Liga Europa: Um bilhete carimbado e dois passos em falso

GENK-FC PORTO (0-3): O PASSAPORTE NA MÃO

Sem os milhões da Liga dos Campeões, sem o prestígio de estar entre os melhores, na nata europeia, mas com a ambição natural de dar nas vistas. O FC Porto tem currículo na prova milionária, conseguindo presença regular nos oitavos-de-final, mas caiu, nesta época, para a Liga Europa. É diferente e incomparável, sem dúvida. Os dragões, contudo, sentem-se fortes e capazes de chegar longe. Pelo estatuto que possui, no playoff antes da entrada na fase de grupos da Liga Europa, nunca o FC Porto encontraria um adversário temível, desencorajador e mais capacitado. O Genk, líder do campeonato belga, apareceu no caminho azul. André Villas Boas, respeitador do adversário mas confiante nas capacidades dos seus, elevou a fasquia, propôs um desafio, mostrou-se empenhado em vencer os dois jogos. O primeiro, ganho por 3-0 fora de casa, coloca o passaporte para a fase de grupos carimbado e nas mãos do dragão.

O resultado obtido pelo FC Porto vale ouro. Três golos marcados na casa do adversário, conseguindo uma vitória clara, simples e indiscutível, dão aos dragões total conforto para o jogo da segunda mão. A equipa portista, sem Hulk por motivos pessoais, recolheu com agrado a iniciativa que o Genk lhe entregou em bandeja, teve o domínio completo, foi paciente, aproveitou erros e marcou nos momentos certo. É verdade que a grande penalidade assinalada por Luca Banti, muito discutível, caiu do céu, porque até aí o FC Porto ainda não tivera uma verdadeira bola de golo, mas serviu para marcar as diferenças e coroar o domínio portista. Em desvantagem, apostando tudo nas saídas rápidas para ataque, o Genk viu-se obrigado a mudar. O intervalo, com a entrada de Ogunjimi, transformou os belgas: mais afoitos, mais atacantes, menos receosos. O FC Porto, descomprimido e com o jogo na mão, tremeu e viu Helton agigantar-se.

A equipa portista permitiu que o adversário crescesse, capitulou por diversas vezes, deu azo a algumas oportunidades, muitas delas consentidas, junto da sua baliza. Helton, senhorial, manteve a sua baliza a zero. O Genk reagira bem. Essa melhoria dos belgas foi travada por Matoukou, vilão para a sua própria equipa, expulso depois de uma entrada duríssima sobre João Moutinho. Em superioridade, no marcador e numérica, o FC Porto voltou a ficar mais confortável. André Villas Boas preencheu o meio-campo, recuperou o controlo, os dragões voltaram a encontrar espaço, mantendo o Genk preso em tarefas defensivas, procurando sentenciar a eliminatória já na primeira mão. Em dois cliques, dois golos de se lhe tirar o chapéu, o FC Porto conseguiu um resultado gordo e (quase) impossível de recuperar para os belgas: Souza, de fora da área, rematou certeiro ao ângulo e Belluschi, em arco, firmou os números finais.

SPORTING-BRONDBY (0-2): LEÃO, HÁ QUE LUTAR NA DINAMARCA!

O Sporting pode-se comparar a um doente, moribundo no ano passado, mas que pretende revitalizar-se e dá sinais de o conseguir. Na pré-época, pelo menos, conseguiu exibir-se em bom plano. Pôde ambicionar esquecer o passado e virar a página. Os males, contudo, mantêm-se lá. Foram apenas disfarçados. A cada momento podem surgir de novo. Frente ao Brondy, no playoff da Liga Europa, o Sporting começou forte, teve dez minutos insistentes, empurrou o adversário e fez valer a sua superioridade, clara e assumida, ante os dinamarqueses. Sem efeitos práticos, sem golos, com o passar do tempo foi baixando a guarda. Entrou num registo amorfo, expectante, pouco dinâmico, sendo demasiado previsível no jogo. Jogou, no fundo, ao sabor do que o Brondy necessitava, com ritmo baixo e criando poucas oportunidades de golo. Os dinamarqueses, já depois de terem ameaçado Rui Patrício, chegaram à vantagem. E conseguiram aumentá-la.

