A vingança completa do Bayern de Munique

O Manchester United estava uma desvantagem mas marcara um golo em Munique: seria bem possível, em Old Trafford, dobrar os alemães. O início foi auspicioso. Sete minutos de tirar o fôlego, dois golos a coroar, vantagem na eliminatória bem alcançada. Darren Gibson, com uma contribuição de Butt, guarda-redes do Bayern, deu expressão à viragem. Com três minutos, tal como em Munique. Desta vez, contudo, o Manchester não queria ser surpreendido. Na primeira mão recuara, dando azo a uma resposta dos bávaros, já depois de desperdiçar oportunidades. Fiou-se na vantagem tangencial e deu-se mal: o Bayern arrancou para uma ponta final de qualidade, fez dois golos, anulou o tento de Rooney. Em casa, era preciso mais para não haver um final inesperado. Ferguson não queria apertos desnecessários nem fazer contas à vida.

Nani fez-lhe a vontade. O extremo português, superiormente assistido por Luis Antonio Valencia, trouxe o segundo golo para abrilhantar os sete minutos diabólicos do Manchester. De calcanhar, pura classe. Os red devils estavam mesmo dispostos a terminar cedo com as pretensões do Bayern de Munique. Era preciso assegurar um terceiro golo. Seria, aparentemente, a tranquilidade. Antes do descanso, de novo com Valencia e Nani, dois diabos à solta no Teatro dos Sonhos, dueto de luxo reunido para outro acto: o equatoriano cruzou largo, Demichelis foi iludido por um remate que não surgiu de Wayne Rooney, Nani aproveitou o espaço e fuzilou Butt. Alex Ferguson recostou-se na sua cadeira, confortável e sereno, alargando horizontes; Van Gaal manteve o rosto fechado, sem motivos para sorrir, sempre com o bloco na mão. Resolvido?

Resposta momentânea: claro que sim, jogo e eliminatória arrumados, vantagem confortável do Manchester. Acresce ainda que os ingleses jogavam em casa. A resposta aos três golos conquistados pelos red devils não iria, porém, tardar. Dois minutos foram suficientes. Ivica Olic saltou com Carrick, foi mais astuto do que o médio inglês valendo-se da força física, e enganou Van der Sar. Havia sido ele o herói em Munique, marcando já depois da hora, servindo uma pequena vingança pela final de 1999 que o Manchester United conquistou, em Barcelona, já depois dos noventa. O golo de Olic transfigurou a equipa do Bayern. Os bávaros terminaram a primeira parte cercando a área britânica, vieram do descanso com maior vontade de mudar. Afinal, um golo bastava. Cinco minutos depois, Rafael foi expulso. O mote estava dado.

Com quarenta minutos pela frente, defendendo uma magra vantagem e em inferioridade numérica, Alex Ferguson quis guardar o que conquistara. Fez sair Rooney, desgastado e em natural eclipse num regresso inesperado, entrando John O’shea para compor a zona defensiva. O Bayern de Munique, claro, lançou-se em busca do golo. Os ingleses procuraram explorar saídas rápidas para o ataque – daí que Nani tenha estado perto do hat-trick, mas Hans-Jorg Butt defendeu bem. Importava não dar espaços, o Manchester fê-lo. Um erro chegou: num canto, Robben ficou à entrada da área solto, recebeu a bola e disparou forte, colocado, fora do alcance de Van der Sar. Genial. Era o golo da passagem. Agora, a um quarto de hora do fim, estava resolvido. Nunca uma vitória terá sido tão amarga e uma derrota tão doce. A vingança está completa!

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5 thoughts on “A vingança completa do Bayern de Munique

  1. Filipe,Certo! Mas é uma vingança pelas circustâncias da eliminatória: o Manchester United, tal como o Bayern de Munique em 1999, esteve sempre mais próximo da passagem e ficou pelo caminho. A final fora reeditada, ao contrário, quando Olic marcou em Munique, aos noventa e dois minutos; agora ficou completa porque a quatro minutos do intervalo estava 3-0… A forma como o Manchester teve tudo e acabou por ficar sem nada é a melhor vingança!

  2. César,O Bayern é uma equipa à imagem do treinador: cínica, matreira, prática e… eficaz! Tal como o Inter privilegia o resultado, pouco se importa com o espectáculo. É, para mim, favorito a estar na final.

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