Sporting-FC Porto, 3-0 (crónica)

O REGRESSO DO SENHOR LEÃO

Senhor leão, por favor. O Sporting temerário, errático e desnorteado ficou para trás. O momento, agora, é outro. A partida com o Everton já o anunciara, o clássico com o FC Porto confirmou: os leões jogam como ainda ninguém vira nesta temporada. Pode custar a crer, é verdade que sim, mas a vitória sobre os dragões não deixa dúvidas: consistência, entreajuda, redução de espaços, golos em momentos marcantes. Três tiros num dragão impotente, uma equipa que nunca se conseguiu encontrar, mergulhada num mar de indecisões e de más opções. O título é, agora, uma possibilidade cada vez mais remota. É a razão que o diz. Mantém-se a crença de que ainda há hipótese. Os papéis do jogo não estarão trocados? Não, claro que não. Acreditem!

Um clássico entre dois gigantes fora do seu sítio. Chegados a esta fase da época, com dez jogos pela frente, FC Porto e Sporting costumam ocupar os primeiros lugares do campeonato. Nas últimas épocas tem sido assim, sempre. Desta vez, contudo, é diferente: o FC Porto não chega com a via aberta para ser campeão, o Sporting está afundado numa temporada de pesadelo. Vida ou morte. É assim, sem meios termos ou contemplações, que os dragões, em terceiro, procurando manter as distâncias para Benfica e Sp.Braga, na esperança de continuar na perseguição e obrigar os rivais directos a um tropeção, encaram o clássico. Um deslize ser-lhes-á fatal. E o Sporting? Para que conta, então, este jogo? Sobretudo para a honra da equipa: é necessário recuperar o quarto lugar. Esse é o objectivo actual dos leões.

Está nos livros, em qualquer um deles onde o assunto seja futebol, que marcar cedo é meio caminho andado para se ser bem sucedido. A equipa tranquiliza-se, ganha confiança para enfrentar o jogo, passa a pressão para o lado do adversário. E precisa de estar preparado para a reacção, para que não tenha sido um esforço em vão, só interessa se o golo puder ser rentabilizado. O Sporting fez tudo isso: entrou em força, pressionante, marcou cedo, assumiu o controlo do jogo e preparou-se para qualquer eventualidade. Pode-se dizer, resumindo tudo isso, que deu continuação à exibição perfeita ante o Everton. Já se sabia que ganhara confiança com esse triunfo europeu, o golo de Yannick, aos seis minutos, confirmou que este Sporting sofreu uma alteração profunda. Não se explica, são coisas do futebol.

ELES ESTÃO EM QUINTO?

Alguém que tivesse caído agora no futebol português e estivesse atento ao jogo de Alvalade, diria que morava ali uma equipa de grande potencial. Aquele Sporting não poderia, em momento algum, ser um quinto classificado: os leões instalaram-se no relvado, superiorizaram-se no meio-campo, impediram que os portistas, com Rúben Micael e Raúl Meireles, tivessem bola no pé. Tiveram, logo a seguir ao golo, uma nova oportunidade para marcar: Liedson entrou na área, rematou forte, Helton negou-lhe a vontade. O FC Porto ainda não se encontrara, estava perdido no domínio do Sporting. Ninguém se lembrou do leãozinho frágil e desorientado que esteve sete jogos sem vencer. O jogo com o Everton foi a pedra de toque, agora estava ali um leão forte, confiante e bem centrado no objectivo de ganhar.

À medida que Varela foi ganhando espaço, os portistas conseguiram equilibrar o jogo. Passaram a ter mais bola, rondaram a área de Rui Patrício e criaram algum perigo para a defesa leonina. Não foi, porém, uma resposta incisiva, incessante pelo golo, uma vez que nunca os dragões conseguiram criar uma oportunidade de golo iminente. O intervalo aproximava-se, Jesualdo Ferreira teria de mudar algo, a equipa necessitava de se tornar mais agressiva e ganhar ofensividade. O Sporting não deixou, agiu antes que o FC Porto apostasse qualquer coisa, fez um segundo golo, por Izmailov, antes do descanso. Os leões juntaram à consistência e união do seu futebol, uma matreirice das grandes equipas, um atributo desaparecido, foram mortais nos momentos-chave. Tão diferentes que eles estão.

PERFEIÇÃO QUE MATOU O DRAGÃO

Sem perceber muito bem como, o FC Porto deixou a primeira parte com dois golos de atraso. Um sofrido no início, outro no final. Por entre um apagão generalizado, numa equipa incapaz de dominar a força revoltosa do leão, descaracterizada e impotente, faltou também felicidade na forma como foram consentidos os golos. Mas não se ficou por aqui. O intervalo foi uma pausa, serviu para o Sporting recuperar o fôlego, para voltar com toda a energia. Era a hora de desferir o golpe final no adversário. Foram precisos dois minutos, somente: Izmailov rematou ao poste, a defesa azul foi passiva, Miguel Veloso encheu-se de fé e acertou bem no coração do dragão. Três-zero, reacção do FC Porto deitada por terra, mérito total do Sporting. Não tinha sido isso que acontecera, com os papéis invertidos, no jogo do Dragão?

Recapitulemos, então, para que não fiquem dúvidas: o Sporting marcou um golo no início do jogo, outro antes do intervalo, fez o terceiro nos momentos iniciais da segunda parte. Pode-se dizer que atirou as responsabilidades para o lado do FC Porto, impediu uma reacção forte para alcançar o empate rapidamente nos segundos quarenta e cinco minutos e, por fim, acabou com o jogo numa altura em que Jesualdo Ferreira já trocara Raúl Meireles por Belluschi com o intuito de aumentar a capacidade de criar futebol ofensivo na sua equipa. A exibição leonina foi perfeita, abrilhantada por um portentoso jogo de Yannick, um prolongamento à altura do exibido na quinta-feira, uma mostra de que o futebol não tem lógica que resista. O campeão tombou, sem forças, entre erros em catadupa, tudo lhe saiu mal. Terá sido o fim?

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