O antes e depois do playoff – Rogério Azevedo

1. QUE OBJECTIVOS DE PORTUGAL PARA A ÁFRICA DO SUL?

Octávio Machado diria que o objectivo é traçado jogo a jogo. Passar a fase de grupos é o mínimo dos mínimos, chegar aos quartos-de-final será um ‘suficiente mais’, atingir as meias-finais será qualquer coisa como 16/17 valores. Daí para a frente será só lucro: Portugal nunca esteve numa final de um Mundial, logo mais do que a meia-final é sonhar altíssimo.

2. DEVERIA PORTUGAL TER ATINGIDO A QUALIFICAÇÃO MAIS CEDO?

Talvez. O grupo onde a Selecção estava inserido não era, pelo menos em teoria, de elevado grau de dificuldade, pelo que se esperavam bem menos complicações. Não nos podemos esquecer, porém, que a Suécia (afastada da África do Sul) é a oitava Selecção, de todos os tempos, com mais pontos somados em fases finais de Campeonatos do Mundo, só ultrapassada pelo Brasil, Alemanha, Itália, Argentina, Inglaterra, França e Espanha. A Dinamarca, vencedora do grupo, está cinco lugares atrás de Portugal neste mesmo ranking: Portugal é 19.º com 34 pontos em fases finais, a Dinamarca é 24.ª com 23 pontos. Portugal deveria ter sido primeiro no grupo? Sim. É surpreendente que tenha sido obrigado a ir ao playoff? Talvez. Mas não muito.

3. ESTE É O REAL VALOR DE PORTUGAL?

O valor individual dos jogadores portugueses é superior ao valor individual dos jogadores dinamarqueses ou suecos. O valor colectivo de Portugal é que esteve, até ao ‘esmagamento’ no Brasil (derrota por 2-6), bem abaixo da soma das partes. Depois, passo a passo, jogo a jogo, Carlos Queiroz conseguiu encontrar os equilíbrios necessários para a Selecção melhorar imenso. A primeira parte da qualificação é para deitar fora, a segunda parte é quase para emoldurar.

4. PARALELO COM OS ÚLTIMOS TEMPOS DE SCOLARI?

Scolari teve a vida muito mais facilitada no primeiro ano em Portugal. Não teve de passar pelas qualificações para o Euro-2004, tinha um naipe de jogadores muito mais forte em termos mentais e teve Portugal quase inteiro a assinar por baixo de tudo o que dizia. Psicólogo social brilhante, treinador de craveira média, o brasileiro ‘chupou’ tudo o que havia para ‘chupar’ dos jogadores. Queiroz, ao invés, teve de passar pelas qualificações, ficou sem Figo, Pauleta e Fernando Couto, por exemplo, sendo substituídos por jogadores com menor traquejo mental. Mas isto foi para o Euro-2004. Para o Mundial-06, as coisas foram diferentes. Scolari qualificou-se e chegou ao quarto lugar na Alemanha. A qualificação de Queiroz para o Mundial-2010 não foi diferente da qualificação de Scolari para o Mundial-06. Ou seja, tudo o que fique abaixo dos quartos-de-final ficará a perder, claramente, para Scolari.

Crónica de Rogério Azevedo, jornalista do jornal A BOLA, para o FUTEBOLÊS

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