Supertaça Europeia: Crónica

BARCELONA – FC PORTO, 2-0 (CRÓNICA)

Quem mede um metro e oitenta, quer medir um metro e oitenta e um. Quem sabe contar até cem, quer saber contar até cento e um. Olha para os outros, vê e quer ser ou fazer igual. Porque assim dá-se melhor consigo, está mais próximo do que idealiza e sente que tem como chegar mais além. Esforça-se e arrisca. É como um jogador de futebol: se faz uma finta, quer fazer duas, três, olé, quantas mais melhor, sair pela pronta grande. Deslumbra-se, tudo é belo, nada o pode parar. Será mesmo?

Freddy Guarín é um jogador importante no FC Porto, cresceu como poucos, transfigurou-se de uma época para a outra. É capaz, é forte e sabe o que faz. Mas é mortal. Tem, como muitos, a tentação do pecado de querer fazer sempre mais, sempre melhor e sempre mais bonito. Dar-lhe ali um toque, uma coisa mínima, só mesmo para ficar nos trinques. Contra o Barcelona, olhou para o adversário, gostou e quis experimentar. Quis sair a jogar, fintou, mais do que uma vez, esforçou-se, não lhe correu bem e ofereceu a bola a Messi. O argentino estava ali como quem não quer a cosia, sorriu, muchas gracias, contornou Helton e marcou. Simples.

O golo de Messi na baliza de Helton teve o mesmo efeito que um gume frio e letal de uma espada que entra num corpo de um guerreiro. O FC Porto fora bravo, destemido, recusara-se a prestar vassalagem: olhos nos olhos, venha de lá esse Barcelona, armas prontas e luta. Deixou boas indicações, assustou Victor Valdés e mostrou que queria ser feliz. Tentar sê-lo, pelo menos. Teve boa atitude, organização e soube os terrenos que pisou. Até que chegou, aos trinta e nove minutos, o momento fatal. Porque, como disse Mark Twain, algumas pessoas nunca cometem os mesmos erros duas vezes: descobrem sempre novos erros para cometer.

O Barcelona pôs a mão no jogo, no resultado e no relógio. Passes à velocidade da luz, tentativa de ataque, ímpetos azuis refreados e presença senhorial. Jogo fluído e simples – mas nunca mágico e envolvente como hábito. Em desvantagem, o FC Porto teve que correr atrás, que afrontar o Barça, que insistir e que tentar impedir que, com os minutos, o carrossel espanhol tudo devorasse. Intrometeu-se, fez o que pôde e não se rendeu. Nem podia. Só que Cristian Rodríguez não teve a explosão que se pretendia, Hulk foi bem tapado, o meio-campo blaugrana assentou no portista e Kléber nunca teve jogo. Então, como fazer?

O dragão soube das dificuldades, não as negou, mas tentou viver com elas, ultrapassar as fragilidades e colocar-se ao lado do todo-poderoso. O adepto suspira, bate com o pé, rói as unhas, se não fosse aquela asneira do Guarín…, mas, não, nada há a fazer e nestas coisas, principalmente com este Barcelona, parece que há sempre qualquer coisa, vinda sabe-se lá de onde, que simplifica e deixa a equipa espanhola no caminho do sucesso. O FC Porto teve sempre cabeça erguida. E pode queixar-se de uma grande penalidade que o árbitro, Bjorn Kuipers, deixou passar em claro, por falta de Abidal sobre Guarín, embora, antes, tenha travado um ataque prometedor a David Villa.

As pernas portistas sentiram o esforço, a mente pediu descanso, os olhos reviraram-se com o jogo do Barcelona. Vítor Pereira tentou agitar, lançar novos trunfos, baralhou e… baralhou-se. As substituições de Kléber e Souza, por Belluschi e Fernando, nada acrescentaram e foram pouco percebíveis. O FC Porto sentiu o cansaço, deixou que as emoções lhe tomassem o pensamento e perdeu capacidade. Terminou com nove, por expulsões de Rolando e Guarín, viu Fabregas marcar o segundo golo do Barça e finalmente, depois dessa desfeita, assinou o acordo de paz. Knock-out, vitória do Barcelona. Mais uma. Sem surpresa.

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