Minha África: Jornada inaugural de empates e empatas

Finalmente a bola rolou, depois de uma cerimónia de abertura para o “fracote” e sem inovações. Segundo rezam os relatos sobre o nível organizativo, foi maior o aparato que a eficácia, com a credencial de jornalista a ser um “passaporte franco” para zonas perfeitamente interditas. As vuvuzelas continuam a azucrinar os tímpanos e até nas transmissões televisivas se tornam irritantes. Quanto aos jogos: um tédio, empates mais que evidentes e empatas na qualidade de jogo.

Vamos ao jogo inaugural. Não defraudou as minhas expectativas, pois esperava um México mais evoluído tecnicamente, com excelentes executantes a nível individual (Giovani, Vela, Aguilar, Juarez) mas muita lentidão a executar e sobretudo a pensar, com um meio campo (Márquez e Torrado) sem “pés” para fazer chegar com rapidez a bola aos seus atacantes, que nos minutos iniciais da partida e com espaço para contra-ataques, criaram excelentes oportunidades de golo. Inépcia na concretização e um guarda-redes bem seguro (Khune) impediram que a equipa de Javier Aguirre chegasse a vencer ao intervalo. A segunda parte trouxe mais do mesmo, maior capacidade atacante do México, com a África do Sul a optar por esperar pelo adversário e tentar o contra-ataque rápido, através dos lançamentos de Piennar para Modise ou Tshabalala, extremos rápidos.

Aos cinquenta e cinco minutos, uma recuperação de bola da defesa sul-africana deu início a um contra-ataque de três toques que deixou Tshabalala em posição de marcar. Ver, rever e tornar a ver quantas vezes for necessário para que se aprenda como desenvolver na perfeição um contra-ataque ou, como agora está na moda, uma transição ofensiva. Mudou a estratégia o técnico mexicano e foi mais afoito, deixando no entanto espaço para que os golpes rápidos da equipa da casa pudessem fazer mais estragos. Como quem não marca… surgiu o golo do empate, com um falhanço de marcação de Makoena para o veterano Rafa Márquez marcar. Até ao fim oportunidades de golo a surgirem em ambas as balizas, mas o jogo inaugural acabou como começou: empatado. Cumpriram-se duas tradições: a equipa da casa não perdeu no jogo inaugural e o empate continua a ser o resultado mais usual nos jogos de inauguração.

No segundo jogo, um feito: Thierry Henry tornou-se no primeiro jogador francês a actuar em quatro Mundiais. E um jeito: a táctica defensiva do Uruguai no claro indício que o melhor resultado seria o empate. Por isso o jogo se tornou sensaborão, sem grandes oportunidades e com nítida tendência para os gauleses, com o primeiro tempo a trazer um ligeiro ascendente francês que não teve efeitos práticos no marcador. No entanto, o segundo tempo trouxe uma França mais pressionante e com uma dinâmica colectiva superior, mas foi tempo de Óscar Tabarez dar ordem aos seus pupilos para enredarem na teia táctica Ribéry e companhia, até porque a expulsão de Lodeiro, a primeira deste Mundial, deixou os celestes a jogar com menos um nos últimos vinte minutos. No final, a dúvida de mão na área uruguaia. Foi? Não foi? Para quem foi apurado com um lance de mão na bola não deixa de ter o seu lado irónico.

Tácticas: África do Sul – 4x2x3x1 ; México – 4x3x3; França – 4x2x3x1; Uruguai – 4x4x2


MINHA ÁFRICA é um espaço de Bernardino Barros sobre o Mundial 2010

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