Perder por dois golos numa eliminatória, ainda por cima em casa, é preocupante. O Brondby, equipa voluntariosa mas inferior ao Sporting, parte para a segunda mão, na Dinamarca, com belas possibilidades de seguir em frente e ganhar um lugar na fase de grupos da Liga Europa. Ao Sporting, além da derrota, fica uma exibição pálida, monótona, sem rumo, apenas vivendo das investidas e da garra de João Pereira, incapaz de se superiorizar à equipa dinamarquesa. Os leões sentiram problemas antigos, sem soluções à vista, entrando nalgum desnorte traduzido pela extrema facilidade com que o Brondby chegou perto da baliza de Rui Patrício. Faltou, mais do que tudo, garra para remar contra a maré. Houve também azar, claro que sim, sobretudo no melhor momento do Sporting, a partir dos sessenta minutos e coincidindo com a entrada de Yannick Djaló para o lugar de Postiga, mas, aí, já os dinamarqueses levavam dois golos a mais.

Com Yannick em campo, juntando-se a Vukcevic, entrado pouco antes, o Sporting cresceu. Conseguiu abanar a defesa do Brondby, imprimir velocidade, criar dificuldades ao guarda-redes Andersen: o dinamarquês fechou os caminhos do golo, Liedson e Nuno André Coelho acertaram nos postes, o árbitro deixou passar em claro uma grande penalidade sobre João Pereira. Foi pouco. O Brondby já marcara num golaço de Jan Kristiansen, solto de marcação, tendo aumentadp por Jallow após defesa incompleta de Rui Patrício. Teve eficácia e foi feliz. Não é, contudo, uma equipa superior ao Sporting. Os leões, nunca conseguindo ser incisivos e pressionantes em busca do golo, viveram de fogachos, não tiveram um jogador capaz com um toque de génio capaz de marcar a diferença, e acabaram surpreendidos. A eliminatória ainda não está resolvida, é certo, mas o Sporting, para seguir em frente, terá de se transfigurar.

BATE BORISOV-MARÍTIMO (3-0): BATEU FORTE!

Fortalecido pelas vitórias contundentes e claras sobre Sp.Fingal e Bangor City, ultrapassados comodamente, o Marítimo caiu, na Bielorrússia, frente ao BATE Borisov: perdeu por três golos, entrou em completo desnorte depois de ter tido um belíssimo começo de jogo e tem uma tarefa complicadíssima para o jogo da segunda mão. Bem diferente dos outros dois adversários europeus da equipa madeirense, o BATE, campeão e controlador do campeonato do seu país, tem maior traquejo, esteve já na Liga dos Campeões, e fez valer a sua força frente ao Marítimo sendo mais eficaz. A equipa portuguesa criou oportunidades, rondou o golo, procurou insistir para marcar mas nunca o conseguiu. Os bielorrussos, matreiros e mais experientes, marcaram por Olekhnovich, anulando as pretensões maritimistas, deixando o Marítimo sem reacção.

O primeiro golo do BATE Borisov foi o princípio do fim da equipa portuguesa. Nervosa, acusando a pressão, sem se conseguir restabelecer após o tento dos bielorrussos, sofreu, logo após, segundo golo. Mitchell Van der Gaag, na procura de um abanão que fizesse a equipa despertar e recuperar o discernimento necessário para ambicionar marcar um golo capaz de relançar a eliminatória, não mais se encontrou, somou erros e viu-se dominado pelo BATE Borisov. Pavlov, aproveitando a desorientação maritimista, marcou o terceiro golo, abrindo boas perspectivas à sua equipa, agudizando os problemas do Marítimo. A equipa portuguesa tentou reagir, fazer o seu ponto de honra, conseguindo um golo que poderia ser fundamental, mas falhou em demasia e esbarrou no guarda-redes Veremko. Resta apenas um fio de esperança de seguir em frente.

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