Benfica-Sp.Braga (antevisão): Lutar sem poder errar

Chamaram-lhe jogo do título na época passada. É sempre discutível. Reduzir o campeonato a apenas noventa minutos, um jogo isolado, pode ser demasiado redutor. Mas foi mesmo: o Benfica venceu o Sp.Braga, aniquilou o descaramento de uma equipa emergente que superou dois crónicos candidatos ao título e mordeu os calcanhares aos benfiquistas – viu-se ultrapassado mas nunca acenou a bandeirinha da rendição -, ganhando verdadeiramente uma boa vantagem após o tal jogo na Luz. A distância ficou em seis pontos. Foi, digamos assim, o golpe de misericórdia do Benfica no combate pelo título. Por isso, foi mesmo o jogo decisivo, o mais importante, o mais marcante e encaminhador da conquista da águia. Campeão e vice-campeão, agora, de novo frente a frente. Percursos diferentes, estatutos incomparáveis, vantagem minhota na classificação e um objectivo comum: apertar o cerco ao FC Porto. Ganhar e esperar para ver.

Um campeão em falso. Cinzento, errante, mal-sucedido. De um momento para o outro, como se não percebesse muito bem o que lhe acontecia, o Benfica ficou a nove pontos da liderança. Perdeu três dos seis jogos que realizou, o FC Porto não cedeu, complicou inusitadamente a defesa do título, desconfiando do objectivo de chegar bicampeonato, perdendo importante terreno numa luta em que partiu na pole-position. Surgiu confiante no derby, manietou o Sporting, teve momentos de belo futebol e ganhou com segurança. Arrancou, logo após, um triunfo frente ao Marítimo. Pode ter sido a viragem. A verdade é que tem sido intermitente: três vitórias, três derrotas, imagens diferentes e lacunas evidentes. Este Benfica está reconhecida e naturalmente diferente da equipa demolidora da temporada anterior. Tem, à sétima jornada, um sério teste. Joga já sem margem, no limite, obrigado a vencer para se manter vivo na luta.

Um outsider que sente dores de crescimento. O Sp.Braga tem crescido imenso a cada época, alimenta o ego, preenche os requisitos de uma equipa grande, está cada vez mais perto de o ser e teve a sua página dourada na temporada anterior. Lutou sem receio com o Benfica, conquistou o segundo lugar, entrou na Liga dos Campeões e conseguiu marcar a História. Elevou, por isso, a exigência. Mantém-se como outsider, sim, mas esperam-se cada vez melhores resultados, subindo a fasquia, galgando degraus nesse crescimento que evidencia. Deu mostras, no início da época, de ter capacidade para se superar e intrometer-se na luta pelo título. Contudo, os últimos tempos, com a entrada na elite europeia, arrefeceram o ânimo: o Sp.Braga sente as diferenças, deixou uma imagem pálida, atemorizou-se frente a adversários superiores e parece ter perdido um pouco da sua alegria. Mas é uma equipa guerreira. Não verga à primeira. Quer lutar.

Benfica e Sp.Braga são os representantes portuguesas na Liga dos Campeões. Jogaram a meio da semana e foram ambos derrotados: os benfiquistas pelo Schalke 04, os bracarenses pelo Shakthar Donestk. São derrotas que podem deixar marcas. Têm o orgulho ferido e o jogo da Luz é decisivo: para manterem a perseguição ao FC Porto e para aumentarem os níveis de confiança. Jorge Jesus não terá Óscar Cardozo. O paraguaio, amado e odiado, lesionou-se. Poderá ser mais um problema numa equipa que tem sentido grandes dificuldades na finalização. O Benfica constrói e remata, mas raramente acerta na baliza adversária. Ora, também a imagem de marca do Sp.Braga se perdeu nas últimas semanas: os bracarenses têm sofrido golos em catadupa, é necessário criar um antídoto que seja eficaz para impedir a águia de ser letal. O ataque mortífero do Benfica e a defesa de betão do Sp.Braga estão em eclipse?

Óscar Tacuara Cardozo tem tido um início de época atribulado. É, mesmo assim, um perigo constante para as defesas contrárias. A sua ausência revela-se uma baixa de peso para o Benfica. Jorge Jesus lançará, para a vaga do paraguaio, Alan Kardec, avançado brasileiro contratado a meio da temporada passada, que fará dupla com Saviola. Deverá manter, de resto, a aposta em César Peixoto no lado esquerdo da defesa, mobilizando Fábio Coentrão, o principal impulsionador do Benfica até ao momento, para uma posição mais avançada. A ala esquerda benfiquista é, aliás, a principal preocupação de Domingos Paciência. Será Sílvio quem terá a missão de impedir os avanços encarnados. Não contando com o peruano Alberto Rodríguez, par de Moisés no centro da defesa, o treinador do Sp.Braga, tal como na última partida oficial dos minhotos, deverá colocar Paulão ao lado do Xerife. Sem mais mudanças.


BENFICA-SP.BRAGA

Estádio da Luz, Lisboa, 20h15
Árbitro: Duarte Gomes

BENFICA: Roberto; Maxi Pereira, Luisão, David Luiz e César Peixoto; Javi García, Carlos Martins, Pablo Aimar e Fábio Coentrão; Saviola e Kardec

SP.BRAGA: Felipe; Sílvio, Moisés, Paulão e Elderson; Vandinho e Leandro Salino; Luis Aguiar, Alan e Paulo César; Matheus


NOTA: O Benfica-Sp.Braga, assim como todos os jogos grandes – entre candidatos ao título – que se jogarão até ao final do campeonato, terá crónica no FUTEBOLÊS.

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