Um dos habiuais ou uma surpresa no final da maratona?

Carlos Queiroz repetiu inúmeras vezes, na fase em que a selecção portuguesa se encontrava com pé e meio fora da África do Sul, que o apuramento era como uma maratona, uma tarefa difícil e longa, nunca uma corrida ao sprint. Não importava ser mais rápido do que todos na partida, o objectivo era terminar à frente dos rivais, consagrado como o mais regular e mais consistente. Num campeonato, a situação é igual: o campeão não é necessariamente a equipa mais brilhante, a que mais convence, mas antes a que consegue manter um rendimento rectilíneo e uniforme, sem grandes oscilações, com mais pontos conquistados do que a concorrência. Em Portugal, o FC Porto tem feito valer essas armas para se impor. Nesta fase, exactamente a meio da maratona, importa olhar aos participantes. Quem será consagrado com o ouro?

Tradicionalmente, os candidatos a vencer o título de campeão português são FC Porto, Sporting e Benfica. Por esta ordem no passado recente, pois os portistas têm demonstrado uma hegemonia quase inquebrável que leva cerca de duas décadas e meia, apenas posta em causa no início do novo milénio. No entanto, desde sempre que é aos grandes que está destinado o trono, a glória e a altivez de campeão nacional: são as equipas que contam com orçamentos mais elevados, o que lhes concede maiores recursos e os coloca na linha da frente para serem bem sucedidos internamente e, por via disso, os principais representantes do país na Europa. Num total de setenta e duas edições, apenas em duas temporadas o título escapou aos grandes: em 1946 ficou com o Belenenses, em 2001 no Boavistão de Jaime Pacheco.

Chegados a esta fase do campeonato, temos três equipas com condições de lutar pelo título. O FC Porto e o Benfica estão lá: um na defesa do estatuto de tetracampeão e com os olhos num horizonte de voltar a chegar ao pentacampeonato, o outro melhor do que no ano do último título (2005) e com esperanças perfeitamente legítimas de demonstrar o seu valor. Falta o Sporting para completar o lote de grandes. De grandes, sim, mas não de candidatos: os leões tiveram uma primeira metade de época negra, para esquecer, estão em recuperação contínua, mas demasiado longe do objectivo-título (doze pontos separam os leões da liderança). O outro candidato é o Sp.Braga. O líder, a confirmação de um crescimento sustentado. Os bracarenses terminam no topo, dobram o ano em primeiro. Por isso, evidentemente, estão no grupo de possíveis campeões.

Seria, aliás, justo reconhecer o Sp.Braga como o mais sério candidato ao título. É também arriscado, no entanto. Desconhece-se a resistência que esta equipa minhota terá. Regularidade é, já se sabe, a palavra-chave. Porém, para não elevar em demasia a fasquia, em Braga ninguém assume a luta pelo título – jogo a jogo se verá. Logo atrás, em igualdade pontual, está um Benfica desejoso de voltar ao sucesso de outrora, posicionado na linha da frente, com esperanças reais e nada de utopias. Segue-se-lhe, numa posição estranha por não ser primeiro (desde 2003 que assim não era), o FC Porto. Em terceiro, com quatro pontos de atraso, perante dois concorrentes de valor – embora exista claramente uma marcação entre benfiquistas e portistas, com o Sp.Braga como outsider. O melhor elogio aos rivais: os dragões até têm mais um ponto do que em 2008-09.

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