Sp.Braga-Sevilha (1-0): Confiança, garra e ambição

COMENTÁRIO

Chegou a hora do Sp.Braga na Liga dos Campeões, mesmo que seja num playoff, uma passagem até à verdadeira competição milionária. Hora de sentir os batimentos cardíacos mais fortes do que nunca, de viver uma experiência de vida completamente diferente, de ficar arrepiado ao escutar o hino da prova mais desejada por qualquer equipa e de encarar um adversário fortíssimo para provar o seu valor. De estar a um passo de se juntar às melhores equipas europeias. A oportunidade, única e merecida, foi agarrada: a equipa portuguesa venceu o Sevilha, um adversário possante, emergente e traquejado, na primeira mão do playoff da Liga dos Campeões. Um golo de Matheus, oportuno embora em posição irregular, faz com que o Sp.Braga encare o jogo de Sevilha com maior optimismo, porque ele já lá esteve, crendo não ser impossível deixar a equipa sevilhana pelo caminho. É complicado, sim, mas está ao alcance.

Começar com timidez, expectativa e respeito pelo adversário. O Sevilha, pelos jogadores que possui e pelos feitos alcançados no início deste século é uma equipa da moda em Espanha e na Europa, merece-o. O Sp.Braga, conhecedor das suas capacidades mas também das diferenças para com o rival, soube reconhecer o seu papel, refrear a ambição, não que a tenha perdido, baixando as linhas. Mais importante do que começar uma tentativa de asfixiar o adversário, jogando no limbo e assumindo um risco altíssimo, a equipa portuguesa uniu-se, tornou-se um só corpo, procurou travar as investidas do Sevilha e ser veloz nas saídas para ataque. Tremeu no início, com um cabeceamento de Luís Fabiano ao poste, mas, com o tempo, conseguiu impedir que a equipa espanhola chegasse com perigo à baliza de Felipe. O Sevilha teve muita bola, circulou-a, tentou avançar, dominou a toda a largura, mas esbarrou na parede minhota.

Com o passar dos minutos, melhorando nas laterais, sobretudo Elderson, o Sp.Braga assentou o seu jogo. Sobrevivera aos ataques do Sevilha e, com esforço, fora capaz de os resolver. Mas faltou rasgo, velocidade, ligação para sair para o ataque, explorando o balanceamento sevilhano, procurando chegar perto da área de Andrés Palop. Já com o ataque do Sevilha menos insistente, com as marcações acertadas e sem espaço, era tempo de o Sp.Braga procurar a sua sorte. Rondou, pela primeira vez, o golo em cima do intervalo: Matheus, bem desmarcado por Miguel Garcia nas costas da defesa do Sevilha, aproveitou o espaço vazio, caminhou com a bola mas Palop foi mais forte. A tentativa do Sp.Braga foi um bom prenúncio para o recomeço. Deixou a equipa mais confiante, mais crente nas suas capacidades, percebendo ser possível, se tivesse mais uma dose de audácia, conseguir derrotar o pequeno gigante espanhol.

Uma lesão de Miguel Garcia, já excluído do jogo da segunda mão depois de ter cometido uma falta dura sobre Diego Capel, um perigo constante juntamente com Jesús Navas no início do jogo, abriu as portas do jogo a Sílvio. O Sp.Braga reentrou para a segunda parte mais afoito, mais expedito e mais capaz. Manteve-se equilibrado, nunca destapou a defesa, mas aumentou a ofensividade, colocou a baliza de Palop no horizonte e tentou ser mais eficaz nas saídas para ataque. Na primeira parte, colectiva ou individualmente, raramente alguma resultara. Beneficiou, também, da maior capacidade de Sílvio, em contraponto com Miguel Garcia, para se envolver nas acções ofensivas. Foi dos pés do reforço bracarense, num cruzamento bem medido, que nasceu o golo: Paulo César cabeceou, Palop respondeu com uma belíssima defesa e Matheus, matreiro junto à baliza, colocou a bola no fundo da baliza do Sevilha. O golo chegou na altura ideal.

O Sp.Braga começara por baixo, humilde, submetendo-se aos maiores recursos do Sevilha. A equipa espanhola teve bola e domínio, mas nunca conseguiu, fora o remate de Luís Fabiano ao poste, colocar Felipe em verdadeiros sarilhos. Para a segunda parte, apercebendo-se da oportunidade que tinha entre mãos, elevou-se, empinou o nariz e, com as suas armas, desafiou a equipa espanhola. Mantendo-se consistente, com Moisés e Rodríguez mandões no centro da defesa, com Leandro Salino importante na ligação de jogo, algo que Luis Aguiar não conseguira, o Sp.Braga cresceu muito na segunda parte. Conseguiu marcar, no minuto sessenta e dois, travando a onda sevilhana e colocando-se bem mais confortável. Procurou, depois, criar mais perigo, voltou a dar trabalho a Palop e Lima ainda atirou à trave, mas nunca quis dar um passo em falso. Sofrer um golo poderia ser fatal. Assim, mesmo sendo curta, leva vantagem.

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5 thoughts on “Sp.Braga-Sevilha (1-0): Confiança, garra e ambição

  1. Anónimo e Paulo Grilo,Mantenho, já depois de ter visto as imagens, que o golo é irregular. Se olharmos apenas para os pés, Matheus está em linha. Mas, num fora-de-jogo, não é apenas isso que conta: tirando os braços, qualquer outra parte do corpo tem de ser levada em conta. Por isso, se tentarem traçar uma linha a partir do jogador do Sevilha, percebem que Matheus está ligeiramente adiantado. São centímetros e o árbitro até deve deixar seguir em caso de dúvida, sim, mas está…

  2. Entao tas a dizer que a cabeça ou braços do Matheus conseguiram chegar quase a linha de pequena area? Tens que ver tambem a perspectiva! Eu acho que «é fisicamente impossivel a cabeça ou braços do Matheus irem tao alem ate a linha de pequena area. Sim não é pelos pés que se vê um fora de jogo mas ajuda, e aquele espaço entre os pés de ambos é exatamente isso que determina numa transmissao televisiva vermos se estão ou não, pois ajuda a perceber se os braços ou tronco tao em jogo ou não. Mas isto é facil, basta um arquitecto ou Engenheiro Civil, ver esta imagem e dizer se é possivel ou não. È tudo uma questão de calculos. Nao podes simplesmente fazer uma linha desde do pé do jogador do sevilha e ver que a cabeça do Matheus ta em fora de jogo. Então o Matheus tem um pescoço para ai de 30/40 cms xD Cumprimentos.

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