Liga Europa: Tropeções com sabores diferentes

FC PORTO-BESIKTAS (1-1): APURAMENTO NO BOLSO

Sessenta e cinco minutos para trás. Um golo, pares de oportunidades, domínio vincado, ameaça turca asfixiada desde um susto no primeiro minuto, tranquilidade azul. Cenário perfeito para o FC Porto: vitória, apuramento para a fase seguinte da Liga Europa, gestão parcial do plantel, mente no clássico com o Benfica, João Moutinho e Varela no banco e, mantendo-se o ritmo, controlado e imprido pelo dragão, oportunidade para dar folga a mais algumas das peças fundamentais da máquina portista. Nada de brilhantismos: jogo sério, realista, superior. Tudo isso, a partir do minuto sessenta e seis, se alterou. Por culpa própria: Cristian Rodríguez cresceu para Uzulmes, envolveu-se com o capitão turco, travou-se de razões e, por acumulação, recebeu ordem de expulsão. O jogo ganhou emoção, o Besiktas renasceu das cinzas, foi mais incisivo e empatou. O dragão aceitou. Afinal, tinha o apuramento no bolso. E há um jogo com o Benfica.

A expulsão de Rodríguez abalou o FC Porto. Ao mesmo tempo, como se compreende, o Besiktas cresceu. Os turcos assustaram com uma bola na trave da baliza de Helton, chegaram ao empate num golo portentoso de Nihat, Bobô viu as intenções de marcar com um remate teleguiado do meio-campo travadas pelo ferro e acreditaram ser possível chegar mais além. A desvantagem numérica do dragão durou apenas seis minutos, até à expulsão de Ibrahim Toraman, sim, mas nada foi como antes. A partida ganhou nos segundos quarenta e cinco minutos, inusitada e ironicamente, maior intensidade, subiu a temperatura, teve emoção que parecia, ao intervalo, inapropriada. O FC Porto tentou, depois de atacado, repor a vantagem. Mas jogando sempre em dois tabuleiros: o jogo com o Besiktas devia ser ganho, claro, mas não desencadeando uma reacção revoltosa, incessante e desenfreada que desgastasse a equipa em demasia.

Um empate está no meio-termo. Nem é carne nem é peixe. Para equipa grande, habituada a vencer e que se mostra superior, sabe a pouco. Aos adeptos portistas ficou essa sensação. No entanto, os objectivos foram alcançados: a equipa apurou-se para a fase seguinte da Liga Europa e, com mais ou menos minutos, André Villas Boas geriu os esforços, retirando Hulk, Belluschi e Falcao do jogo. Poderia ter hipotecado as aspirações a vencer, permitindo que o Besiktas virasse o marcador, mas correu esse risco e, com a manutenção do empate, foi bem-sucedido. Poderia ter sido melhor? Sim, mas o dragão cumpriu o essencial. E esteve perto, perto, perto da vitória, no final, num remate de Rúben Micael. O madeirense jura que a bola entrou, os árbitros mandaram seguir e nem as imagens deixam perceber o que está realmente certo. O dragão abusou do pragmatismo, fez o serviço mínimo e dedicou-se, depois, ao Benfica.

GENT-SPORTING (3-1): PÁRE, ESCUTE E OLHE

Páre, escute e olhe. O Sporting travou a marcha vitoriosa, encontrou um sinal de proibição, foi derrotado pelo Gent, na Bélgica, inverteu a tendência por culpa própria, deixou-se à mercê do adversário, não foi previdente e, mesmo apenas necessitando de um ponto para garantir um lugar nos dezasseis-avos da Liga Europa, deixou uma má imagem que terá forçosamente de ser repensada e melhorada. Sobretudo na segunda parte. O leão chegou empatado ao intervalo, depois de ter sofrido numa grande penalidade convertida por Smolders e empatado através de Saleiro, recompôs-se depois da desvantagem, mas deixou no balneário a capacidade para empurrar os belgas, como havia feito na goleada de mão cheia em Alvalade, permitiu que o adversário conseguisse espaço, fosse mais perigoso e ganhasse o jogo. O Sporting desapareceu: passivo, incapaz e impotente tombou perante o Gent. Com surpresa.

O leão crescera nas últimas semanas. Mais sólido, mais consistente e mais astuto. Tentou, no fundo, passar o que de melhor conseguira na Europa, com bons jogos e goleadas sintomáticas da superioridade da equipa portuguesa num grupo frágil, para o campeonato, garantindo, ainda que sem deslumbramentos, vitórias importantes sobre Rio Ave e União de Leiria, escalando a classificação e fixando-se no quarto lugar. Deu, por isso, sinais de melhoria. Só que o perigo espreita de onde menos se espera. Quem esperaria, na verdade, que o Sporting interrompesse o seu ciclo de vitórias na Liga Europa, onde melhor se apresentara até ao momento, na casa de um adversário macio, débil e dizimado em Alvalade? O certo, contudo, é que a equipa leonina não teve chama, sentiu inúmeras dificuldades, revelou-se impotente para assumir o jogo e encostar o adversário às cordas. Deixou o jogo correr. A expulsão de Abel deitou tudo por terra.

Abel vira amarelo no lance da grande penalidade. A treze minutos do final, depois de uma falta, precipitou o segundo. Foi expulso e agravou os problemas sentidos pelo Sporting. O Gent, esperançado num resultado positivo ou pelo menos o empate, chegou ao segundo golo por Ibrahima Conté, aos oitenta minutos, e logo depois aumentou, de novo numa jogada que explorou o lado direito da defesa leonina, com João Pereira a frio na ala (onde estava Abel), num cabeceamento de Arbeitman. O leão vergou. Apesar das sete alterações em relação ao último jogo – estiveram na equipa titular Hildebrand, Nuno André Coelho, Zapater, Diogo Salomão, Saleiro, Yannick e Cédric Soares, lateral-direito, um novo produto da formação sportinguista, em estreia absoluta -, o Sporting tinha obrigação de evidenciar os seus maiores atibutos e carimbar, em definitivo, o apuramento. Não o conseguiu. Foi intermitente. E viu um sinal de stop.

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