Liga Sagres: O título está ao virar da esquina

ANÁLISE

O Benfica encontrou, na Figueira da Foz, um bico de obra para resolver. Começou mal, sofrendo dois golos de rajada, mas soube reagir ao choque e puxar dos galões. Ainda antes do intervalo, colocou-se em vantagem. Na segunda parte aumentou a vantagem, colocou os olhos em Liverpool, salvaguardou os seis pontos de vantagem para o Sp.Braga. Os bracarenses levaram de vencida o Vitória de Guimarães num derby efervescente, conflituoso e polémico do princípio ao fim. Por linhas tortas. Ainda com a esperança de chegar ao segundo lugar, para ter acesso aos milhões da Liga dos Campeões, o FC Porto venceu o Marítimo. O Sporting cilindrou, com uma mão cheia de golos, o Rio Ave: vitória categórica, justa e importante para o quarto lugar.

Doze minutos e dois golos marcados. Pela Naval. A equipa de Augusto Inácio entrou confiante e ousada para lançar perigo na defesa do Benfica (que estranha apatia!…). O líder tremeu. Soou o alarme, por isso. Weldon, a surpresa de Jorge Jesus para ocupar a incómoda vaga aberta por Saviola, percebeu-o: em sete minutos, aos dezasseis e dezanove empatou. O Benfica reentrou no jogo, fez voltar tudo à fórmula inicial, aniquilou a vantagem que a Naval alcançara. Foi o fim da surpesa. Mas não dos navalistas: Camora não conseguiu superar-se a Quim, ficou perto. A resposta de Di María foi triunfante, sem contemplações, eficaz. Agora, sim, a Naval ficou em xeque. Antes do pensamento se centrar no jogo de Liverpool, o Benfica precisava de ganhar maior conforto. Cardozo deu tranquilidade. A Naval não aguentou a vantagem, os encarnados reagiram à campeão.

Polémica, polémica e, sim, mais um bocadinho de polémica. O derby entre Sp.Braga e Vitória de Guimarães, por tudo o que representa para a região e pela infinita rivalidade existente, não poderia ser nunca um jogo pacífico. Não se esperava, porém, que se ganhasse tais proporções. Começou quente, ferveu a certa altura e mantém-se em brasa. O Sp.Braga ganhou, é isso que fica registado. Fê-lo com três grandes penalidades convertidas – a primeira aceita-se, a segunda é bem assinalada, a terceira é pura simulação. O Vitória terminou com sete jogadores, no limiar das suas forças, dispôs também de uma grande penalidade. É elementar concluir, portanto, que Artur Soares Dias, o árbitro, esteve debaixo de uma enormíssima tensão. O derby minhoto revelou-se um tormento. O último penalty foi o último momento de uma tarde infernal.

Uma entrada horrível terminou numa vantagem tranquila e plenamente merecida. O FC Porto começou verdadeiramente mal ante o Marítimo. Um golo de avanço ultra-sónico: quinze segundos bastaram para Taka introduzir a bola na baliza de Helton. Tão precoce desvantagem pode deitar tudo a perder, ser fatal para a mente dos jogadores, carregando a ansiedade. Ao FC Porto não afectou. Falcao, com um pontapé sensacional de bicicleta, empatou. Um daqueles golos de se lhe tirar o chapéu. Logo após, Raúl Meireles, a meias com Peçanha, concluiu com êxito a terceira oportunidade do jogo. Com oito minutos apenas. Em vantagem, os dragões mostraram bom futebol, apostaram nas transições. O Marítimo deu boa réplica, quase sempre com Kléber em destaque. O segundo golo de Falcao tranquilizou. E viria ainda Hulk para fechar as contas.

Sem Moutinho e Veloso, na Madeira, o Sporting deixou uma má imagem frente ao Marítimo, uma espécie de recuo até aos tempos de pesadelo, e, mais do que isso, viu interrompido o seu ciclo positivo – embora com a eliminação da Europa… – com uma derrota sem contestação. Ante o Rio Ave, regressou o melhor Sporting: dinâmico, mandão e concretizador perante uma equipa demasiado inofensiva e permeável, talvez afectada por já estar praticamente a salvo. Há demérito do Rio Ave, pois podia ter feito melhor, mas também mérito na forma como o Sporting soube dominar desde início. Yannick, endiabrado, fez três golos – o último, então, é soberbo! – num espectáculo contínuo. Liedson e Moutinho completaram a mão de golos. Para a rendição ser total só faltou Izmailov. O russo entrou e dez minutos depois… saiu por ordem de Pedro Proença.

A União de Leiria, ao empatar em casa com a Académica (0-0), perdeu a oportunidade de alcançar o Vitória de Guimarães no quinto lugar, o último que dá acesso à Liga Europa. Também o Paços de Ferreira, jogando como outsider, não foi além de um nulo, ante o Belenenses, não conseguindo aproximar-se para os vimaranenses – estabelecendo a diferença em apenas um ponto. O Nacional, pela vitória caseira alcançada contra o Leixões, 1-0, reentrou na disputa pelo seu objectivo europeu, destacando-se do rival Marítimo. Na luta pela manutenção, o Belenenses, apesar do ponto conquistado, e o Leixões estão cada vez mais acossados pela descida de divisão. A diferença entre os leixonenses e a dupla constituída por Vitória de Setúbal e Olhanense – que empataram, em Olhão, a dois – é de seis pontos. A Académica tem mais um.

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