97º Tour de France: O fim de Lance e a afirmação de Andy

É incontornável: Lance Armstrong está fora da discussão da vitória na nonagésima sétima edição do Tour de France. Azarado, destroçado e sem capacidade para recuperar, o ciclista norte-americano da Radioshack foi vítima da oitava etapa, nos Alpes, a primeira verdadeiramente exigente. Duas quedas e uma notória quebra física, na passagem pelo Col de la Ramaz, fizeram com que Armstrong, heptavencedor do Tour e terceiro classificado na edição do ano passado, chegasse à meta, em Morzine-Avoriaz, com um atraso gigantesco de onze minutos e quarenta e cinco segundos. A oitava vitória ou a nona presença no pódio final estão, de vez, colocadas de parte. Lance Armstrong, protagonista de tantos espectáculos anteriores, viveu um dia infernal, sem paralelo na sua carreira e atrasou-se, na geral, em mais de treze minutos. Com trinta e oito anos, Lance deixou a primeira semana com o destino traçado. Os heróis, agora, são outros.

Ao oitavo dia, na sétima etapa, a primeira chegada em alto. Ainda sem se tratar de uma subida íngreme e devastadora, a escalada para Station de Rousses fez a primeira selecção. A classificação geral, até então confortavelmente liderada por Fabian Cancellara (Saxo Bank) após a titubeante jornada no pavé, a que se seguiram duas vitórias explosivas de Mark Cavendish (HTC-Columbia) com chegadas em pelotão compacto, alterou-se. Baralhada. Sylvain Chavanel (Quick-Step), uma das principais figuras da primeira semana, sobretudo por se tratar de um ciclista francês em bom momento, conseguiu reeditar a vitória que alcançara na segunda etapa: atacou, destacou-se do pelotão, ganhou espaço, venceu e foi recompensado com a camisola amarela – Cancellara há muito ficara para trás. A táctica da Quick-Step, equipa belga, resultou na perfeição, uma vez que também Jerôme Pineau cimentou a sua liderança na montanha.

ANDY SCHLECK E CADEL EVANS: OS VENCEDORES DA OITAVA ETAPA

Andy Schleck é uma das maiores esperanças do ciclismo mundial. Depois de ter sido segundo classificado na edição anterior do Tour de France, intrometendo-se entre Contador e Armstrong, a Saxo Bank voltou a apostar forte, cada vez mais forte, para conseguir levar o mais novo dos irmãos Schleck à vitória na Grande Boucle. A jornada no pavé, na quarta etapa, serviu para demonstrar que a equipa se encontrava bem, depois de uma bela resposta de Andy Schleck – contando com uma ajuda preciosa de Fabian Cancellara – num terreno onde o ciclista luxemburguês sente dificuldades. No entanto, foi também um dia mau, uma vez que Frank Schleck, braço direito de Andy, se viu obrigado a abandonar a prova devido a uma queda. Seja como for, na oitava etapa, na dura escalada até Morzine-Avoriaz, o jovem trepador da Saxo Bank conseguiu superar a concorrência e, explosivo, atacou fortíssimo rumo à vitória.

No seu ataque demolidor, ao qual apenas Samuel Sánchez (Euskautel) conseguiu reagir, Andy Schleck ganhou dez segundos ao grupo de onde saltou. Já sem Lance Armstrong na corrida por um lugar no pódio, o tempo conquistado, sobretudo a Alberto Contador, é importante. O ciclista luxemburguês da Saxo Bank deixou bem claro que é candidato e será um dos principais adversários que Contador, à procura do seu terceiro triunfo no Tour, terá pela frente – o espanhol, que não teve capacidade para atacar nos quilómetros finais, reconheceu que Andy Schleck é, na montanha, o seu principal opositor. Cadel Evans, que chegou inserido no principal grupo, assumiu a liderança da classificação geral. O ciclista australiano da BMC, uma confirmação sempre adiada em edições anteriores do Tour, conquistou a camisola amarela a Sylvain Chavanel (onze minutos e quarenta de atraso na etapa) e mostrou que, mais uma vez, pretende vencer.

