Necessidade ou a saída mais fácil?

Começou com Carlos Azenha, continuou com Ulisses Morais e Carlos Carvalhal, e chegou agora a Rogério Gonçalves e Nelo Vingada. São cinco treinadores que foram despedidos, ou seja, sofreram aquilo a que se chama de chicotada psicológica. Em apenas sete jornadas que estão jogadas no campeonato português, ainda nem um terço foi disputado, é um número bem elevado e que representa uma marca recorde na Europa. Trata-se, à partida, de um sinal claro de que os resultados não agradaram aos responsáveis de um determinado clube e, por isso, julgaram ser necessário um abanão para colocar a equipa na rota certa. Por outro lado, mostra também que é o treinador que mais exposto está a este tipo de situações.

Faz parte da própria natureza do jogo: quando as coisas não correm como era desejado, o treinador é o primeiro a arcar com as consequências porque, afinal, é ele quem comanda a equipa. Há, contudo, inúmeras situações em que o técnico é apenas uma parte de um problema que vai bem para além das suas competências – também é culpado, obviamente, mas longe de ser o único. Pergunto-lhe, leitor, quantas vezes saíram jogadores ou dirigentes devido a um período negativo da sua equipa? Seria, talvez, mais sensato que assim fosse mas é aos treinadores que os bons resultados são exigidos. Independentemente da qualidade dos jogadores que tem e daquilo que pode fazer, o mais fácil é mesmo usar o tal chicote. Claro que há os casos em que há mesmo essa necessidade mas, convenhamos, na maioria deles há uma evidente precipitação. Efeitos até da pressão dos adeptos.

Carlos Carvalhal, despedido pelo Marítimo ao fim de seis jogos, referiu, há poucos dias, que, em Portugal, não são dadas as condições necessárias para os treinadores mostrarem o seu trabalho, isto é, não há tempo para que os projectos assumidos sejam levados até ao final. Poderá ser uma visão parcial, tudo bem, mas, na minha opinião, faz todo o sentido. Não pretendo com isto dizer que os treinadores deverão ter lugar garantido para sempre, mas há que lhes dar alguma margem de erro para que mostrem o seu trabalho. Sete jornadas é pouco. Numa fase tão precoce, nenhuma equipa está condenada ao que quer que seja e sem hipóteses de recuperar. para um bom campeonato. Concorde ou não, leitor, parece-me que é mesmo a saída mais fácil…

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3 thoughts on “Necessidade ou a saída mais fácil?

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