Minha África: Portugal não dobrou o Cabo do Medo

Portugal disse adeus ao Campeonato do Mundo, cumprindo os objectivos a que se propôs, ser apurado na fase de grupos e defrontar a Espanha nos oitavos-de-final, e aí…quem faz o que pode, a mais não é obrigado.

Portugal foi igual a si mesmo no Mundial. Foi igual ao Portugal da fase de qualificação e foi igual ao da fase de preparação. Foi uma equipa com medo, defensiva e com processos ofensivos pouco trabalhados, sempre à procura de um lance individual de qualquer jogador e principalmente de Cristiano Ronaldo. Portugal não joga com equipas da sua qualidade ou de qualidade superior atacando, aborda os jogos de forma retraída, defensiva e com um medo terrível de arriscar. Portugal só jogou ao ataque contra a Coreia do Norte e porque a isso foi obrigada, para conseguir passar o seu principal objectivo: ultrapassar a fase de grupos. Contra a Costa do Marfim, táctica do medo e zero golos. Contra o Brasil, receosos e sem vontade de arriscar para ser primeiro do grupo e escapar à Espanha, por isso zero golos.

Contra a Espanha, um jogo que não valia pontos mas valia uma qualificação, fomos iguais a nós próprios. Retraídos, com aposta no contra-ataque e por isso zero golos. Conclusão: só marcamos golos à fraca Coreia do Norte e ainda bem que foram logo sete, que nos deu o lastro necessário para encarar o jogo com o Brasil sem tremuras nas pernas. Portugal chegou à África do Sul dobrando o Cabo da Boa Esperança, mas nunca se conseguiu ultrapassar o Cabo do Medo.
Portugal – Espanha (0-1): De equívoco em equívoco até à derrota final
Foi o jogo e o onze que estava à espera, Ricardo. Fica aqui respondido, para todos, o desafio que ontem, depois de publicada a crónica, me lançou o Ricardo por sms. Dar o onze de Portugal, tal como o tinha feito nos jogos anteriores. Não o fiz por uma única razão: sabia que o onze ideal para este jogo não andaria longe do que o Ricardo desenhou na antevisão abaixo, mas tinha a convicção da burrice que Carlos Queiroz iria fazer, como fez. O meio-campo deveria ser Pedro Mendes, Tiago e Meireles nas alas e Deco no vértice mais adiantado, jogando atrás dos dois avançados Cristiano Ronaldo e Danny.
Como jogamos

Com Pepe a destruir (mal) e a não saber construir (como nunca construiu). Nunca foi capaz de fazer um primeiro passe na zona de construção que fizesse sair os seus colegas para o contra-ataque ou ataque organizado. Em má condição física (depois de seis meses parado e regressando ao trabalho de campo um mês antes do inicio do Mundial, não poderia estar nunca) tem muito mais propensão para recorrer ao uso do físico da pior maneira possível, fazendo faltas e algumas bem grosseiras. Basta relembrar os 60′ frente ao Brasil e os 72′, agora, com a Espanha. Outro equívoco, Simão. Nunca foi capaz de criar desequilíbrios em nenhum jogo, salvo contra os pobres coreanos. Sem a velocidade de outrora limita-se a defender nas alas e raramente vai a jogadas de choque. Hugo Almeida no jogo com os espanhóis foi outro engano. Como é possível que com 1,91 metros de altura, não conseguisse ganhar um único lance de cabeça a Puyol, que só mede 1,75 metros? Se o jogo com a Coreia era para Hugo Almeida, este era mais para Liedson, mas sobretudo para Danny, com Cristiano nas costas.

Não falo do equívoco Ricardo Costa, porque apesar do “sabonete” que levou nos quinze minutos iniciais, depois rectificado pelo seleccionador que colocou Simão a fechar nesse flanco e encostou mais Tiago, a culpa não é só dele (que até não comprometeu depois disso), é do seleccionador que deveria optar por um defesa direito mais posicional – Paulo Ferreira. Tiago e Raúl Meireles foram médios de contenção e raramente subiram no terreno. Quando se libertaram das amarras tácticas de Queiroz, criaram duas ocasiões na primeira parte: cruzamento de Meireles para a cabeça de Hugo Almeida e cabeceamento do próprio Tiago, com perigo para Casillas.

