A fórmula de uma vitória brava do Inter

Organização defensiva intransponível, olhos bem fixos nos mais perigosos jogadores adversários, sentido de entreajuda, saídas rápidas para o ataque, com vários jogadores, servindo-se de uma brutal exibição de Wesley Sneijder. Assim, simples, jogando de acordo com as suas conveniências, se explica a fórmula do sucesso do Internazionale em Stamford Bridge, derrotando o Chelsea. Os italianos souberam jogar com a vantagem ganha na primeira mão. Não jogaram à italiana, contudo: os jogadores do Inter não se remeteram à defesa do resultado, curto e ao alcance de apenas um golo, Mourinho apostou no ataque, criou um tridente ofensivo com Pandev, Eto’o e Milito, o xadrez foi perfeito, surpreendeu Carlo Ancelotti, tirou a bola ao Chelsea. O Inter ganhou. Sofreu, a vitória ainda sabe melhor. Saiu ao som de olés, numa lição de Mourinho.

José Mourinho é um mestre na arte de lidar com a mente dos outros. Aproveitou-o contra o Chelsea, percebeu que era o adversário quem necessitava de procurar o golo para passar para a frente da eliminatória, era aos ingleses que interessava dominar o jogo e fazer uso de todo o dinamismo seu futebol. O Inter, apesar dos problemas recentes no campeonato, agora somente um ponto a mais do que Milan, tropeções internos improváveis, é uma equipa madura. Mourinho preparou o jogo ao mais pequeno pormenor, não deixou que nada lhe escapasse. A vitória começou aí, claro. Prolongando o nulo, sem que fosse criado grande perigo, os jogadores do Chelsea começariam a demonstrar ansiedade, vontade de querer resolver tudo depressa. Geralmente não resulta. Era o objectivo. Mourinho conhece-os como ninguém.

Thiago Motta é um daqueles jogadores que, por vezes, podem ser considerados irritantes. É o tipo de jogador que nenhum adversário quer ver pela frente, pela agressividade que coloca nos lances, disputando-os no limite. Ora, colocar alguém com essas características perante uma equipa que precisa de ganhar, sente dificuldades para ter a bola no pé e lançar-se com perigo para o ataque é o mesmo que juntar algum combustível a dinamite pronta a explodir. O nervosismo apoderou-se dos blues, Terry e Drogba – que acabaria expulso após pisar… Thiago Motta, lá está! – mais do que tudo, também Wolfgang Stark deixou duas grandes penalidades por assinalar. Há essas queixas, é um facto. Contudo, apenas por duas vezes o Chelsea conseguiu realmente ser perigoso: Júlio César pôs cobro a ambas. A Anelka e Malouda.

E o espectáculo contínuo de Sneijder, um farol criativo no Inter, autor de passes teleguiados, bolas de golo para os colegas? O holandês fez metade, faltou o resto: Milito, Eto’o e Pandev não souberam aproveitar. Sneijder desesperava por ninguém concretizar a fantasia que espalhava, a alma que dava a um futebol italiano habitualmente ligado a um jogo pouco atractivo. E Mourinho desesperava no banco. Aquele jogo de passa e repassa do Inter justificava um golo. Minuto setenta e oito: bola no meio-campo, de Sneijder para Milito, de novo para o holandês, passe fantástico para Eto’o, remate certeiro, juntinho ao poste, para o fundo da baliza. Faltava um golo ao camaronês, sempre abnegado mas estranhamente afastado da eficácia. Mou respirou de alívio. Agora, sim, tinha a eliminatória na mão. E Itália ganha nova força na Europa.

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