Análise: Um clássico atípico

O Sporting está verdadeiramente transfigurado. Para que melhor se perceba esta ideia é necessário recuar até ao dia 20 de Fevereiro. Nesse sábado, os leões defrontaram, em Olhão, o Olhanense. O Sporting não foi além de um empate, a zero, um símbolo perfeito das poucas oportunidades e, sobretudo, do pouco futebol. Concluiu, assim, um ciclo de sete jogos sem vencer: Sp.Braga, FC Porto, Académica, Benfica, Paços de Ferreira, Everton e Olhanense, sendo que as partidas com os outros grandes portugueses lhe valeram a saída da Taça de Portugal e da Taça da Liga. Mais: ambos com resultados pesados, três golos a separar os leões do rivais, diferenças bem patentes entre as três principais equipas portuguesas, um sinal de grande fragilidade que parecia não ter fim.

O jogo com o Everton, em Goodison Park, complicou a permanência na Liga Europa. Sem possibilidade de conquistar qualquer das provas internas, todas elas irremediavelmente perdidas neste fatal mês de Fevereiro, a passagem aos oitavos-de-final da segunda competição europeia ficou, definitivamente, com um carimbo: fundamental. Uma equipa que parecia inserida num beco sem saída, olhada com sobranceria pelos adversários, até alguns teoricamente mais fracos, percebeu que havia chegado o momento de deixar de ser impotente na luta, não só contra o rival, mas perante a sua má fortuna. Passaram quatro dias da partida de Olhão, chegou o Everton, jogo da segunda mão da eliminatória europeia. No pior período da desastrosa temporada leonina. Saiu ao contrário.

Para muito melhor: o Sporting conseguiu a melhor exibição de toda a época, foi uma real equipa na forma como jogou, impediu que o adversário tivesse espaço para progredir e aproveitou as oportunidades de golo criadas. Ganhou. A forma como Carlos Carvalhal abordou a partida foi, também, fundamental. O treinador deixou o 4x1x3x2 dos últimos jogos, regressou ao 4x2x3x1 que implementara logo após a sua chegada. Assim, com dois pivôs defensivos, Pedro Mendes e Miguel Veloso em detrimento de Adrien Silva, deu maior consistência ao meio-campo, obtendo superioridade nesse sector fundamental, e deixou Liedson como único avançado. Para além da mutação táctica, acresce a boa forma como os jogadores interpretaram as ideias: Pedro Mendes foi sóbrio na forma como se mostrou, Yannick, substituindo Saleiro e ocupando o tridente de apoio ao avançado, um verdadeiro diabo à solta.

Há, ainda, mérito de Carvalhal na forma como mexeu na equipa. E foi compensado com um golo após as alterações. Uma estrelinha de felicidade apareceu em Alvalade, tantas vezes desaparecida. Num ápice, tão inesperado quanto merecido, o Sporting ganhou uma motivação descomunal. Seguiu-se o FC Porto. Seria super-favorito, mesmo jogando em Alvalade, há uma semana. O jogo com o Everton, pelo meio, baralhou as contas: afinal aquela equipa leonina foi capaz de surpreender. Carlos Carvalhal manteve tudo intacto, nem o regresso de João Pereira o fez mudar o onze que vencera os toffees, Abel manteve-se no lado direito da defesa. A história do clássico é em tudo idêntica à do jogo da Liga Europa. O Sporting foi melhor, correu mais, foi mais pressionante, não deu abriu brechas. Venceu ambos com mérito.

A exibição perfeita conseguida com o Everton teve prolongamento com o FC Porto. O Sporting deixou definitivamente de ser o elo mais fraco, mostrou toda a sua força. Os portistas, pelo contrário, tiveram talvez a pior exibição de toda a temporada. Causa estranheza, ninguém esperaria que se transformassem tanto, quase que inverteram papéis, pois, não tendo uma época regular, o FC Porto há catorze jogos, desde a derrota com o Benfica, que levava dez vitórias e quatro empates. Estava em recuperação, procurando encurtar distâncias para o topo. Obrigado a ganhar, portanto, com a pressão nos píncaros. A equipa sentiu-o, pareceu estranhamente desmoralizada, apesar do triunfo categórico sobre o Sp.Braga, perdeu a sua identidade. Foi completamente manietado pelo Sporting.

Sofrer um golo nos primeiros minutos (Yannick marcou aos seis) foi um golpe que o FC Porto nunca soube digerir. Em desvantagem desde tão cedo, a tarefa dos portistas complicou-se. Esperava-se, no entanto, uma resposta forte, empurrando o adversário para a sua área, abrindo espaços numa defesa que tantas fragilidades tem demonstrado. Os portistas não conseguiram, em momento algum, fazê-lo. O Sporting jogou, como já se disse, unido, tem mérito nisso. Contudo, foi notória nos portistas uma clara falta de criatividade. Jogando em 4x3x3, o esquema há muito implementado por Jesualdo Ferreira, os dragões não conseguiram ganhar o meio-campo – onde o Sporting colocou cinco jogadores. Não houve espaço para os médios se imporem, conseguirem fazer chegar a bola a Falcao. A maior razão do insucesso esteve aí.

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One thought on “Análise: Um clássico atípico

  1. Pelo que vejo é demérito do Porto esta vitória do Sporting quem marcou golos não deixou jogar o adversário? e o Carvalhal passou de Besta a ídolo só mesmo cá como tão depressa se muda como daqui a uns tempos não presta tenham dó.

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