A Espanha aceita o convite para o baile
Se Queiroz apelidava a Espanha de Barcelona A, porque carga de água foi dar a iniciativa ao adversário, encostando a sua equipa no último terço do terreno? Para explorar o contra-ataque (não gosto do termo transições rápidas)? Com quem? Com Hugo Almeida, que não é rápido? Com Cristiano Ronaldo a ter que percorrer meio-campo com a bola nos pés e sozinho contra o Mundo? Deveria ser com o meio-campo mais adiantado e pressionante (o chamado bloco alto) para, em caso de ganhar a bola no meio-campo contrário, ter mais hipóteses de se acercar da baliza adversária. Exemplo disso o lance aos 32′, em que a pressão alta fez Portugal ganhar a bola na primeira fase de construção da Espanha (perda de Busquets), com o contra-ataque a colocar quatro jogadores na organização do lance. Tiago a roubar e a fazer o primeiro passe, Raúl Meireles no corredor esquerdo a receber, correr e tirar o cruzamento, para Hugo Almeida cabecear ao lado, com Cristiano Ronaldo nas suas costas. Valeu na primeira parte o herói Eduardo para chegarmos ao intervalo empatados.
Do banco saiu o joker da vitória
A segunda parte foi igual. Espanha com iniciativa atacante e Portugal na expectativa, até que Del Bosque resolveu ganhar o jogo. Saiu o ineficaz Torres (grande Fábio Coentrão que anulou El Niño) que não se adapta a jogar na ala direita, entrando um avançado de área. Era um corpo estranho na área portuguesa que nunca viu tal “ser”, não se adaptando à marcação. Logo na primeira vez que toca na bola, Llorente obriga Eduardo a uma soberba defesa (mais uma). A segunda vez que toca na bola, desvia de calcanhar, colocando-a nos pés de Villa, que faz o golo. Reage Queiroz com medo, muda para dizer que não o fez, mas deixando um criativo no banco, Deco, e optando pela entrada de Pedro Mendes para o lugar de Pepe. Portugal precisava de um médio atacante e não de outro defensivo. Depois, foi a Espanha a fazer circulação de bola, com Portugal passivo a vê-los jogar e finalmente a amálgama de “soluções” encontradas por um seleccionador sem recursos tácticos, optando pelo “bêábá”, adiantamento do central Bruno Alves para recorrer ao chuveirinho. Viemos embora para casa e bem.
Positivo
1 – A exibição soberba de Eduardo, com seis defesas a negar golos cantados ao adversário. Chorou no final frustrado pela sua exibição não ter valido de nada. Como lhe disse Beto “defendeste como um gigante, fizeste uma exibição de gigante, tens que sair como um gigante, de cabeça levantada”. Ganhou o seu Mundial.
2 – Fábio Coentrão foi outro jogador que ganhou o seu Mundial e, quiçá, o seu futuro noutro clube. Jogou na selecção como joga no clube, com agressividade, forte a defender e rápido e eficiente a sair para o ataque. Mas no Benfica os processos são outros, não são, Coentrão? Não se joga a defender e com medo dos adversários.
Negativo
1 – A atitude amedrontada de Carlos Queiroz, que não consegue transmitir nenhuma ideia, organização e capacidade de ataque, a uma selecção que obrigou sempre a defender e a jogar com medo do poderio dos adversários. Na fase de qualificação, na fase de preparação e na fase final do Mundial. Pelo menos foi coerente do princípio ao fim. Viveu no medo e para alimentar o seu medo.
2 – O ambiente que se vive na selecção. Cristiano Ronaldo respondeu do seguinte modo à pergunta colocada sobre o que se tinha passado em campo: “perguntem ao Carlos Queiroz”. Pedro Mendes explicou o descalabro com “jogamos muito recuados…esperava jogar e outros também”. Deco, que também esperava jogar, optou por dizer que “se foi por castigo não sei”. Ambiente fantástico e que promete mais desenvolvimentos… ou talvez não. Vai imperar a lei da rolha a partir daqui, porque de ditos e desmentidos por “comunicados” já tivemos a nossa conta. Primeiro Nani, depois Deco, agora Cristiano Ronaldo (este no site do seu empresário).
Como isto já vai longo e agora temos dois dias de descanso, prometo, depois, falar sobre a exibição no Mundial de um jogador, Cristiano Ronaldo, que é o melhor do Mundo nos clubes e é um zero à esquerda na selecção de Queiroz.

Made in England: O fracasso inglês na África do Sul

A Associação de Futebol Inglesa (FA) informou Fabio Capello que decidirá o seu futuro como seleccionador inglês no espaço de duas semanas. O italiano diz querer e estar à altura do cargo pelos dois anos que lhe restam de contrato, mas o presidente da FA não está tão seguro disso. A derrota frente à Alemanha, no domingo, foi pesada, a mais pesada de sempre que a Inglaterra sofreu em finais de Campeonatos do Mundo e até da Europa, sendo o futuro incerto.

Os ingleses abandonaram a África do Sul na segunda à noite e chegaram a Inglaterra na terça pela manhã. Os semblantes carregados mostram a desilusão de um Mundial pouco conseguido. O contraste com a fase de qualificação é enorme. Capello levou a Inglaterra ao Campeonato do Mundo de 2010 com o primeiro lugar no seu grupo – onde perdeu apenas um jogo. Isto galvanizou a nação que acreditava que este ano poderia ser o ano dos ingleses, mas as fracas exibições em África deitaram por terra todos os sonhos de glória.

