Milão sem ser Internazionale

Olhemos ao jogo de terça-feira, em Camp Nou. Um clássico do futebol europeu entre Barcelona e Inter de Milão. O jogo, importante para clarificar as contas do grupo, teve apenas um sentido. O Barça construiu uma vitória fácil na primeira parte, depois geriu o tempo e baixou o ritmo – outro jogo grande, este frente ao Real Madrid, se aproxima. Pelo contrário, o Inter foi sempre incapaz de criar lances de verdadeiro perigo, de jogar no meio-campo adversário e pressionar em busca de uma vitória que lhe garantiria a passagem aos oitavos-de-final da Liga dos Campeões. A pressão alta e consistente do Barcelona contrastou com a apatia e incapacidade do Internazionale. Uma equipa que se viu quase vulgarizada, sem ter como ripostar e impedir o desenrolar dos acontecimentos.

Guardiola deixou, por precaução, Messi e Ibrahimovic no banco. Logo aí, sem poder contar com dois dos maiores génios do futebol mundial, o jogo perdeu alguma cor. Temeram os adeptos blaugrana que, por isso, a sua equipa partisse com alguma desvantagem. Do lado do Inter, faltou Wesley Sneijder, jogador que Mourinho recebeu in extremis mas se tem revelado fundamental na equipa italiana. Fazendo agora uma retrospectiva, a ausência de Sneijder é que teve real importância. Não que sirva de justificação para a má imagem deixada pelos nerazzuri mas pesou claramente. No Barcelona, os golos de Piqué e Pedro Rodríguez deixaram as ausências para trás. Que poderia fazer o Inter? Aquele que jogou em Camp Nou, quase nada.

José Mourinho, enquanto treinador do Inter de Milão, tem tido sucesso internamente mas ficado aquém na Liga dos Campeões. Conquistar a prova maior de clubes é um objectivo declarado. Veja-se que Roberto Mancini fora tetracampeão mas saiu por não ter triunfado internacionalmente. Por isso mesmo foi contratado Mourinho. Na época passada, a equipa caiu nos oitavos, derrotada pelo Manchester United. Agora, em 2009-10, tem sido demasiado intermitente na fase de grupos e o jogo de Barcelona complicou a tarefa. O Inter poderá mudar, chegar à próxima eliminatória e ter uma prestação de sucesso. Claro que sim. No entanto, à primeira vista, parece estar alguns furos abaixos da maior concorrência. O exemplo de cima é perfeito.

Barcelona, Manchester United e Chelsea têm estado, nas últimas temporadas, presentes em finais da Liga dos Campeões. Para esta época, voltam a ser os principais candidatos a erguer o troféu. Junta-se ainda o renovado Real Madrid, embora necessite de afirmar definitivamente, e até o Arsenal pode completar o lote. O Inter está junto a estes, sem que seja um dos principais favoritos. As soluções são menores, José Mourinho sobrevive essencialmente do tal talento de Sneijder, dos golos de Milito e Eto’o, das defesas de Júlio César. Uma equipa que pretenda chegar ao título de campeão europeu tem de ser mais do que isso: mais colectivo, mais consistente, mais regular. Só assim poderá ambicionar a Champions.

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