Cadel Evans, Andy Schleck e Alberto Contador preenchem, neste momento, os três primeiros lugares. E são, pode-se dizer, os principais candidatos à vitória final – embora a BMC, equipa de Evans, não tenha qualquer comparação com a Saxo Bank ou a Astana, de Schleck e Contador, o ciclista australiano, experiente, tem dado boa conta de si e está acostumado a viver o mesmo problema: falta de ajuda. Para além destes há ainda ciclistas como Van der Broeck (Omega-Lotto), Denis Menchov (Rabobank) ou Levi Leipheimer (único representante da Radioshack nos primeiros dez classificados – é oitavo, a dois minutos e catorze segundos de Cadel Evans). Carlos Sastre (Cervélo) e Ivan Basso (Liquigas), apesar de terem chegado no grupo dos favoritos e, assim, recuperado tempo, encontram-se, respectivamente, no décimo segundo e décimo terceiro lugar – Sastre, vencedor do Tour em 2008, tem um atraso de dois minutos e quarenta para Evans e uma vantagem de um segundo sobre Basso. Ainda, porém, com hipóteses.

A MAIOR FORÇA DA ASTANA NO DUELO DE TITÃS

A edição deste ano do Tour de France seria, à partida, um duelo entre Alberto Contador e Lance Armstrong. Lado-a-lado, nas duas principais equipas do pelotão internacional, o presente pujante e o passado épico. Na edição anterior, em 2009, estando na mesma equipa, a toda-poderosa Astana, a convivência de Contador e Armstrong não foi fácil e a estratégia da formação cazaque passou por, sempre que possível, colocar os seus dois líderes na frente. Foi conseguido: Contador venceu com naturalidade, enquanto Armstrong, após um período de três anos de inactividade, conseguiu um honroso terceiro lugar. Em 2010, com equipas diferentes, o Tour de France teria todas as condições para ser discutido, sobretudo, entre Alberto Contador e Lance Armstrong. Um na Astana, mais frágil, e o outro na nova Radioshack, forte e por ele comandada. Contudo, é a equipa cazaque, mesmo sem corredores influentes, quem melhor tem estado.

A quebra de Lance Armstrong na oitava etapa deve-se às duas quedas e à sua incapacidade para seguir o andamento imposto pela Astana. Aproveitando as maiores dificuldades do ciclista da Radioshack, naturais para quem tem trinta e oito anos, a equipa cazaque endureceu o ritmo, procurou estragos e tentou deixar, desde logo, Armstrong sem possibilidades de lutar por uma vitória. Resultou na perfeição: a Astana colocou quatro ciclistas no principal pelotão, tomou conta do ritmo, aumentou-o e superiorizou-se à Radioshack, em teoria mais forte, deixando também Andreas Klöden fora da rota dos primeiros lugares – o ciclista alemão tem um atraso de cinco minutos e trinta e nove segundos, depois de já ter quebrado na véspera. Contudo, quando era expectável que Alberto Contador, líder da Astana e principal candidato à vitória, atacasse, a verdade é que também o ciclista espanhol sentiu dificuldades para acompanhar o andamento da sua equipa.

Após estar completa a primeira semana, Alberto Contador mantém intactas as esperanças de voltar a conquistar, pela terceira vez na sua carreira, a maior prova do pelotão internacional – é terceiro, com um minuto e um de diferença. Lance Armstrong, por outro lado, viu as possibilidades de repetir uma vitória, ou até estar presente no pódio, esfumarem-se. Percebe-se facilmente, por isso, que a Astana leva, para já, a melhor sobre a Radioshack. Ambas, contudo, têm apenas um corredor nos dez primeiros: a equipa cazaque tem Contador, a norte-americana tem Leipheimer – embora seja uma tarefa complicadíssima, não é impossível que o ciclista americano consiga um lugar entre os três primeiros. Alexandre Vinokourov, este ano regressado para a Astana, revelou-se importante no aumento do ritmo imprimido pela equipa cazaque, mas acabou por perder muito tempo e é, agora, décimo quinto na geral (a três minutos e cinco).

Os melhores momentos do 97º Tour de France terão acompanhamento no FUTEBOLÊS


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2 thoughts on “97º Tour de France: O fim de Lance e a afirmação de Andy

  1. Já fui um grande fã de ..ciclismo, mas o doping com histórias sucessivas de falseamento de resultados desportivos foi matando esta bela modalidade desportiva.Ainda assim , penso que irá ganhar ..Contador

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