Existem certamente, e muitos, assuntos a resolver na selecção inglesa. Entre os motivos apontados, contam-se, em primeiro, as opções do treinador e a carga de jogos do campeonato inglês. Mas há quem vá mais longe e afirme que a cultura futebolística no Reino Unido está, neste momento, mais focada em resultados e dinheiro do que em ensinar os jovens desta nação como jogar futebol. Culpa-se a tendência atacante e futebol directo pela falta de rigor táctico que foi o que se passou no jogo com a Alemanha. A equipa esteve demasiado preocupada em atacar e virar o resultado esquecendo-se de se defender dos contra-ataques mortíferos dos germânicos.

Capello tem contrato por mais dois anos – um contrato onde aufere seis milhões de libras por ano, o que faz dele o seleccionador mais bem pago do Mundo. A demissão já foi posta de parte pelo italiano, logo o que sobra é um possível despedimento e a choruda compensação financeira. Tudo isto tem que ser pensado e levado em conta pelos responsáveis da FA. Vamos aguardar pelas próximas duas semanas para ver se Capello será mais uma “vitima“ do Mundial depois de, entre outros, Raymond Domenech e Marcello Lippi terem abandonado a França e a Itália, respectivamente.

MADE IN ENGLAND é um espaço, sobre o futebol inglês, assinado por Armando Vieira

Mundial 2010: Espanha-Portugal, 1-0 (crónica)

A FAENA ESPANHOLA

A Espanha é mais forte do que Portugal. A frase, clara e sem rodeios, não tem por onde enganar. O jogo entre as duas selecções comprovou-o: os espanhóis circulam a bola como poucos, insistem, pressionam, obrigar a errar e jogam com tranquilidade. Portugal, ao ser expectante e dando a iniciativa aos espanhóis, assumiu um risco. Viu uma, duas, três bolas de golo junto da sua baliza. Eduardo, heróico, defendeu tudo o que lhe apareceu pela frente. Gritou, alertou, corrigiu, pediu mais concentração. A vontade do guarda-redes, a sua garra, faltou no ataque português. A selecção nacional, depois do sufoco inicial, conseguiu criar oportunidades, perigo, andou perto do golo. Nunca passou disso. A Espanha, melhor e mais consistente, marcou. E garantiu a vitória.

Don Vicente manteve a sua armada. Sem surpresas, sem alterações de última hora, com todas as pedras nos seus devidos lugares. Tudo bem esquematizado, estudado ao pormenor, para colocar o carrossel espanhol em funcionamento. A Carlos Queiroz, na liderança da armada portuguesa, restava pará-lo. Impedir a sua acção, atrapalhar, colocar obstáculos à progressão e lançar, a cada momento, perigos para o trilho dos espanhóis. Pepe e Ricardo Costa, revelando as preocupações em ter segurança defensiva, mantiveram-se na equipa. Simão e Hugo Almeida, a versatilidade e a presença, regressaram. Frente a Espanha, num duelo de vizinhos, muito mais do que um simples arrufo de quem não gosta de quem está ao lado, Portugal quis manter-se consistente na defesa e, ao mesmo tempo, ousado no ataque. Teria que se mostrar ao rival.

Espanha saiu com a bola. Iniciou o seu passa e repassa, tiki-taka, com os olhos no horizonte. Os espanhóis, nesta selecção com tanto do Barcelona, só pensam em avançar, nunca em jogar para trás, nunca em contentar-se com pouco e quando ainda é demasiado cedo para o fazer. Fernando Torres, no primeiro minuto, rematou. Seguiu-se, cinco minutos depois, Capdevila. Ambos levaram a direcção certa. Eduardo, senhorial na baliza portuguesa, anulou as ideias. Portugal tremeu no início. A selecção espanhola, sufocante e mandona, tomara conta da bola, fizera-a circular e rondar com muito perigo a área portuguesa. Fábio Coentrão, a irreverência em pessoa, tentou reagir, responder, fazer com que os espanhóis não ganhassem, desde logo, ímpeto para se fixarem. Torres voltou a assustar. Portugal conseguiu, aos poucos, assentar.

UM DOMÍNIO A SER COMBATIDO

O domínio espanhol durou vinte minutos. A selecção portuguesa entrara expectante, esperando pela Espanha demasiado atrás. Colocou-se à mercê das investidas contrárias. Depois disso, era obrigatório reagir para mostrar que Portugal teria recursos para amedrontar Casillas. Em dois remates, de Tiago e de Cristiano Ronaldo, o guarda-redes espanhol, ainda que com dificuldade, conseguiu responder bem. Os portugueses haviam, enfim, deixado de lado a pressão da Espanha, conseguindo explanar o seu futebol e progredindo no terreno. Respirara, ganhara fôlego e iria à luta. Os espanhóis, afinal, não são máquinas. Hugo Almeida, de cabeça, falhou por pouco o alvo. E mais sobressalto num rápido contra-ataque, a principal arma de Portugal, em que Casillas, perante Simão, foi mais forte. Tiago, ainda antes do intervalo, cabeceou para fora.

