O regresso da escuridão dos túneis

A Liga suspendeu preventivamente Hulk e Sapunaru por, alegadamente, terem agredido um membro da segurança no túnel de acesso aos balneários da Luz. As versões, naturalmente, são contraditórias: o steward queixa-se de ter sido agredido por Sapunaru, uma acção que terá tido também o contributo de Hulk; do lado dos portistas, embora sem uma reacção oficial, refere-se que o jogador romeno reagiu a uma provocação. Independentemente das causas, nada justifica as atitudes dos jogadores. São profissionais, não devem ter descontrolos emocionais que levam a uma extrapolação daquilo que sentem. Está, por isso, aberto um inquérito para que se apure a realidade daquilo que realmente aconteceu no final do clássico – algo a que o sistema de vídeo-vigilância dará um contributo fundamental.

Os problemas ocorridos nos túneis não são, contudo, de agora. Esta temporada tem, inclusivamente, sido fértil em conflitos já fora do relvado. O caso mais mediático até então, que tanta polémica deu, aconteceu no intervalo do Sp.Braga-Benfica e culminou nas expulsões de Óscar Cardozo e André Leone, um jogador de cada equipa. Terão havido agressões junto aos balneários, Jorge Sousa assim decidiu. Nada a apontar, por isso. Todavia, as imagens televisivas vistas posteriormente, onde se registam agressões de Ney Santos e Mossoró a Cardozo, deveriam ter servido para que fosse instaurado um processo aos jogadores. No entanto, apenas foram assumidos os castigos aos jogadores expulsos pelo árbitro da partida. Agressões claras, captadas pelas câmaras, não mereceriam castigo?

Antes disso, na ronda anterior, o Benfica já havia tido alguns problemas no túnel. Também no intervalo. Ruben Micael e Manuel Machado, jogador e treinador do Nacional, afirmaram, após o final do jogo, que elementos da equipa madeirense, em especial o médio português, haviam sido pressionados e até agredidos. Vejam as imagens, afirmou Ruben Micael. Até hoje, ninguém está esclarecido sobre o que se passou ao intervalo do Benfica-Nacional. Nem do jogo de Braga, nem no fim do clássico. A única certeza é que os túneis voltam a ganhar, infelizmente, protagonismo no futebol português. Que pena é que a verdadeira essência do jogo, o futebol jogado dentro do campo em noventa minutos de disputa cordial, seja esquecida…

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