogo ofensivo, por vezes até sufocante, nem a espectacularidade de outrora, mas os três pontos foram alcançados. Desta vez, a base de sucesso do Benfica esteve, como afirmou Jorge Jesus, na crença e vontade evidenciada pelos jogadores. Voltou, tal como fizera no Restelo na passada jornada, a marcar cedo (aos quatro minutos, de novo por Saviola) e isso poderia ser meio caminho andado para uma vitória confortável. O Leiria empatou, contudo, à passagem dos vinte minutos. A vitória do Benfica, essa, ficou confirmada a onze minutos do final, num golo de Cardozo – a sua segunda grande penalidade convertida, em quatro tentativas.

Ninguém o esperaria, por certo, mas o facto é que se jogou em Alvalade aquele que terá sido o melhor jogo que o campeonato português teve até agora. O Olhanense, espantando tudo e todos, em vinte minutos marcou dois golos. Por Rabiola e Castro – monumental! -, dois jogadores emprestados pelo FC Porto e que fizeram de tudo para impedir que o clube a que pertencem fosse igualado pelos leões. Com um resultado assim, com tão pouco de jogo, era necessário que o Sporting reagisse o mais rapidamente possível. Fê-lo: em sete minutos, aos 35′ e 42′, chegou à igualdade – este último golo na conversão de um penalty mal assinalado por Rui Costa mas, verdade seja dita, ainda com 0-2, ficara outro por marcar. A quatro minutos do final, Vukcevic consumou a reviravolta e apimentou o clássico que se aproxima. Sempre em busca da vitória, Jorge Costa deve ter ficado orgulhoso da sua equipa.

Na tabela classificativa, ao Sp.Braga e aos grandes, segue-se um surpreendente Rio Ave que, até ao momento, ainda não sofreu qualquer derrota – tal como acontece com arsenalistas e benfiquistas – e defrontou um Paços de Ferreira que vive a situação inversa, isto é, ainda não venceu nenhum dos seus cinco embates. Outro jogo grande da jornada foi o derby madeirense, onde o Nacional, mesmo jogando toda a segunda parte reduzido a dez, por expulsão de Luiz Alberto, venceu graças a dois golos de Edgar Silva. A primeira vitória da equipa de Manuel Machado no campeonato que, assim, igualou o rival insular (cinco pontos).

Também o Leixões bateu o Vitória de Guimarães, por 3-1, num confronto de clubes históricos que arrancaram a meio-gás. O Vitória de Setúbal, após a saída de Carlos Azenha do comando técnico, ganhou, na Figueira da Foz, o seu primeiro jogo oficial – uma partida que marcou, além disso, a estreia de ambos os técnicos: Joaquim Serafim, popular Quim, nos sadinos e Augusto Inácio nos figueirenses. Bem perto, em Coimbra, Rogério Gonçalves está cada vez mais na corda bamba, após o empate frente ao Belenenses e também por não ter ainda alcançado qualquer vitória (tem dois pontos somados, um a mais do que a vizinha Naval).

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