Percebe-se que o descanso chegou em má altura. Coincidiu precisamente com o melhor período português no jogo. Portugal, apesar de sempre de pé atrás pelo futebol tricotado da Espanha, ganhara poder ofensivo e criara oportunidades de golo. O intervalo, contudo, não afectou o ritmo da selecção portuguesa. Na segunda parte, mantendo a fase positiva que demonstrara sobretudo a partir dos trinta e cinco minutos, Portugal começou bem: Hugo Almeida, veloz e possante, escapou pela esquerda e Puyol, por um triz, não introduziu a bola na sua baliza. Espanha suspirou de alívio. Portugal ficou perto, perto, mas não teve sucesso. O minuto cinquenta e sete trouxe as primeiras substituições. Carlos Queiroz chamou Danny, médio que esteve em dúvida, para trazer maior velocidade. Del Bosque, querendo voltar ao início, apostou em Fernando Llorente.

UMA SUBSTITUIÇÃO FALHADA

Uma alteração em cada equipa e duas visões completamente contrárias de agir. Queiroz retirou Hugo Almeida, a principal referência ofensiva da selecção portuguesa, quando, apesar de ter estado pouco em jogo na primeira parte, começava a aparecer. Portugal ficou sem o seu ponta-de-lança, deslocando Ronaldo para essa posição. Em oposição, Vicente del Bosque, sem obter resultados da utilização de Fernando Torres, uma estrela em eclipse na África do Sul, colocou Llorente, também avançado, para sobressaltar a barreira defensiva nacional. À hora de jogo, três minutos depois de entrar, Llorente apareceu solto: Eduardo, instintivo, voltou a ser mais forte. O guarda-redes, decisivo nos primeiros minutos, sempre respondeu bem. A Espanha, com a colocação do avançado do Athletic de Bilbao, readquiriu força, perigo e domínio ofensivo.

Com esperança em ser bem-sucedido e com a tormenta de ver os espanhóis em crescimento, Portugal voltara a dar mais espaço, perdera a bola e recuara em demasia. David Villa, após uma abertura de Iniesta e um desvio de calcanhar de Xavi, surgiu frente a Eduardo. O guarda-redes, um gigante na baliza nacional, defendeu. A defesa foi boa mas não perfeita. Villa, oportuno, colocou a Espanha em vantagem. Jogara-se, até aí, mais ou menos uma hora: a selecção espanhola fora sempre mais equipa, mais inicisiva, mais perigosa e pressionante, contudo, à medida que conseguiu fazer desenvolver o seu jogo, Portugal reequilibrou e criou calafrios aos espanhóis. Não aproveitou. A Espanha, sempre ofensiva, marcou. Um golo evitado ao máximo por Eduardo. Agora tudo seria mais difícil. Um luta tiki-taka espanhol e o desespero português.

UM PONTO FINAL PRECOCE

O golo bateu forte em Portugal. Como um punhal cravado. Ainda não mortal, sim, mas perto disso. Sergio Ramos é, como Fábio Coentrão, um lateral ofensivo e impediu, assim, que o jogador português se conseguisse envolver no ataque e fosse, como nos jogos anteriores, um importante suporte para criar jogadas de perigo. Aproveitando a embalagem trazida pelo golo de David Villa, deixando a Espanha a jogar como gosta, Ramos rematou forte, cruzado, e voltou a obrigar Eduardo a uma defesa espantosa. Com talento puro e um enorme querer de empurrar a equipa para a frente, foi assombrosa a exibição do guarda-redes português. Carlos Queiroz, errado na primeira substituição, lançou Pedro Mendes e Liedson. Portugal necessitava de voltar a ter bola, capacidade de construção e alguém na área para finalizar. A equipa encolhera-se, precisava de nova vida.

A Espanha luta, pressiona e insiste muito até conseguir marcar. Quando o consegue, solta-se, toca curto, faz com que a bola passe por quase todos os jogadores. Joga um futebol vistoso para o adepto e profundamente irritante para o adversário. Para quem está em vantagem, com o relógio a seu favor e perante uma equipa cada vez mais desligada e desunida, é perfeito. Portugal, sem forças, tentou responder ao golo espanhol. Queiroz mexeu, os jogadores quiseram sair para o ataque, tentaram assustar os espanhóis. Não tiveram sucesso. O discernimento, a força e o coração necessários faltaram. Portugal rendeu-se. Nunca quis dar parte fraca, quis lutar até ao fim, mas há muito estava entregue. À Espanha bastaria, como tão bem faz, circular a bola e gerir o tempo. Eduardo, depois de tanto defender, fora batido e resultado, desde aí, estava feito. Vitória de Espanha. Com mérito.

Mundial 2010: Espanha-Portugal (antevisão)

Noventa minutos pela frente, prolongamento se necessário e grandes penalidades como máximo extremo. O Mundial 2010 entrou na fase das decisões, deixando para trás o pragmatismo e os cálculos aos pontos amealhados nos três jogos iniciais, com margem de erro nula. Portugal, sem ser brilhante, apurou-se com comodidade para os oitavos. Cumpriu, no fundo, a sua obrigação: iniciou com cautela frente à Costa do Marfim, devorou uma frágil Coreia do Norte e voltou, com o todo-poderoso Brasil, a jogar pelo seguro. Chegada aos oitavos-de-final da competição, com legítimas aspirações a conseguir uma prestação capaz de recolocar Portugal entre o top mundial, a selecção portuguesa terá, rivalizando com a Espanha, de mostrar a sua fibra. Sem receios, sem temor, sem complexos neste arrufo de vizinhos. Jogando com audácia, coragem e garra. A triplicar.

Tão próximos e tão distantes. Portugal e Espanha, vizinhos ibéricos, diferem em muitos aspectos. Na maioria deles, na grande maioria, os espanhóis saem por cima. No futebol também. A selecção espanhola parte como favorita. Por ser campeã da Europa? Sim, mas não só. A vitória no Europeu de 2008 serve para engrandecer o estatuto de La Roja, indiscutivelmente. Fruto disso e da evolução constante que tem sofrido, alargando horizontes, a Espanha aparece, desde o início, na linha da frente para a conquista do Mundial da África do Sul. Os êxitos alcançados pelo Barcelona, na consolidação de um futebol rendilhado, pensado e extremamente eficaz, naquele famoso tiki-taka que tantos elogios tem merecido, são também um suporte da selecção espanhola. Piqué, Puyol, Sergio Busquets, Xavi e Iniesta são indiscutíveis para Vicente del Bosque. Cinco jogadores blaugrana – Villa só o será na próxima época.

Carlos Queiroz apelidou a selecção espanhola de Barcelona A. Os princípios de jogo, a mentalidade, o passa e repassa para obter uma monstruosa percentagem de posse de bola, com toques curtos entre toda a equipa, são os mesmos. Alguns intérpretes, com destaque para Xavi e Iniesta, sobre quem gira o carrossel ofensivo de ambos, também. Esta Espanha, contudo, não se trata de uma imitação do Barcelona. Não tendo Messi, talvez o maior desequilibrador do Barça, tem David Villa, que provou na fase de grupos atravessar um extraordinário momento, e Fernando Torres, que, mesmo descolorido até agora, conta com inegável talento. Porém, a Espanha não é imbatível. Basta recordar, por exemplo, que começou o Mundial em falso, perdendo, surpreendentemente, com a Suíça. É favorita, sim, mas não vencedora por antecipação.

E Portugal, afinal, o que vale? A resposta terá que ser dada dentro de campo, logo, frente aos espanhóis. Uma das imagens de marca da selecção portuguesa, bem patente nos zero golos sofridos por Eduardo na fase de grupos, tem sido a sua consistência defensiva. Ora, esse é um dos principais factores para ter sucesso. Tal como fez a Suíça. Portugal, porém, possui mais e melhores argumentos do que os suíços que permitam disputar o jogo com nuestros hermanos. Terá de se fazer ouvir, emergir e fazer com que a Espanha não se acomode e deslize pelo relvado. Para conseguir ganhar um lugar nos quartos-de-final do Mundial 2010, a selecção portuguesa precisa de juntar velocidade, genialidade e intenção ofensiva para ruir o suporte espanhol. Defender bem, jogar com inteligência e ser ousado e veloz para colocar Casillas em sobressalto: essa é a receita.

No regresso à Cidade do Cabo, onde Portugal vergou a Coreia do Norte, Carlos Queiroz deverá, após a transfiguração da partida com o Brasil, promover novas mudanças. Face ao fortíssimo meio-campo espanhol, Queiroz pode enveredar por um maior povoamento dessa zona central do relvado. Assim, Portugal jogaria com Pedro Mendes (é crível que, após a utilização de Pepe, volte à titularidade), Raúl Meireles, Tiago e Deco (já refeito da lesão que o obrigou a ficar de fora nos dois últimos jogos). Na frente, procurando velocidade e profundidade para abrir brechas na defesa espanhola, a aposta, para além de Cristiano Ronaldo, deverá recair em Simão Sabrosa. Na defesa, além disso, há outra incógnita. Nos três jogos da fase de grupos, três jogadores foram utilizados na posição de lateral-direito: Paulo Ferreira, Miguel e Ricardo Costa. Para esta partida, onde será importante defender com segurança, o seleccionador deve optar por Paulo Ferreira.

Minha África: Sem surpresas, os melhores ganharam

Não há lugar a surpresas, os favoritos venceram e bem. Com mais facilidade o Brasil, que depois de estar em vantagem sabe aproveitar os espaços na defesa contrária para matar o jogo. Mais sofrida a Holanda, que chegou cedo ao golo, adormecendo depois à custa da vantagem conquistada, expondo-se a um golpe de fortuna do seu adversário para empatar. Atitudes diferentes, mas duas equipas que estão a fazer um excelente Mundial e que curiosamente se vão defrontar nos quartos. Pena que uma delas tenha que sair.
Holanda – Eslováquia (2-1): A Laranja não é mecânica mas tem sumo
Jogo: Jogo após jogo a Holanda vem provando porque lhe atribuí estatuto de favorita, contra a opinião generalizada, que era uma equipa boa no ataque mas frágil a defender. Não é de facto a Holanda da “laranja mecânica”, que atacava de modo demolidor e com muita circulação de bola. Esta Holanda é mais pragmática, defende bem, com uma linha de pressão no meio-campo onde os alas atacantes se incorporam, para depois em funções atacantes ser uma equipa de muita explosão, técnica e velocidade. Se a isto juntarmos o regresso de Robben, com toda a sua mestria em criar desequilíbrios, está encontrada a receita ideal para tornar esta Holanda numa séria candidata ao título, a provar já no próximo jogo contra o Brasil.

Positivo: Robben, o menino de cristal, como é apelidado devido à sua fragilidade óssea, é realmente um desequilibrador. Exímio no um-contra-um, tecnicamente perfeito a executar em velocidade, capacidade de explosão e remate fácil e colocado. Estes são os traços do ADN futebolístico de um jogador de excelência, que poderia ombrear na corrida ao título de melhor jogador do Mundo, assim as lesões o deixassem ter mais assiduidade nos jogos.

Negativo: A atitude de Van Persie após a substituição. O treinador não o coloca a jogar na sua posição preferida? Não é um avançado de área? Renderia muito mais noutra posição? Todas as respostas poderão ir de encontro às suas pretensões, só que o treinador é soberano, havendo hora e local certo para o fazer, com mais recato. Por mim poderia ficar no banco, pois a Holanda com Huntelaar é bem mais perigosa.
Brasil – Chile (3-0):Ganhar de forma fácil com direito a “chilena”
Jogo: Dunga surpreendeu com as alterações efectuadas. Felipe Melo e Elano não jogaram, com as suas posições a serem ocupadas por Ramires e Daniel Alves. Não perdeu consistência defensiva (na minha opinião até ganhou) e adquiriu no meio-campo mais velocidade para sair a jogar, com a entrada desses dois jogadores. Foi, por isso, um Brasil mais consistente, mais capaz de ganhar a bola ao adversário e sobretudo de aproveitar uma defesa chilena descompensada e mais vulnerável às transições rápidas. Foi uma vitória construída na paciência, perante uma equipa que esperava no seu meio-campo, e que começou a ser desbravada com o excelente cabeceamento de Juan. Depois, é só esperar que o adversário conceda espaços, para que a classe dos jogadores brasileiros os saibam aproveitar. Com o amarelo de Ramires – fica de fora com a Holanda – Dunga vai ter que arranjar outra opção para o miolo do terreno.

Positivo: Mudanças de Dunga. Não perdeu solidez defensiva e ganhou mais velocidade na saída para o ataque. É um Brasil mais consistente.

Negativo: A atitude da equipa chilena, muito passe e circulação de bola, pouca agressividade atacante. Pior ainda a reacção esperada na segunda parte, jogar mais aberta e com intenção de reduzir distâncias, foi confrangedora a sua exibição.
Amanhã, temos Portugal a jogar e a história no confronto entre os dois países favorece a selecção lusa. Que a história continue a ser escrita em português.

Opinião: O jogo ingrato que vinga ao inverter os papéis


Curto e grosso: o futebol é um jogo ingrato. A frase, batida e gasta, faz todo o sentido. É um jogo de sorte, onde nem sempre os melhores vencem, a justiça e o mérito podem até ficar para trás. O fim justifica os meios. Jogar bem ou não, é relativo. Se isso der vitórias, óptimo: pode juntar-se o bom futebol aos resultados. Se não der, para alguém que queira mesmo ganhar, a estética do futebol atira-se para o lado – o importante é triunfar. Qualquer adepto quer que a sua equipa ganhe sempre. Um, dois, três, vinte anos seguidos. Limpar tudo. O que se pode tornar uma monotonia. A piada de qualquer competição, das que façam realmente jus ao nome, passa por haver vários concorrentes fortes. Uns ganham, sorriem, pulam de alegria. Os outros, vencidos, baixam a cabeça, choram e revoltam-se. Logo a seguir, esses mesmos dois rivais, invertem os papéis.


Essa ingratidão – aí está a palavra acertada: ingratidão – do futebol é capaz de construir heróis e de os atirar para a penumbra num fechar de olhos, eleva as equipas à glória e logo as faz cair (não é descer, é cair com estrondo) do pedestal, faz com que uma equipa se farte de correr e outra, que sempre esteve à sombra, ganhe num golo saído sabe-se lá de onde. É por isso que nunca gostei de ver a Itália jogar. Pode ser exímia em termos tácticos, a movimentar as peças, a sufocar o adversário quando parece que está entre a vida e a morte. Parece que se está a pôr a jeito e, quando damos conta, tem as mãos nos troféus. É uma equipa cínica, matreira, viperina. Tira a paixão do futebol, dá-lhe um toque de xadrez. Não gosto, confesso. Estar no limbo e conseguir sucesso foi um método usado muitas vezes. Agora falhou. Alguma vez seria.

Depois há outras equipas que jogam, que fazem o verdadeiro futebol, que maravilham qualquer adepto. Mesmo sem nunca termos contactado com a sua realidade, estamos ali colados à televisão. E vibramos com os golos. Saltamos, gritamos, como se fosse um golo do nosso clube. E, no entanto, não é. Mas o futebol foi capaz de nos envolver, de apaixonar, de ser realmente marcante. É aí, a quem mais merece ganhar, que aparece a ingratidão. Ou injustiça, chame-lhe, leitor, o que entender. Já reparou que grande parte das equipas que melhor jogam não ganham títulos? Não é injusto? É, mil vezes injusto. Mas há por aí quem diga que a justiça demora, demora um tempo infinito, mas não falha. No futebol, por vezes, também é assim. Tudo isso para que não sejam sempre os mesmos a rir por último. Tem uma pitada de ironia.

A Inglaterra, apesar de ser há muito uma potência do futebol internacional, só conta com um título mundial. Ganhou-o quando realizou a prova, em 1966, frente à Alemanha Ocidental. O jogo terminou empatado a dois. Foram precisos mais oito minutos para um novo golo: Geoff Hurst, avançado do West Ham United, fez os ingleses saltarem de alegria. E os alemães, indignados, protestarem como loucos. Para eles, a bola não tinha entrado na baliza de Hans Tilkowski. Não na totalidade. Não tinha sido golo. O árbitro Gottfried Dienst e o seu auxiliar entenderam que sim. A Inglaterra voltou a colocar-se na frente, cavalgou definitivamente para a vitória, Hurst ainda marcaria mais um para juntar ao bis que já fizera e os britânicos venceram em casa. Pela primeira. Pela única vez na sua história. Os alemães, na sua frieza, vingar-se-iam. Não se ficam.

Para se voltarem a encontrar num Mundial foram precisos quarenta e quatro anos. Jogaram, agora, nos oitavos-de-final do Campeonato do Mundo de 2010. A Alemanha entrou bem, marcou dois golos, submeteu os ingleses. A Inglaterra, em alerta, respondeu com um golo de Matthew Upson. Depois lá veio a vingança. Como se fosse em 1966, com os papéis invertidos, com os alemães a rir e os ingleses a puxar pelos cabelos. Lá está: o futebol coloca tudo de pernas para o ar, é sarcástico, tem requintes de malvadez e, a mais ou a menos tempo, faz com que quem ficou triste antes seja agora recompensado. Lampard rematou forte, em jeito, a bola bateu na trave da baliza de Neuer e caiu dentro da baliza. Bem dentro, sem dúvidas, meio-metro para além da linha. Jorge Larrionda deu ordem de continuidade. Ouviu aí as gargalhadas de Tilkowski?

Feitas as contas, passando por cima desse golo-que-foi-mas-não-valeu, a Alemanha marcou quatro golos e a Inglaterra apenas um. É uma vitória clara, robusta e inequívoca dos alemães. O remate de Hurst, em 1966, não deveria ter contado mas, como o árbitro suíço o validou, contribuiu para o título mundial conquistado pelos ingleses. Agora, em 2010, ainda nos oitavos, o remate de Lampard, que daria o empate, não valeu para nada. A vingança, fria como se quer, está servida. A Inglaterra, que fora superior, saiu vergada à sua maior derrota de sempre numa fase final. O veneno servido há quarenta e quatro anos, destroçando as pretensões alemãs, foi retribuído. O futebol permite-o. O conservadorismo de quem manda nele também. Passaram mais de quatro década e a decisão, apesar de todos os avanços, continua nas maõs de dois homens…


Minha África: Argentina e Alemanha apurados em dia negro para a arbitragem

A Argentina está apurada para os quartos-de-final, mantendo o favoritismo que lhe era apontado antes da competição. A Alemanha também se apurou, mas não constava dessa lista de favoritos, onde se lia o nome do seu opositor, Inglaterra, que foi derrotada sem apelo nem agravo.

A Argentina aproveitou dois erros e construiu um resultado de segurança na primeira parte. A Alemanha venceu bem e, finalmente, ao fim de quarenta e quatro anos, libertou-se do fantasma de 1966, vingando-se da tal bola que o árbitro viu dentro da baliza, mas que mais ninguém viu. Desta vez foi ao contrário a bola entrou, todo o mundo viu menos o auxiliar e o árbitro Larrionda, e com esse golo a ser validado o jogo seria de certeza outro, porque a Inglaterra iria com um empate para o intervalo e não teria que arriscar tanto no ataque durante a segunda parte.

Dia negro para as duas equipas de arbitragem com erros grosseiros com provável influência no resultado. Jorge Larrionda, além de outros erros, esteve no lance do golo que vai ser falado por muito tempo em Inglaterra. Roberto Rosetti e o seu auxiliar validaram o golo ilegal (fora-de-jogo) de Tevéz.
Inglaterra – Alemanha (1-4): A vingança serve-se fria
Jogo: Futebol directo dos ingleses no ataque com muita previsibilidade e mais mobilidade dos germânicos com Ozil, Müller e Klose, mais rápidos que os defesas britânicos a criarem até aos vinte minutos duas oportunidades desperdiçadas por Ozil e Klose. Aos 20′ um golo insólito: pontapé de baliza da Alemanha e Klose mais rápido que Terry e Upson a finalizar com um simples toque. Sempre no mesmo registo, a Alemanha criava mais oportunidades mas o jogo “despertava” pelo lado inglês. Defoe remata à barra, mas é assinalado (mal) fora-de-jogo e na resposta, rápida troca de bola (Müller/Klose) para finalização de Podolski. Acordou a Inglaterra com o guardião germânico a contribuir para o golpe de cabeça de Upson, que reduz, e aos 38′ Lampard faz a bola bater na trave e entrar na baliza, mas o auxiliar de Larrionda não vê e o golo não é validado. A segunda parte foi um doce para os pupilos de Joachim Löw, com uma Inglaterra aberta no ataque e vulnerável para uma equipa que nas transições rápidas é cínica, fria e letal. Duas bolas perdidas na defesa germânica e duas “cavalgadas” para a área inglesa, com Müller a concluir e dar o cheque-mate em Capello e seus pupilos. A Alemanha vinga-se 44 anos depois do célebre golo da final de 1966, com uma bola que desta vez entrou e não foi validado e que foi importantíssimo para o desenrolar da partida. Larrionda, apesar dos erros cometidos em todos os jogos, vai continuar a ser nomeado pela FIFA. Que vergonha.

Positivo: As lições, dignas de figurar em qualquer aula de transições ofensivas, dadas por uma equipa que sabe interpretar o contra-ataque na perfeição. Ganho de bola, primeiro passe rápido a desmarcar um colega e corredores de contra-ataque bem preenchidos, depois é só finalizar.

Negativo: Errar é humano, dizem os “Velhos do Restelo” da FIFA, mas o resultado de um jogo ser decidido pela teimosia em não querer adaptar as novas tecnologias ao futebol, já não é só casmurrice, é burrice.

Argentina – México (3-1). Aproveitar os erros alheios
Jogo: A Argentina aplicou a receita infalível para vencer, experiência, impor o ritmo lento que lhe convém, aceleração de Messi a 30/40 metros da grande área, capacidade de finalização de Tévez e Higuaín e saber aproveitar os erros alheios, que fatalmente terão que aparecer. O primeiro erro foi assinado pelo auxiliar do árbitro italiano Rosetti (não assinalou fora-de-jogo a Tévez) o segundo foi uma oferta do central Osório que colocou a bola nos pés de Higuaín que não falhou. O resto foi controlar o jogo e o adversário, fazendo circulação de bola, de quando em vez acelerar um pouco para dar avisos claros que o ritmo era imposto pelos pupilos de Maradona, até passar o tempo de jogo. Tudo isto perante a passividade e ineficácia ofensiva de uma equipa mexicana, que não tem ninguém para imprimir ritmos mais elevados e que obrigassem a defesa argentina a cometer erros. Com equipas rápidas e agressivas no ataque vai cometê-los de certeza, não vai Alemanha?

Positivo: O ataque argentino, um dos melhores da competição, com Tévez, Higuaín e Messi. Todas as cambiantes necessárias lá estão: luta e pressão ofensiva (Tévez), sentido posicional na área (Higuaín), capacidade de explosão e magia com a bola nos pés (Messi), porque há um denominador comum aos três: soberba capacidade de finalização.

Negativo: A arbitragem do italiano Rosetti, validando um golo ilegal. A defesa do México com muitas ofertas a uma selecção que nem delas precisava para vencer.